[LIVROS] As infinitas referências da Torre Negra – parte 1

THE_DARK_TOWER_by_lilbenji25

Diz aí, você gosta de faroeste? E fantasia, você curte? E ficção científica? Terror? Tipo, Cthulhu e tal? Ou mais na linha de histórias de fantasmas? Que tal contos de fadas? Histórias de Máfia, policiais etc.?

Certos gêneros costumam se misturar – não é incomum, por exemplo, ter uma história de ação e fantasia com elementos de humor, ou um drama policial com um quezinho de ficção científica. Mas os gêneros acima costumam ser mutuamente exclusivos, inclusive por se tratarem de ambientações diferentes. Tipo, ou você tá no Velho Oeste, ou num reino de fantasia, ou no submundo do crime de Nova York. Os três juntos (e mais todo o resto que eu mencionei no parágrafo anterior), simplesmente não tem como você juntar numa coisa só.

Exceto se o seu nome for Stephen King e o seu livro for de uma série chamada The Dark Tower, ou “A Torre Negra” em português.

Gunslinger

A saga, que começou no livro “O Pistoleiro” (The Gunslinger, de 1982), acompanha a históra de Roland, uma espécie de cowboy (com elementos de cavaleiro medieval) que vive em um mundo fantástico que é uma mistura de pós-apocalipse, Velho Oeste e fantasia medieval. Ele está em uma busca implacável pela infame Torre Negra, que dá nome à série, e cuja natureza não é bem compreendida ou explicada, mas que aparentemente é o centro do mundo de Roland. Ao longo de sua jornada, ele viaja ao nosso mundo em diversos pontos do século XX, recrutando por aqui uma série de companheiros para ajudá-lo em sua missão, da qual depende o futuro de todos os inúmeros universos que se intersecionam através da Torre Negra. Mutantes famintos, trens ensandecidos, ursos ciborgues, monstros interdimensionais, bruxas diabólicas, mafiosos, serial killers, fantasmas, pintores, gente com cabeça de fuinha, comediantes de stand-up e pessoas que usam pratos como armas são apenas uma pequena amostra do que aguarde quem ousar se aventurar nesse épico.

Já vejo você torcendo o nariz. “Lá vem esse maluco do Stephen King com suas ideias de jirico”, você pode estar pensando, “só que dessa vez ele pirou na batatinha mesmo”. OK, não vou contestar isso, é uma doideira do caramba mesmo… mas é uma doideira que faz sentido, que tem uma lógica toda sua, na qual clones do Dr. Destino jogando bolas de quadribol fazem todo o sentido. Realidade e ficção se misturam aqui o tempo todo, e é por isso mesmo que a saga da Torre Negra é um verdadeiro festival de referências a praticamente tudo o que você possa imaginar.

Cowboys vs. Robôs - mais um dia comum em Dark Tower

Cowboys vs. Robôs – mais um dia comum em Dark Tower

Começa pelo poema que dá nome à obra: Childe Roland à Torre Negra Chegou, escrito pelo poeta inglês Robert Browning em 1855, que conta a história medieval do cavaleiro Roland e sua busca pela tal Torre. (O poema é inspirado por uma fala da peça Rei Lear, de Shakespeare, que por sua vez inspirou-se em um conto de fadas medieval.) Vários elementos na série de Stephen King são tirados do poema, como a trombeta que Roland deve soar ao chegar à Torre, bem como o fato de ele ter um companheiro chamado Cuthbert. Mas o principal, claro, é a peregrinação do herói em direção à Torre Negra (tão pouco explicada no poema quanto nos livros), pela qual ele sacrifica praticamente tudo.

Entretanto, outra referência ainda mais presente é o mito do Rei Artur e as lendas associadas a ele, que dão forma a boa parte do mundo de Roland. Ele mesmo, sendo parte da família que governa o reino do Mundo Médio, é descendente de “Arthur Eld”, claramente uma versão do Rei Artur, que inclusive usava uma espada chamada Excalibur. Há também referências a Merlin, que inclusive aparece em alguns spin-offs (ainda que não na série principal), e até mesmo Mordred, filho bastardo do Rei Artur na mitologia, e que aqui aparece em outro contexto, mas com função semelhante.

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Há muitas referências mitológicas nos livros: a cidade natal de Roland, por exemplo, chama-se Gilead (nome de um lugar mencionado na Bíblia), há uma importante Batalha de Jericho Hill, também uma referência bíblica (Batalha de Jericó), e seu mundo é também conhecido como Mundo Médio (Mid-World), análogo à Midgard da mitologia nórdica, assim como à Terra-Média de Tolkien. Aliás, Stephen King menciona Senhor dos Anéis como uma de suas principais inspirações, e as obras de Tolkien são diretamente citadas várias vezes na série por personagens de nosso mundo.

Há coisas demais para falar em um artigo só; afinal, são sete livros bem grandinhos (além de um monte de material spin-off) abarrotados de referências culturais, tanto “pop” quanto clássicas, história, lendas, e principalmente a quase todas as outras obras de King. Por isso mesmo, continuo essa conversa no próximo artigo aqui no Nerd-Geek Feelings, sobre os livros e filmes que influenciaram a saga de Roland e seus amigos.

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