[LIVRO] The Beauty of Darkness, de Mary E. Pearson (resenha)

Breve retrospectiva: No livro anterior da série Crônicas de amor e ódio, escrito pela autora Mary E. Pearson e publicado pela editora DarkSide, a princesa Arabella luta para sobreviver na corte de Venda, tendo apenas a promessa de Rafe, príncipe de Dalbreck, como facho de esperança para fugir dali. Entre jogos de poder e revelações de espíritos da crença ancestral nos escuros e misteriosos corredores de Venda. 

Sua estadia como prisioneira foi um verdadeiro batismo para que a ingênua e idealista moça se tornasse uma mulher astuta e brava guerreira. Não seria exagero compará-la às amazonas, ferozes mulheres de Ânimo Viril da mitologia grega.

Enredo: O terceiro livro se inicia logo após Lia ferir mortalmente Komizar. A princesa consegue escapar de Venda realizando o plano de Rafe e seus fieis guerreiros: Sven, Jeb, Tavish e Orrin. Entretanto, Kaden, o assassino apaixonado pela princesa, continua em seu encalço atravessando o inverno rigoroso para capturá-la. Ele não está mais dividido entre o dever para com Komisar e seu afeto por Lia. Aparentemente, Kaden optou pelo caminho de seu amor.

Não demora para que a relação da protagonista com Rafe comece a se conturbar, já que o príncipe não permite que ela avise o reinado de Morrighan sobre os planos de Venda invadi-la com seu terrível exército, além da existência de traidores dentro da própria corte de sua terra natal. Sendo um soldado treinado e um líder preparado para a guerra, Rafe está ciente dos perigos que envolvem o retorno da princesa, e resiste aos intentos da heroína. A super-proteção de Rafe faz com que Lia se sinta prisioneira no posto avançado dalbreckiano.

Crítica: A situação da princesa é angustiante, o que pode resultar protestos por parte de leitores, que esperam uma atitude revolucionária instantânea por parte dela. Entretanto, a autora soube explorar o realismo de sua situação, não se dobrando a expectativa ideal de nosso tempo. Há muito mais que a liberdade individual e o orgulho em risco, e a condição de Lia é bem explícita: ela está no meio de uma guerra, e não em mais um jogo de cartas que facilmente venceria, como aconteceu na corte de Komisar. Os leitores que esperam uma atitude veemente de Lia, como foi no primeiro livro, podem se decepcionar com as primeiras duzentas e poucas páginas. Todavia, compreendi que certo comedimento e até passividade da personagem, se comparados ao segundo volume, se deu por um elemento que pode parecer tolo para nós, mas que é totalmente verossímil: o amor que ela sente por Rafe. Acredite, amigo. Isso pode irritar o leitor, mas a situação de Lia se torna bastante coerente para alguém que olha com atenção para a história como para um espelho.

Apesar de eu esperar que a mitologia fosse explorada um pouco mais, me senti satisfeito com Beauty of Darkness. Sinceramente, espero que haja mais obras ambientadas nesse universo. Em especial, gostei por ser, em síntese, uma história sobre uma garota que procura seu próprio caminho, mas se choca com a realidade, e no fim das contas o único caminho que deve seguir são os passos da verdade, traduzida aqui como os antigos escritos mitológicos, ora históricos, ora proféticos, que revelam aos poucos a trilha que a princesa Arabella deve confrontar: o inexorável destino do herói.


DarkSide Books

Tradução: Ana Death Duarte

Capa dura

23,6 x 16 x 3,4 cm

576 páginas

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