[LIVRO] “STAR WARS: CANALHAS”, de Timothy Zahn (resenha).

Escrito pelo homem que praticamente definiu o Universo Expandido de Star Wars, Canalhas, de Timothy Zahn, foi uma grata surpresa que o Nerd Geek Feelings recebeu da Editora Aleph. Com mais de 10 livros de STAR WARS publicados, Zahn foi um dos pioneiros, e ainda figura entre os principais autores do Universo Expandido da saga, ajudando STAR WARS a se tornar uma hidra multi-dirigida nas várias mídias existentes.

SINOPSE:

Após ajudar a Aliança Rebelde na ousada missão de destruir a Estrela da Morte, Han Solo conseguiu o que queria: uma farta recompensa, capaz de pagar sua dívida com Jabba, o Hutt. Mas um imprevisto o fez perder todos os créditos, e agora Han está de novo na mira do vilão de Tatooine. Com estratégias e contatos, ele planeja se livrar da dívida de uma vez por todas ao aceitar um trabalho quase suicida, que envolve se infiltrar em uma fortaleza e roubar os cofres da Sol Negro, a maior organização criminosa da galáxia.

Esse é um trabalho para especialistas… ou para loucos. É por isso que Solo reúne uma equipe de ladrões que revelam ser um pouco dos dois. Entre eles estão um especialista em eletrônica, um batedor de carteiras, ladrões e ladras especializados, o indispensável copiloto e contrabandista Chewbacca e o sagaz Lando Calrissian – que se junta à equipe após um mal-entendido e contra a vontade de Han Solo, mas que fará sua parte indispensável nesse grande roubo.

Definido entre os eventos de Star Wars – Uma Nova EsperançaO Império Contra-AtacaStar Wars – Canalhas  assume no universo de Star Wars de Zahn, o clássico subgênero de assalto em equipe (alguém disse Onze Homens e um Segredo?) . Liderados por Han Solo, Chewbacca e Lando Calrissian, os protagonistas de Zahn juntam seus “talentos” para invadir a propriedade do chefe do setor local, que responde ao poderoso sindicato criminoso conhecido como, Sol Negro.

— A vida é uma aposta —frisou Dayja enquanto apertava botões para pedir algo que fosse rápido de preparar e igualmente rápido de comer. — Trabalho de espionagem é ainda mais. Não se preocupe, vai dar certo.”

A história se passa nos primeiros meses após a destruição da Estrela da Morte, enquanto Han e Chewie estão tentando encontrar os créditos para pagar sua dívida com Jabba, o Hutt.  Han Solo ainda não é um rebelde, ele está tentando limpar a recompensa por sua cabeça, e o trabalho perfeito cai bem em seu colo. Mas Han é um contrabandista, e não um vigarista. E para realizar tal trabalho ele se vê na missão de reunir uma equipe de especialistas especiais, que realizarão um dos maiores assaltos da história galáctica.

“Lando refletia que havia ocasiões em que a pessoa estava em desvantagem numérica e de armas, com todas as saídas bloqueadas e uma mão perdedora. Em situações como essa, só havia uma opção.

Blefar.”

O grupo reunido é uma gangue divertida, que tem muito mais coração entre eles do que deveria em suas respectivas linhas de trabalho. Fora os membros da Trilogia Original – apenas Han, Chewie e Lando – toda a gama de novos personagens eram desconhecidos para mim. E foram completamente fascinantes de se conhecer. Há o ladrão de naves Dozer, o especialista em explosivos Kell, a ladra fantasma Blink e sua assistente relutante/irmã gêmea especialista em eletrônica, Tavia. A misteriosa e reservada Winter, com uma memória eidética de fazer inveja a Sheldon Cooper. O balosariano Zerba, mágico e batedor de carteiras. E para finalizar o elo de ligação entre todos eles, a hacker (que pratica a arte de viver perigosamente, apenas por prazer) Rachele. Claro, alguns rebeldes se envolvem, assim como um agente da Inteligência Imperial, além dos intrigantes Fallens e seu poderoso poder de persuasão. Cada um dos novos personagens também tem sua própria história. Alguns ganham mais linhas do que outros, mas todos são críveis, todos eles vivem, respiram e contribuem exclusivamente para o grupo.

“Coragem não era uma questão de passar por cima de uma montanha em um pulo só. Coragem era dar um passo de cada vez, fazer o que fosse necessário no momento certo, se preparar para o próximo passo e se recusar a preocupar-se se algum passo no futuro fosse aquele que acabaria com ele.”

A história entre Han e Lando é um caso à parte. A amizade confusa entre os dois está no coração do livro. Ou melhor, Han está preocupado que a amizade deles não seja mais uma amizade. Lando é um dos personagens que melhor trabalha o lado jocoso da aventura. Seu jeito de levar quase todos os atos como se estivesse em uma mesa de sabacc rende boas gargalhadas.

— Obrigado — disse Zerba ofegante e fez uma cara feia para Han — Nunca mais faça isso.

 — Que parte? — perguntou Han — Afastar os bandidos de você a tiros ou salvar sua vida?

Zerba ponderou.

— Ok, faz sentido…”

Han se preocupa muito com as pessoas, como podemos ver enquanto ele trabalha para manter sua equipe acima da linha de risco de serem apanhados. Má qualidade para qualquer tipo de mercenário. A maneira como seus pensamentos continuam voltando para a princesa que ele acabou de conhecer prepara o terreno para tudo o que acontece no Império e além.

Tanto a equipe de assalto quanto os membros de suas várias forças opostas são tantos, em número e papel, que seria fácil perder a noção de quem eles eram, ou qual o seu papel na equipe, como o ladrão de naves ou o batedor especialista em prestidigitação. Porém, Zahn sabe contar uma história tão primorosa, que te muda de local e te arremessa em outros, de uma forma tão eficaz, que eu nunca me encontrei voltando, ou relendo alguma página para algum esclarecimento duvidoso.

Já disseram que há apenas três certezas na vida: a morte, os impostos e a bebida ruim. Mas, ao cruzar as dependências de Marblewood, Lando decidiu que poderia adicionar uma quarta certeza à lista. Quando se anda com um Wookie, as pessoas saem do caminho.”

Em Canalhas conhecemos Wukkar, um novo planeta com novos costumes, e o vemos durante o período mais interessante de seu ano. O Festival das Quatro Honrarias está sendo celebrado, proporcionando um pano de fundo louco, caótico e colorido para o assalto. A combinação de um roubo de alta tecnologia com este festival em honra ao ar, pedra, água e fogo, que tem mais uma sensação de semana do carnaval, contribuiu definitivamente para a qualidade da história.

“E o Falleen tinha feito isso simplesmente sorrindo, perguntando com educação e enchendo os pulmões de Dozer com veneno bioquímico.”

O livro poderia ser facilmente apreciado pelo leitor casual. Você nem precisa ver os filmes para entender, embora alguns dos momentos mais significativos possam perder algum sentido. Mas, para os fãs dos romances do Universo criado por George Lucas, principalmente os do Universo Expandido, há muito mais para se roer. Você verá rostos familiares que não esperava, reconhecerá retornos ao passado de Han, e se divertirá assistindo ao Sol Negro operando em lugares onde os olhos aguçados do Príncipe Xizor, podem estar embaçados.

— Como ele espera saber o que Villachor está ou não fazendo? — murmurou ela.

Dozer deu de ombros.

— É Han — disse ele, como se aquela fosse toda a explicação de que Winter precisasse.”

Após o plot twist final (eu estou lutando com toda a minha força contra o meu impulso de lhes dar um baita spoiler), ainda nos foi reservada uma revelação formidável.

Canalhas foi muito fácil de se apreciar. Creio eu que foi pelo meu apreço por aventuras que envolvem Foras da Lei “honrados”.  No universo de Star Wars, que agora abrange milhares de gerações e sete eras distintas de histórias, cada uma com seu próprio conjunto de arcos de histórias épicas e personagens imensos, Canalhas oferece uma peça de ação e aventura direta e autocontida. Sim, existem referências a personagens, lugares e eventos na luta entre os Rebeldes e o Império, mas, na maior parte do tempo, sabemos que os princípios não são um perigo real, e que não há consequências diretas para toda a galáxia. Digamos que é apenas um jogo perigoso e divertido de sabacc.


Aleph

Tradução: André Gordirro

Capa comum

Brochura

2,30 x 23 x 16 cm

437 páginas

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