[LIVRO] O Pequeno Príncipe versão Turma da Mônica – Um banho de delicadeza.

Não é difícil saber que esse site está repleto da obra-prima de Antoine de Saint Exuperý, O Pequeno Príncipe – e que seja dúbia essa frase com todo força, amém.

Não é por acaso. Por mais que gosto seja um quesito ou construto muito pessoal, que depende menos de nós do que do ambiente em que vivemos e das influências que temos, ler O Pequeno Príncipe e não sentir qualquer coisa apertar o coração é difícil.

Exupéry conta no singelo livreto, mais de sua vida do que a maioria das pessoas imagina, dando à narrativa autobiográfica toda a roupagem de uma história de crianças que na verdade não foi feita para crianças, como ele mesmo justifica, ao dedicar o livro ao amigo exilado, Leon Werth.

“Quando o mistério é muito grande, a gente não questiona”

Eis que, distraidamente, eu que procuro me manter sempre muito informada sobre todas as publicações acerca do Pequeno Príncipe, dada a grande paixão por esse romance riquíssimo em tanta simplicidade, deparei-me com um exemplar LINDO com a história do Principezinho contada fielmente. Só que com um detalhe impossível de ignorar: As ilustrações eram todas feitas aos moldes da MSP (Maurício de Sousa Produções).
Sou particularmente xiita com tudo o que se trata de “O Pequeno Príncipe“. Tenho problemas para aceitar artes alternativas, adaptações cinematográficas e foi realmente uma raridade para mim conseguir gostar da produção de Cinema de 2015 da Paris Filmes – Ficou muito bem feita, acredito.

Normalmente, minha reação é torcer mesmo o nariz a qualquer coisa que não sejam as aquarelas do próprio “Zé Perry”, suas palavras, suas colocações, seu jeitinho de fazer todas as coisas.

Mas confesso sem medo que essa edição me fisgou pelo coração e amarrou-se em um nó na minha garganta.

Na história, vemos personagens conhecidos colocados quase teatralmente nos papéis dos personagens do romance clássico: Cebolinha é o Príncipe, Maurício de Sousa é o Aviador (claro… é o autor), Mônica é a Rosa, e por aí vamos. A raposinha é criaturinha nova e linda, adorável, cativante.

Um ponto para o qual os leitores mais sensíveis podem atentar é, certamente, o carinho com que esse livro (sim é um livro, não uma HQ) foi produzido. Não se trata apenas da fidelidade à obra original.

O cuidado e a delicadeza derramados em cada página, seja em forma de ricas nuances, seja na inocência que toma o enredo com uma atmosfera expressa muito fortemente nos olhares do nosso príncipe de cabelos espetados, faz com que cheguemos à conclusão de que, de fato, quem fez essa adaptação tinha uma paixão de infância muito grande pelo menino apaixonado pela rosa.

Cada ilustração pintada em mil tons diferentes para dar o tom certo das coisas que não se apagam da memória, a luz que invade as sombras da noite, as sombras que se fazem necessárias na luz ofuscante do Saara, quando o menino está na Terra e não em seu planetinha combatendo Baobás (Meninos, cuidado com os Baobás!).

Cada movimento de um tecido, cada sorriso ou olhar de saudade…

É a primeira vez que vejo algo redesenhado do Petit que consegue manter o nível de doçura e sensibilidade. Tão frágil e belo quanto uma Rosa que só tem seus quatro espinhos para se proteger.
Parabéns, MSP.


Girassol

Tradução e adaptação Leila Villas

Ilustrações: José Márcio Nicolosi

Capa dura

27,6 x 20,8 x 2,2 cm

80 páginas

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