[LIVRO] O Livro das Listas – Na mente de Renato Russo

"Essa saudades eu sei de cor"

“Essa saudade eu sei de cor”

Costumo dizer que seria um privilégio sem tamanho se tivéssemos a oportunidade de conhecer melhor, ou até mesmo conversar com os artistas, gênios, grandes seres humanos que são capazes de mover nossos espíritos.

Ao longo de meus 29, pude conversar com alguns ídolos e fico imensamente feliz por isso.

Nunca pude falar com Renato Russo e isso pesa: Ele moldou muito de minha mente durante minha adolescência.

A compensação veio em forma de músicas incansavelmente ouvidas, biografias autorizadas ou não… e, mais recentemente, de O Livro das Listas.

Mais que algo escrito por biógrafos, O Livro das Listas é uma compilação dos pensamentos de Renato, com sua própria letra, seus próprios rabiscos e rasuras…

Com uma capa ao padrão “caderno anos 70/80”, e um título fazendo referência clara ao seu último CD, “O Livro dos Dias” – que por sinal é outra referência de Renato ao livro “Os Trabalhos e os Dias” de Hesíodo – traz, em uma estrutura até bem modesta, uma enorme quantidade de influências sob as quais o jovem Renato formou-se como artista e intelectual.

Dizia Renato Russo, em um dos escritos do Livro: “Nem sou assim tão original“, antes de enviar aos amigos uma lista de livros que ele consideraria canônicos para uma formação cultural decente. Ray Bradbury, Aldous Huxley e George Orwell figuram entre os nomes, mas há muito mais.
Ao ler O Livro das Listas, vemos as grandes listas de ideias que, pelos 3 que são um, seriam geniais, mas talvez não tenham tido força ou tempo para ir adiante e que, inevitavelmente, só poderiam ser bem executadas pelas mãos do Rebelde que fundou seu nome em Jean-Jacques Rousseau e Bertrand Russell.

É fascinante, por exemplo, para os fãs mais novos ou menos aprofundados, saber que Renato Russo era fã de Beatles e Rolling Stones. Não é como se nosso querido cantor carioca de alma brasiliense tivesse adoração apenas por Sex Pistols e The Doors (uma banda também influenciada por Huxley).
Sim, Renato era um romântico, como ele mesmo definiu em entrevistas. Via o mundo cor-de-chumbo.

E, claro, para ser romântico é preciso estudar a fundo. A profundidade exige esforço.

Todo gênio, via de regra, é ou se torna um bom leitor.

Essa parte da lista é particularmente GENIAL. /\

Renato tinha uma gama enorme de influências, sobretudo vindas dos anos 60 – lembrando sempre que o autor nasceu em 27 de março de 1960, ou seja, consumiria, mais normalmente, aquilo que veio posteriormente a ele.

Um nerd nato – incapaz de listar em uma folha quantos livros já havia lido aos doze anos de idade- Renato deixa em suas listas soltas, e cuidadosamente recolhidas pela Companhia das Letras, as marcas de seu pensamento contínuo, fervente, febril, desesperado, potente.

Não é como se um post pudesse explicar.
Interessante notar que Renato alertou Kurt sobre sua MORTE

Mas qual o real diferencial de O Livro das Listas? Aliás, quais OS DIFERENCIAIS?

Existem mil formas de saber mais e mais coisas acerca da vida e das particularidades de Renato Russo. Mas Ninguém irá te oferecer um caderno – sim, o livro é praticamente um caderno. Quase dá pra sentir o cheiro de coisa antiga – com anotações dele, frases soltas dele, curiosidades dele e sobre ele. O Livro das Listas oferece a experiência de sentir um pouco desse MUITO que Manfredini (nome de batismo do nosso rebelde mais querido) deixou por aqui, mas que não teve tempo de espalhar, passar adiante.


Companhia das Letras

Capa comum

Brochura

26,2 x 17 x 1,4 cm

220 páginas

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Raquel Pinheiro (Raposinha) é míope profissional, CANCERIANA, redatora, revisora, tradutora, escritora, professora de língua inglesa, viciada em café e artista plástica. Além disso, é troll nas horas vagas e é viciada em cheirar livros.