[LIVRO] Só Os Animais Salvam, de Ceridwen Dovey (Resenha)

Me apaixonei por uma tartaruga inteligente. A sapiosexualidade tem dessas coisas. ><

Algumas pessoas já devem ter parado para imaginar o que habita a mente de seus pets diante de certa situação. “Meu cachorro está olhando as estrelas pensando em amores perdidos?” Certo, talvez não esse tipo de pensamento, mas por que não?

Não é segredo para quem me conhece que as grandes guerras sempre me causaram grande interesse, a maneira como nos afetou permanentemente. Nunca prestei atenção aos ratos nas trincheiras.

Viver é difícil já desde o nascimento, nascer em tempos de guerra é um teste de resistência. Mas que sobreviver é um milagre. Só Os Animais Salvam é uma sucessão de contos sob o olhar desses seres que passam tão despercebidos em suas emoções por nós. As guerras de nossa história, vistas por eles, vividas por eles, mostram um pouco do contexto social e psicológico das pessoas e de si próprios, desde o nazismo ao Iraque caótico. Não se enganem, não se trata de nós, apesar de tudo, e eles estão mortos sim. Mas este livro não trata de morte. A vida, na verdade, ganha ângulos curiosos quando vista pelos olhos de criaturas tão parecidas conosco e muitas vezes melhores que nós até.

Nas trincheiras francesas, uma gata esquecida passa os dias rememorando sua vida parisiense entre cafés e carinhos de sua dona. Ser a razão da felicidade de alguém é reconfortante. Do seu lado homens acordam, dormem e morrem. Sem as sete vidas.

Uma invejável tartaruga compartilhou a solidão das grandes mentes, foi inspiração e consolo de escritores e eremitas, a parte sã que muitas vezes necessitavam. Almejou o espaço e o alcançou. Aprendeu a não julgar, como só aquele que tem consciência de suas próprias falhas poderia. Morreu plena em sua solidão.

Todas as mães são iguais, uma elefanta africana lutou até o fim  de suas forças para salvar sua filha dos perigos convidativos do mundo, e do anseio de por ele ser reconhecida, lembrada entre as estrelas.

Um golfinho fêmea militar é um assassino e um suicida.

Comecei a ler imaginando relatos apurados de como era a vida nos campos de concentração, da dureza dos líderes ou do sofrimento dos menores. Eu pensei como humana, a princípio. Mas estas pequenas fábulas não tratam de nós, embora muitas vezes tenha visto nuanças minhas, e de tantas outras pessoas do meu convívio, em algumas dessas criaturas. O cachorro que amava o Führer amou o homem. É que a gente ama até os defeitos. O mexilhão que queria farrar e foder a vida toda não é diferente de… de… de… bom, existe um universo curioso em cada mente. Tive o prazer de curiar alguns aqui.


DarkSide Books

Capa dura

21,2 x 14,4 x 2 cm

240 páginas

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Cultura