[LIVRO] Tronos e Ossos – Jornada no Gelo (Resenha)

O ímã, também chamado de magneto, é feito de um material ferromagnético que provoca um campo magnético à sua volta. Durante a minha infância eu aprendi que os lados opostos de um imã se atraem, e sempre aceitei isso como uma resposta padrão. Mas, enquanto lia Tronos e Ossos – Jornada no Gelo, a pergunta “por que lados opostos se atraem?” me veio a cabeça.

Mas a pergunta que vocês devem estar fazendo agora é: Do que esse cara tá falando? O que imãs têm haver com o livro?

Atualmente vivemos em uma sociedade em que questões sociais como preconceito, discriminação e igualdade vêm sendo debatidas com todo fervor. Nos tempos atuais é tão perigoso fazer piadas que envolvem humor pesado e esteriótipos, que os comediantes de stand-up entraram pra lista de espécies ameaçadas de extinção, tudo devido à destruição de seu ambiente natural pelos textões do Facebook. (É brincadeira, pessoal não escrevam textões sobre essa resenha)

Bem, o livro é ambientado em um mundo que remete às histórias dos vikings, mas com uma mitologia própria, que mistura elementos das mitologias nórdica e greco-romana. Por ser infanto-juvenil, ele aborda vários temas que refletem situações vividas por pessoas desses grupos, como: relacionamento com a família, responsabilidades e incertezas juvenis, auto-aceitação, mas fala principalmente sobre amizade.

Mas não é uma amizade comum. Essa amizade é como os polos opostos de um imã. Essa amizade imantada e improvável é formada pela dupla Thianna, uma garota meio-gigante, e Karn Korlundsson, um jovem gamer/fazendeiro. (E, sim, é possível ser gamer em uma época que remeta aos vikings. Você só precisa gostar de um jogo e ter parentes que peguem no seu pé por você gostar desse jogo)

Thianna é metade humana e metade gigante do gelo e, devido à sua metade gigante, a garota tem por volta de dois metros e meio de altura. Ela é bem jovem e apaixonada por esportes violentos, mas é desprezada por alguns de sua vila por ser baixa para os padrões dos gigantes. Por isso ela viveu a vida inteira desprezando seu lado humano. Thianna fica meio nervosa quando a chamam de baixa. Que ironia, ser baixo e ter mais de dois metros de altura.

Já Karn é um jovem rapaz viciado em um jogo de tabuleiro chamado Tronos e Ossos. Ele prefere usar a cabeça em vez dos músculos. Ele é filho de Korlundr, o hauld (chefe) de uma grande fazenda de Norrongard. Karn é herdeiro do posto de hauld, mas odeia a ideia de se ver trancado a uma fazenda a vida inteira. Seu sonho é explorar o mundo e deixar as terras frias de Norrongard para trás.

De tempos em tempos os gigantes de gelo do Platô de Gunnlod e os moradores da fazenda de Korlundr se reúnem para um evento que dura uma semana chamado de Baile dos Dragões, um festival/acampamento. Essa é a primeira vez que tanto Thianna quanto Karn participam do evento, e é lá que ele se encontram pela primeira vez.

No Baile dos Dragões os dois acabam se conhecendo. No começo eles sentiam uma desconfiança mutua um com relação ao outro. Mas depois de um pouco de esconde-esconde, e uma história horripilante sobre um rei tirano de séculos atrás, contada pelo irmão gêmeo do pai de Karn, os dois começam a se entender. Eles mal sabiam que ao final daquela semana a vida dos dois mudaria para sempre.

Resumindo, Karn é enganado pelo tio ao melhor estilo “O Rei Leão“, acaba sendo considerado responsável pela morte de seu pai, e tem que fugir enquanto é perseguido por três draugs (zumbis) enviados por Helltoppr, um capitão dracar que busca se libertar de sua maldição. Já Thianna acaba tendo que fugir de sua vila, que é atacada por guerreiras de uma terra distante, que buscam recuperar uma corneta mágica que a mãe da garota arriscou a vida para proteger.

Os dois acabam se reencontrando e, juntos, têm que combinar suas habilidades e conhecimentos para, no melhor estilo Bear Grylls, sobreviverem nas florestas geladas de Norrongard.

Karn e Thianna são opostos, eles pensam de forma diferente. Ela é gigante e impulsiva, o outro é pequeno e inteligente, e juntos fazem coisas que sozinhos não poderiam (e isso deixa uma boa mensagem para os leitores). Depois de passarem por algumas situações de vida ou morte, que envolve trolls, um dragão lendário, alguns Wyverns, e canoagem em um rio gelado só que sem uma canoa, Karn decide voltar para se defender da acusação do seu tio e enfrentar seu destino.

Mesmo hesitante, Thianna decide voltar com o amigo, mas eles acabam sendo pegos e separados por seus perseguidores, que formam uma aliança para captura-los. Cada um tem que travar sua batalha pessoal. Thianna, que já sabe o que a corneta faz, tem que enfrentar Sydia para protege-la. E Karn tem enfrentar que Helltoppr e… nada. Meu exemplar de Tronos e Ossos – Jornada no Gelo veio com nove páginas faltando, justo no clímax da historia, justo nessa parte.

Uns ficariam desapontados, tristes, com raiva e abandonariam o livro, mas eu precisava terminar a leitura, saber como o que estava acontecendo com os dois e como eles fariam pra sai daquela situação. Então eu fiz o que qualquer um faria: mandei uma mensagem pro autor do livro, o americano Lou Anders, perguntando o que acontecia naquela parte da história, e ele respondeu.

Lou me disse o que acontece, mas eu não vou contar o que foi. Não vou estragar a surpresa de vocês. Eu também conversei com ele um pouco sobre os personagens, sobre como suas diferenças despertam neles o que eles têm melhor na hora dos problemas. Ai eu volto para a questão do imã: “por que lados opostos se atraem?”

Os lados opostos se atraem por que o novo, o diferente, e até mesmo o estranho, nos cativam mais do que nosso reflexo. Afinal, eu não conheço ninguém que é apaixonado pela própria imagem, exceto esses dois ai embaixo:

Mas o ponto de vista em que eu quero chegar é o seguinte: se uma meio-gigante e um humano podem se dar bem, por que não tentar o mesmo? Então ai vai minha recomendação: leiam Tronos e Ossos – Jornada no gelo e sejam mais como os imãs!


Jangada

Brochura

21 x 14,6 x 2,2 cm

344 páginas

Disponível nas seguintes livrarias:

Amazon

Saraiva

Submarino