[LIVRO] O Livro de Moriarty, de Arthur Conan Doyle (resenha)

Aos Sherlockianos e aos Doylianos, não propriamente aos apreciadores do homem, mas do cérebro por trás da máscara.

Quem conhece o Cânone (alcunha dada aos 4 livros e 56 contos publicados por Sir Arthur Conan Doyle), sabe que Holmes e seu caro amigo Watson passaram anos de sua vida fictícia ou não, há quem diga que Sherlock Holmes existiu de verdade e que o autor apenas narra suas aventuras, como o bom e velho Watson a desvendar crimes e conspirações, sempre com a sensação de que as coisas estavam inteligentemente interligadas. Porque um cérebro como o de Sherlock Holmes merecia um cérebro como o de James Moriarty.

A Companhia das Letras lançou no seu selo Clássicos um livro que reúne cinco contos e um romance que colocam em primeiro plano o arqui-inimigo do grande e não modesto detetive. Watson não fala apenas de seu amigo e companheiro de jornada, o foco principal caindo no homem que abalou a Inglaterra vitoriana de forma sutil, elegante, digna de sua inteligência. Sim, tenho um certo fascínio por mentes brilhantes, não importado como as usem.

Recomendo que um dia, quando tirar uma folga de um ou dois anos, você se dedique ao fascinante estudo do professor Moriarty.

O Vale do Medo

Nunca fui grande fã de Holmes enquanto pessoa. Não é o tipo de gente com o qual eu gostaria de conviver, mas sua inteligência é indiscutível, o que prende qualquer um que goste de uma história bem escrita. Já o professor Moriarty jamais fez questão de se mostrar, tendo a consciência de que agindo nas sombras seu braço se estendia longe e sem o peso da mídia. Assim foi por muitos anos, até o confronto dos dois titãs inimigos narrado pelo Dr. Watson.

Ele é o Napoleão do crime, Watson. É o responsável por metade das ações malignas e quase todos os delitos ocultos nesta grande cidade. É um gênio, um filósofo, um pensador abstrato, dotado de um cérebro de primeira grandeza.

Sherlock Holmes

O Livro de Moriarty é, então, não uma homenagem ao recluso inimigo de Holmes, mas um convite a enxergar por uma nova óptica as aventuras dos dois amigos, e entender melhor que o que parecia ser um gancho entre um crime e outro na verdade era exatamente isso. Moriarty é aquele tipo de gente que, se quisesse, conseguiria quase tudo o que desejasse sem muito esforço. Para quem já é familiarizado com o Cânone, esse livro é uma evocação aos dias bons, para os leigos, é um menu de entrada cuidadosamente selecionado para despertar o interesse por um dos maiores clássicos da história.


Penguin Companhia

Brochura

19,8 x 13 x 2,4 cm

416 páginas

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