[LIVRO] O Nome do Vento: Um dos melhores livros que você leu/lerá na vida

Salutations, people, robots and cats!

Não sou uma nerd, não, se você considerar que nunca vi Star Wars ou Star Trek e nem zerei Mario. Seriously. É, pois é! E o que fará você me levar a sério, apesar de não ser o que esperavas? Bem, aceite que a vida e as pessoas decepcionam e vem comigo falar sobre um dos melhores livros escritos nos últimos tempos! Ah, leio desde que aprendi a fazer isso aos 5 anos, então confie neste ser que pode não entender de games, mas de livros, ah, meu caro nerd pimpão e minha bela sedutora, falas com a pessoa certa!

[som de teletubbies ao fundo] “Hey, estou tentando fazer alguém me levar a sério aqui e você me põe teletubbies?” Opa, o cara do som está realmente vendo isso. Quando falo que as pessoas desapontam… Bem, vamos logo ao que interessa: o primeiro livro da Crônica do Matador do Rei – O Nome do Vento! [só Matador do Rei já é para mexer com sua criança interior].

Escrito pelo americano cabeludo Patrick Rothfuss, O Nome do Vento traz vingança, magia, moças estonteantes, seres sinistros, uma universidade e um cara ruivo de costas na capa!

1280x960

A história gira em torno deste rapaz com os cabelos da cor da chama. Deixemos que o mesmo se apresente:

“Meu nome é Kvothe, com pronúncia semelhante à de ‘Kuouth’. Os nomes são importantes, porque dizem muito sobre as pessoas. Já tive mais nomes do que alguém tem o direito de possuir. Meu primeiro mentor me chamava de E’lir, porque eu era inteligente e sabia disso. Minha primeira amada de verdade me chamava de Duleitor, porque gostava desse som. Já fui chamado de Umbroso, Dedo-Leve e Seis-Cordas. Fui chamado de Kvothe, o Sem-Sangue; Kvothe, o Arcano; e Kvothe, o Matador do Rei. Mereci esses nomes. Comprei e paguei por eles. Mas fui criado como Kvothe. Uma vez meu pai me disse que isso significava ‘saber’. Fui chamado de muitas outras coisas, é claro. Grosseiras, na maioria, embora pouquíssimas não tenham sido merecidas.”

E este é o protagonista dessa história que se passa em um universo fictício: a Civilização dos Quatro-Cantos onde, dependendo da cidade, você pode lidar com demônios, trapentos, encantados e até seres humanos. Pasmem!

mapa nome do vento

O negócio é o seguinte: Kvothe tem um cérebro fudidamente inteligente. Mesmo. Aprende rápido. Memória excelente. Não perde a razão em situações difíceis. E por que isso é importante? Bem, caros espíritos, o mundo criado por Patrick Rothfuss envolve uma magia diferente. Não se trata de varinhas ou cajados, nem da força do amor, nem de ganhar a Taça das Casas [sem ofensa, também sou Potterhead]. É essencialmente mental e lógica! E não é para os fracos. O treinamento para se tornar um arcanista [é como chama o pessoal que vai para a Universidade estudar as coisas da vida] pode realmente deixar a pessoa com o miolo mole. Tanto que a Universidade tem um manicômio, chamado de Aluadouro, e enorme. O bagulho é sinistro! E o nosso prodígio Kvothe com 11 anos já sabe mais coisas do que seu primeiro mentor, o Abenthy, aos 20. E ele ainda nem chegou na Universidade, lá os jovens costumam entrar com 17 anos para continuação dos estudos.

10169243_848648725161907_5322368696353092496_n

Vaaaaaiiiii!

E por que o livro se chama O Nome do Vento? Bem, o cérebro aí interessa-se por aprender magia quando vê Abenthy ou, simplesmente, Ben, no momento um desconhecido, invocar o vento para atacar um pessoal que nem vou dar nomes, pois são insignificantes, o que interessa é que aí inicia a busca de Kvothe em aprender, incitado pela curiosidade, o nome do vento. Tcharammm! Ãh?

Pois é, explicando… Se você souber o nome verdadeiro de algo ou alguém, você tem poder sobre ele ou ela. Mas, o nome verdadeiro, que está oculto, que não é fácil, e não está escrito em livro nenhum. Poucos na Universidade conseguem aprender algum, muitos nem se arriscam a estudar isso e os professores, no geral, costumam saber um ou dois [de todas as coisas do mundo que existem, vejam só]. O negócio é difícil, mano! O que quer dizer que, se você souber o nome real do fogo, por exemplo, pode tocar nele sem se queimar. Se souber o nome do vento, pode mandar uma ventania jogar para o Hades o cara que está te incomodando e por aí vai. O negócio é sinistro e muito legal!

Certo. Move on! Hora de conhecer o Chandriano e seu líder cativante Haliax! Aparentemente, os vilões, este simpático grupo, assassina toda a família de Kvothe em uma bela tarde de sol. E o motivo? Já que os pais de Kvothe, bem como sua trupe, só faziam levar entretenimento e diversão para a galera… Bem, aí que está uma das pontas dos grandes mistérios da história. Segundo o Gris, um belo espécime todo branco com olhos negros, “os pais de alguém andaram cantando o tipo inteiramente errado de canção”. Quer dizer que mataram o pessoal só por causa de uma música? Bem, não era uma música qualquer, ela, ao que parece, revelava informações sobre o Chandriano que eles não queriam que ninguém soubesse. Quais? Pois é, como o pessoal morreu não sabemos. Alguém providencie uma mesa branca pra essa história, por favor!

Por causa desse episódio que Kvothe, o sobrevivente, [o Gris queria matá-lo, mas o Haliax não deixou porque… bem, tenho tempo pra lidar com muleque não!] busca respostas sobre o Chandriano. O que fazem? Por que matam? De que se alimentam? Qual seu objetivo perante os Illuminati?

Porém, as respostas são difíceis de achar. Primeiro que o Chandriano é considerado apenas uma lenda, um conto para criancinhas. Não se acredita que ele seja real. Então, se você sai falando deles por aí, ninguém te leva a sério hahaha. Segundo, que os poucos que sabem das paradas não saem batendo com as línguas nos dentes, pois é perigoso [os caras podem aparecer e te matar, amigo]. Terceiro, Kvothe é apenas um menino quando tudo aconteceu e, depois disso, passa por uma fase bem ruim morando nas ruas de Tarbean [afinal, agora ele não tem ninguém, e seus pais não deixaram uma soma de dinheiro no Gringotes]. Até que ele consegue ir para a Universidade, aos 15, onde espera obter respostas, já que o Arquivo [biblioteca] de lá tem 10 vezes 10 mil livros, então, porra, tem que ter algo sobre esse pessoal. Eles não podem aparecer e sair matando a mãe dos outros assim [Hyoga te entende, cara!].

E é assim que se educa um filho! [Imagem do blog Pais Geeks]

Enfim, nosso herói chega à Escola de Magia e Bruxaria, ops, à Universidade, lugar onde jovens de todos os Quatro-Cantos vão, se quiserem aprender e tiverem dinheiro [não aceita Enem] e/ou inteligência – quanto mais se tem de um menos precisa do outro. A Universidade é comandada por 9 professores, um deles o Reitor-Mor, cada um responsável por uma área específica: História, Aritmética, Simpatia, Nomeação, Fisiopatia, Retórica, Linguagem, Alquimia e Artificiaria.

Kvothe passa por um exame de admissão com os 9 professores que é muito legal de se ler. E inicia seus estudos porque ele não pode simplesmente ficar enfiado dentro de uma biblioteca só lendo livro e pensando no Chandriano. Ele tem outros problemas bem presentes ali. A narrativa aqui é bem interessante. Não vou estragar contando tudo até porque senão isso aqui ficará mais longo que o Naruto [Tem como não!]. Voltando: só digo que ele faz alguns amigos bem legais – entre eles a Auri que é uma das personagens mais loucas que você conhecerá na vida e, inclusive, foi lançado até um livro dela recentemente.

Art by Arbetta

São 648 páginas [versão brasileira] e, mesmo assim, ao final, as perguntas ainda são muitas e só tendem a aumentar. O mistério é magnificamente bem explorado no livro. Uma amiga ao ser interpelada pelos colegas sobre o que era o livro que ela estava lendo, sempre dizia “Não sei!” porque o próprio Kvothe conta sua história e na ordem, então se na época ele não sabia de algo, nós também não saberemos. É, a vida é assim. Já te disse.

Mais alguns pontos para você sair desse post direto para uma livraria:

Não é pelos R$ 0,20 centavos.

Patrick pensou em tudo. E quando eu digo tudo é, exatamente, o que quero dizer. Sistemas monetários e calendários próprios. Idiomas: siaru, víntico… Folclore, cada cidade tem suas superstições e histórias que são exploradas aos poucos e mesmo assim você nunca sabe de tudo, sempre fica o gostinho-de-morango-quero-mais. Músicas próprias e muito coerentes com o universo retratado. As canções não são apresentadas na íntegra, veja bem Patrick manja dos paranauê e sabe deixar a gente curioso, mas que você estará morto por dentro se não imaginar O lai de Sir Travien Traliard e não querer ouvi-lo, você estará. Reza a lenda que é a música capaz de arrancar lágrimas de Sauron! Enfim, Patrick pensou em tudo. Os detalhes são primorosos e muito bem explorados, pois não cansam, apenas enriquecem e te fazem mergulhar mesmo na obra.

Outro ponto é que não é uma história fofis bonitinha. A realidade é cruel. Os personagens passam por situações bem difíceis e as soluções não aparecem com fadas madrinhas. Kvothe se vê sozinho aos 11 e tem que roubar e usar de toda sua pilantragem para sobreviver nas ruas e só sai de lá por esperteza, não é que alguém rico aparece e o adota [own, imagem de gatinhos fofinhos].

E a narrativa é muito bem intercalada. O livro começa em terceira pessoa, mostrando o Kvothe agora na pele de um hospedeiro fingindo que não tem nada a ver com uma treta muito louca que está acontecendo [pelo que se entende, uma guerra], Bast, seu discípulo, e o Cronista, a quem Kvothe decide contar sua verdadeira história desde o início. Sem boatos. Sem invenções. A verdade. É aí que a narração muda para a primeira pessoa. Em alguns momentos, temos os “Interlúdios”: Kvothe interrompe a história para comentar alguma coisa, ou então porque alguém entra na hospedaria e eles tem que fingir que estão, sei lá, jogando cartas, ou então porque o Bast ou o Cronista tem algo a dizer. Os Interlúdios são perfeitos. Aumentam a realidade da história e te dão um break!

Por fim, a riqueza dos personagens é impecável. A começar pelo Kvothe, inteligente, orgulhoso, enigmático, insensato, problemático sem ser chato ou mimimizento como o Sasuke [sim, o de Naruto, vontade de dar uma surra nele só de olhar]. Denna: a mulher por quem Kvothe nutre um amor de louco, bela, inteligente e bem, muitos não gostam dela, mas não vejo motivo. Sério mesmo. De qualquer forma, uma boa história não tem só gente maravilhosa. Ambrose: Kvothe tem altas brigas com este rapaz que, infelizmente, é bem rico e fdp. Os professores da universidade, como o Kilvin e o Elxa Dal, são de dar vontade de largar tudo e #partiu #Universidade – inteligentes, sagazes e manjam do ki-suco. E nem falei do mestre completamente louco Elodin [que entrou na universidade com 14 #chupaKvothe]. Enfim, são muitos personagens. Alguns gostáveis de primeira, outros odiáveis, a certeza é encontrar de tudo. Quando digo que o Patrick pensou em cada detalhe e criou algo digno de ser apreciado por qualquer ser com habilidades de leitura não estou exagerando.

1010391_492523444192449_582991401_n

Character spoiler: Feluriana não é desse livro e não se apegue ao Draccus.

O livro foi lançado, no Brasil, em Julho de 2009 e, talvez, você, em pleno 2014, ainda não conheça essa obra-prima. É, a Crônica do Matador do Rei, de fato, é pouco conhecida aqui, por causa de um péssimo trabalho de marketing [só pode ser, eu só encontrei o livro porque tenho o hábito estranho de vasculhar livrarias]. Mas, não se acanhe, corra atrás de seu exemplar, leia em um dia que nem o tio Martin e mantenha seu Alar forte [logo, você entenderá!]. Afinal, o terceiro e último ainda não foi lançado nem tem data [tudo indica que será do caralho], então você só perdeu anos de ansiedade.

10258555_846890492004397_6177744697462371442_n

A coisa é rara.

Termino com uma citação que expressa muito do que encontrarás nessa Crônica fantástica: “Não importa como você leve sua vida, sua inteligência o defenderá melhor do que uma espada. Trate de mantê-la afiada!” Patrick Rothfuss – O Nome do Vento

Abraços, até o segundo livro!

O Nome do Vento” foi publicado no Brasil pela editora Arqueiro. Saiba onde comprá-lo acessado o site da editora.

13 thoughts on “[LIVRO] O Nome do Vento: Um dos melhores livros que você leu/lerá na vida

    • Compreensível, Garcia! Bem, quem leu não se arrependeu e desafio-te a encontrar alguém que tenha lido e odiado [caso encontre não me apresente, a menos que queira que a pessoa parta deste mundo, claro]. Enfim, talvez possamos fazer um acordo e eu ver um filme de Star Wars e você lê o livro 😉

  1. Devo confessar a você que sou um preconceituoso, para mim esses livros com estórias de magia, personagens orfãos adolescentes choramingões, vampiros afeminados e divididos em trilogias para que suas editoras vendam mais não me atraem. E com o lado negativo do meu preconceito eu pago o preço da ignorância, que é o de talvez perde algo que valha a pena de ser lido. Nunca engoli Harry Porter depois de ter lido os Livros da Magia do Neil Gaiman, e quando mencionei o fato de Star Wars ser imprescendível como base de uma boa análise é porque ele é uma das bases para a criação da maioria dos universos ficcionais, que por sua vez foi influenciado por Tolkien com o Senhor dos Anéis. Mas gostei de sua resposta polida e educada, só não garanto que lerei o livro recomendado, mas você não deve perder Star Wars, que tem o melhor orfão choramingas de todos os tempos: Luke Skywalker (spoiler) , que na verdade não era tão orfão assim!

  2. Obrigada por esse momento confissão! Garcia, você, definitivamente, não está falando com alguém que se amarra em vampiros fada e lobos depilados. [kinda ofendida por você ter pensado isso de mim, pela literatura que corre em minhas veias, tenho um cérebro e gosto de usá-lo para o bem kk]. Teve uma parte do texto em que mencionei que a magia é diferente e digo agora que o Kvothe não é um órfão ridículo [os episódios em Tarbean são de uma frieza espetacular e, de qualquer forma, não são longos, a maior parte do livro se passa na universidade que é do caraleo]. Enfim, pelo seu comentário racional penso que você é o tipo que gostaria desse livro, de verdade, não é só uma questão de eu gostar e querer enfiá-lo por sua goela abaixo [aliás é uma trilogia porque é muita história, pra ter uma ideia o segundo livro tem mais de 900 páginas]. Repense na leitura, estou propondo um acordo e não é justo que só você saia ganhando 😉

  3. Entendo. Estou pensando em ler nos dois idiomas. A Auri é querida demais, ela merece kk Soube que tem ilustrações =D Enquanto as Portas de Pedra não se abrem…[que venha um livro de 2000 páginas…tá, parei].

  4. Olá, descobri este livro incrível passeando na livraria, este titulo me chamou a atenção, O MATADOR DE REI, aguçou minha curiosidade. Alem do mais, este velho andarilho estampado na capa com um instrumento de cordas realmente foi o ápice para mim.
    Ja estou no segundo livro, “O TEMOR DO SÁBIO” muito bom e quero saber quando vai ser lançado o terceiro. abraços.
    o arcanun

    • Rafael, oi! Ainda não há previsão para o terceiro. Sabemos apenas que o Patrick já escreveu, está fazendo suas revisões e ainda vai demorar um tempo. Enquanto isso, está sabendo do livro da Auri?

  5. Parabéns, resenha muitíssimo boa! Sou viciado em fantasia épica e já li muita raça de livro até hoje, mas sem dúvida a crônica do matador de rei foi e sempre vai ser meu favorito. Os personagens do Patrick são super vívidos e cheio de personalidade, e o kvothe então.. é de longe o top top. Engraçado que na época que eu descobri esse livro e pedi a opinião de um amigo que já tinha lido, ele me desencorajou e disse que o livro era fraco.. Comecei a ler totalmente sem expectativa e foi simplesmente foda… Eu comecei a ler e não consegui mais parar, virei a noite lendo e faltei aula no outro dia pra continuar com a leitura. O segundo foi idem.. enfim, antes de ler esse livro eu já tinha lido muitos outros famosos (e bons por sinal), mas esse simplesmente marcou, o autor é um gênio.

Comments are closed.