[LIVRO] Social Killers – Amigos Virtuais, Assassinos Reais (resenha)

Pra quem acompanha minhas análises cinematográficas provavelmente já se deparou com algum texto meu onde eu deixei claro o meu interesse por assassinos (como o de ontem, sobre o filme Maníaco, por exemplo, que inclusive tem duas vítimas que o assassino conheceu pela internet). Não é nada como inspiração ou idolatração, apenas uma curiosidade imensa em entender as causas que levam alguém a matar outra pessoa.

Então, quando a DarkSide Books iniciou a coleção Crime Scene eu simplesmente surtei. E embora esta coleção já tenha começado há algum tempo, só agora eu tive a oportunidade de ler um título integralmente.

De todo esse meio de assassinos, os que mais me interessam são os serial killers, mas confesso que os social killers me deixaram um tanto quanto curiosa, o que me fez, mesmo sem muito tempo disponível, terminar o livro em cerca de quatro dias.

social killers amigos virtuais assassinos reais darkside books (1)Mas deixando de lado toda essa minha curiosidade bizarra nessas coisas, vamos para o livro, que é o que realmente interessa.

Assim como todos os outros títulos da DarkSide Books, em Social Killers – Amigos Virtuais, Assassinos Reais você se encanta pelo livro assim que o pega. Com uma capa dura, e de fundo cromado, eventualmente tem-se a sensação de estar olhando para uma tela de computador ou algo assim, devido a uma “setinha” brilhantemente colocada no centro da capa. Ainda conta com diversos QR Codes que remetem a imagens sobre os casos (fotos dos assassinos, recortes de jornais, cenas dos crimes).

Ao abrir o livro, e iniciar a leitura, você nota que, nesse caso, não há problema nenhum em julgar o livro pela capa. Não é apenas o visual que é incrível. O conteúdo também é surpreendente!

Então falemos sobre o conteúdo.

Já de início os autores RJ Parker e JJ Slate deixam claro o tipo de relatos que vocês encontrarão ao longo do livro: assassinato, sequestro, canibalismo e suicídio. E embora não tenha apenas isso, é um aviso para a galera sensível largar o livro. Por mais que infelizmente as atrocidades não sejam descritas minuciosamente, por vezes encontram-se assuntos nada agradáveis, como os citados anteriormente.

O livro resume-se a 33 casos REAIS de assassinos que, por meio da internet, buscaram e atraíram suas vítimas.

Mas assim como os autores fizeram, vale ressaltar que não foi somente com a internet que assassinos usaram meios de comunicação para conquistar suas vítimas. Antes dos casos envolvendo a internet, são descritos 3 casos desse feitio, que se deram através de anúncios em jornais.

Então, antes de qualquer coisa, não achem que é tudo culpa da internet, porque matar gente é bem mais antigo que isso!

Armin-Meiwes-Social-Killers-DarkSide

Armin Meiwes

Após a rápida e leve introdução, iniciam-se os casos.

O primeiro parece que foi colocado como porta de entrada para testar a capacidade dos leitores de continuarem lendo o livro. Logo de cara você se depara com canibalismo, onde Bernd-Jürgen Brandes teve seu pênis cortado, frito (porque a carne crua era meio borrachuda) com alho, sal, pimenta e um pouco de gordura de Bernd. E sabe o que é pior? A vítima tava acordada, e super a fim de experimentar o prato da noite!

A internet tem facilitado enormemente certas tarefas do dia a dia. Com apenas alguns cliques, por exemplo, você pode comprar roupas, alimentos e mandar entregar uma refeição na porta da sua casa. Armin Meiwes usava a internet para encomendar um tipo incomum de comida: carne humana!

Página 21

Sim. Pois é, foi isso mesmo que você leu. E sim, isso aconteceu realmente. Todos os casos realmente aconteceram. E tem mais coisa bizarra pela frente, que deixo para sua própria conta e risco descobrir!

Mas não é só assuntos nojentos como esse que te deixarão abismado (a). As pessoas conseguem ser bem mais doentias do que isso.

E as motivações são diversas: vingança, ciúmes, amor (?), ou simplesmente para saber como que é matar alguém.

Além disso, é quase que inevitável encontrar diversos transtornos e distúrbios psicológicos, uma vez que estamos falando de assassinos (embora muitos sejam perfeitamente saudáveis física e mentalmente).

Lacey-Spears-Social-Killers-DarkSide

Lacey Spears

Dentre esses transtornos, um que achei bem curioso (e triste) foi a síndrome de Münchhausen “por procuração” (by proxy), citado no caso de Lacey Spears, onde um dos pais produz de forma intencional sintomas em seu filho para conseguir atenção.

Há ainda muitos outros casos deste gênero, que você só saberá se ler por conta própria. Mas qual o intuito de tudo isso?

Lembrar que pessoas do mundo virtual nem sempre são o que parecem ser!

Se por muitas vezes, no mundo real, as pessoas já escondem seus sentimentos e personalidades, por que não fariam isso no mundo virtual, onde podem ainda contar com a ajuda do anonimato?

Em diversos casos relatados de Social Killers, ou até mesmo em noticiários atuais, encontram-se diversos crimes em que um indivíduo fingiu ser outra pessoa – às vezes chega até a usar a identidade de alguém que já existe ou existiu –, com outro sexo, outra idade, outra profissão, ou até mesmo alguém que omitiu detalhes sórdidos de sua intensa personalidade.

Muitos desses casos remetem diretamente a pedofilia. Mas não são só crianças que são enganadas por essas pessoas de má índole.

Adultos são frequentemente ludibriados na internet. Só não gostam de aceitar, ou de assumir. Ainda mais em uma sociedade em que sente-se a necessidade de mostrar de tudo para todos, onde o indivíduo precisa postar em suas redes sociais o que gosta, não gosta, faz ou deixa de fazer. A qualquer momento pode aparecer alguém mal intencionado fingindo ser alguém que não é, que se adeque a todos os seus gostos, mas que na verdade só está fingindo para poder te agradar. Para de atrair.

Os sites de mídia social tornam-se uma espécie de arena pública, onde aqueles em busca de atenção podem cativar uma ampla audiência solidária às suas dores. Se o que esses indivíduos querem é atenção, decerto encontrarão vastas quantidades de diligentes simpatizantes através das avenidas virtuais.

Página 173

De forma geral, a obra te alerta para todos os perigos que você pode correr ao confiar em alguém na internet, que na verdade você nem conhece direito. E por mais que a maioria dos riscos possa ser evitada, alguns são irreversíveis, como a morte.social killers amigos virtuais assassinos reais darkside books (2)

A maioria dos assassinatos do livro decorreu de encontros marcados através da internet, onde a vítima nunca tivera nem visto o assassino pessoalmente.

Porém, nem só de coisas ruins vive a internet. Além de, é claro, dar muita praticidade para nossas vidas, da mesma forma que criminosos conseguem informações sobre as vítimas, por diversas vezes ela levou as autoridades até os criminosos! Ainda mais por terem acessos restritos que a maioria de nós não tem. E também pelos criminosos também serem humanos, e também estarem suscetíveis a vaidade e a falhas (como o ladrão que postou foto das joias roubadas no Facebook).

Então, como proceder na internet?

A primeira medida a ser adotada, talvez, é educar a nós mesmos. Dizem que antes de conquistar e manter qualquer coisa sob seu domínio é necessário compreendê-la. Essa é uma maneira elegante de dizer que, para se manter seguro na internet, você precisa primeiro saber o que ela é e como fazê-la funcionar a seu favor, não contra você.

Página 252

Mais do que somente relatar casos de social killers, o livro chama a sua atenção para a enorme possibilidade desse tipo de coisa acontecer próximo a você, ou até mesmo com você. Não seja estúpido o suficiente em achar que isso não aconteceria com você, porque pode sim. A qualquer momento. Talvez muitos desses casos poderiam ser evitados se as vítimas tivessem um pouquinho mais de cuidado quanto aos seus envolvimentos virtuais com pessoas desconhecidas.

Obviamente não estou culpando a vítima. Em todo e qualquer caso, a culpa NUNCA é da vítima. Mas alguns cuidados poderiam tê-las tirado dos caminhos desses assassinos.

E pode te tirar também!

Ao final do livro os autores indicam medidas preventivas para evitar esses e outros tipos de transtornos na internet (como fraudes).

Definitivamente é algo que você deve ler, embora algumas cenas sejam um tanto quanto desconfortáveis de se imaginar.

Mas, por mais pesados que os casos sejam, você simplesmente não consegue parar de lê-los. A curiosidade fala alto e, com a ajuda da objetividade de escrita dos autores, em nenhum momento você fica entediado ou cansado pela leitura. Também o tradutor, Lucas Magdiel, deve ser parabenizado pelo trabalho, tanto pela tradução, quanto pelas notas. E é claro, também a DarkSide Books, que trouxe esse título magnífico, em um ótimo formato.

nota-5

Sem sombra de dúvidas é algo que eu manterei para sempre em minha estante, e que recomendo para qualquer um que se interesse o mínimo por esse tipo de assunto!

Você realmente conhece todas aquelas pessoas listadas como seus amigos? Se o velho ditado “quem vê cara não vê coração” for mesmo verdade, o que se pode dizer sobre todos aqueles avatares sorridentes que você adicionou? […] Stalkers, predadores sexuais, assassinos, canibais, torturadores. A lista [de criminosos], infelizmente, não é pequena. E novas solicitações de amizade continuam chegando a cada dia.


social killers amigos virtuais assassinos reais darkside books (1)Capa dura: 272 páginas

Editora: Darkside (20 de julho de 2015)

Idioma: Português

ISBN-10: 8566636457

ISBN-13: 978-8566636451

Dimensões do produto: 23,4 x 16,2 x 2,2 cm

Disponível nas seguintes livrarias: Amazon, Americanas, Submarino