[LIVRO] Prince of Thorns, o começo da Trilogia dos Espinhos de Mark Lawrence.

Prince of Thorns (Príncipe dos Espinhos, em tradução livre) é uma Dark Fantasy escrita por Mark Lawrence e publicada no Brasil pela Darkside Books.

Dark Fantasy é um sub-gênero da fantasia em que temas mais sombrios e assustadores são incorporados à fantasia, uma mistura desta com horror. Obras como O Labirinto do Fauno, Game of Thrones, Indiana Jones e o Templo da Perdição (é Dark Fantasy sim, tem rituais e arrancam o coração do cara) e Os Senhores dos Dinossauros são exemplos desse sub-gênero.

Em Prince of Thorns acompanhamos a jornada nada ortodoxa de Honório Jorg Ancrath, príncipe de Ancrath. Jorg viu a mãe e o irmão serem mortos enquanto estava imobilizado por um arbusto de roseira-brava, o que lhe rendeu cicatrizes geradas por cortes que chegaram até os ossos, por todo o corpo, semanas de febre e uma infância interrompida pelo desejo da vingança. Quando isso aconteceu, Jorg tinha apenas nove anos. Aos dez já havia fugido do castelo com um grupo de prisioneiros atrás de vingança. Aos quatorze já era o líder do grupo, já havia matado, estuprado, saqueado, queimado vilas inteiras, e prometido que aos quinze seria rei.

Um Protagonista Violento em um Mundo Conhecido

Jorg reconhece que seus atos são violentos, mas ele não se importa; Não se importar com nada e ninguém é a melhor forma de se preservar, já que as únicas pessoas com quem ele se importou, morreram ou venderam o perdão ao assassino por ouro, cavalos e uma rota de comercio fluvial. Para o príncipe é tudo um jogo, e as pessoas são apenas peões a serem sacrificados por uma causa que desconhecem. Palavras como podridão, sangue, cadáver, merda e pus dançam pelas páginas, transmitindo uma essência de um personagem na forma de uma narrativa em primeira pessoa cruel e niilista.

Esse mundo medieval, com magos necromantes, fantasmas e leucrotras deixa de ser medieval quando se presta atenção aos detalhes, A Noite dos Mil Sois, Os Construtores, menções a Sun Tzu, Shakespeare e a filósofos gregos. Esse não é um mundo de fantasia medieval, é o nosso mundo no futuro depois de um conflito onde mil sois nucleares destruíram a sociedade, criando pessoas com habilidades “mágicas” e monstros deformados. Os sobreviventes desse desastre vivem no Império Destruído, regrediram a Idade das Trevas onde é escuro, existem manipulações em todas as partes e as pessoas morrem por nada ou menos.

Mark Lawrence vende a luta de Jorg através do carisma do personagem, e pela forma como ele lidera sua irmandade de mercenários, personagens tão carismáticos quanto o protagonista: Rike, um homem grande violento e ganancioso; o Nubano, o homem negro de terras distantes; Makin, um espadachim fabuloso com traços de nobreza; Burlow, o Gordo; Elban, um velho sem dentes; o Mentiroso; o Algazarra; todos personagens bons de se ler, mas que você rezaria para nunca encontrar pessoalmente. Mas não se culpe por sentir empatia por eles, não há heróis idealizados nesse mundo, nenhum Harry, Percy ou Fletcher lutando por uma causa nobre.

Indo além da sinopse, a história começa com Jorg incendiando uma vila, assustando os mortos, matando um irmão mercenário que irritou ele, e resgatando um padre, tudo e para matar homens que incendiaram outra vila e voltar a Ancrath. É difícil entender as verdadeiras motivações do príncipe, afinal Conde Renar, tio de Jorg e responsável pelo atentado que tirou a vida de sua mãe e seu irmão, ainda respira, as ações do protagonista só começam a fazer sentido pra história se pensarmos nele apenas como um conquistador.. Mas no começo do 3° ato há uma reviravolta, que dá outro significado a todas as ações Jorg até então, mudando completamente o final da historia.

O Sorriso Sádico Por Debaixo do Seu Rosto

Prince of Thorns é uma ótima oportunidade de extravasar o sadismo. Afinal, é possível se colocar no lugar do protagonista e refletir sobre seus atos. Jorg está no caminho certo para se tornar um psicopata. Ele só não é um psicopata porque existe uma motivação para seus atos. Ainda assim, ele não sente remorso.

Se coloque não lugar de Jorg: uma criança que viu sua infância morrer junto com sua família e ficou marcada pelos espinhos para que nunca esquecesse, e sobreviveu nas ruínas do nosso mundo ao lado de assassinos e estupradores. Se depois disso se imaginar como o gladiador dourado da integridade, você terá provado que eu preciso de ajuda psiquiátrica. Mas, se houver um sorriso digno do Coringa debaixo da sua fantasia de humano chamada pele, então, acho que nós dois precisamos nos consultar.

Ao terminar a leitura, durante algumas reflexões para escrever essa resenha, eu me lembrei do final de Se7en, onde o Detetive Willian cita Ernest Hemingway:

Pensei nisso porque Jorg é a encarnação dessa cena, ele luta pelo mundo mas não por ele, o mundo deixou de ser um lugar bom. E essa batalha ainda não terminou, ou essa não seria Trilogia dos Espinhos. Jorg prometeu ser imperador até os vinte.

Prince of Thorns é uma fantasia sombria pós-apocalítica que te prende pelo carisma dos personagens, pelas batalhas sangrentas e principalmente pelo protagonista que “eu não acredito que ele só tem 14 anos”.


DarkSide Books

Capa Dura

23,4 x 16,2 x 2,8 cm

360 páginas

Compre aqui