[LIVRO] O Enigma do Oito, de Katherine Neville (resenha)

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Primeiramente, o xadrez é um dos planos de fundo deste livro, mas não é preciso saber jogar para compreender a leitura. Peço apenas uma das características necessárias ao jogo: paciência beneditina. É uma obra difícil mas talvez, quando você chegar ao fim da mesma, se torne um apreciador do jogo dos reis.

“As personagens tendem a ser contra a missão ou a favor dela. Se a ajudam, são idealizadas como bravas e puras; se a atrapalham, são caracterizadas como vilanescas ou covardes.

Disso resulta que toda personagem típica […] tende ao confronto com seu oposto em termos morais, como as peças pretas e brancas no jogo de xadrez.”
-NORTHROP FRYE,
Anatomia da crítica

Durante todo o livro há uma alternância de épocas, do auge da Revolução Francesa à década de 70. A história gira em torno do Xadrez de Montglane, que pertenceu ao monarca Carlos Magno e esconde em suas peças o segredo de uma fórmula alquímica milenar. Não, você não aprenderá a transformar chiclete em ouro.

As personagens principais; duas primas noviças, Mireille e Valantine, e a especialmente em informática Catherine Velis acabam, cada uma à sua maneira, por se envolverem diretamente com o Xadrez, as primeiras para salvaguarda-lo; Cat, para se proteger e resolver a onda de mistério que a cerca desde que tomou conhecimento do jogo e de uma suposta predestinação.

Devo admitir que ainda não li nada parecido com “O Enigma do Oito“, a narrativa, que se alterna entre a primeira e a terceira pessoa, mostrando as opiniões e sensações dos personagens e sua jornada em contexto mais amplo, flui maravilhosamente. E os saltos históricos causam uma deliciosa confusão mental, uma jogada de mestre, onde a autora, Katherine Neville, sabiamente, como boa enxadrista, nos leva ao inesperado Xeque-mate.

Durante todo o jogo (livro) nos deparamos com personalidades históricas mescladas a pessoas inventadas, desde monarcas Russos, generais italianos, poetas e pensadores franceses a cientistas reclusos e mestres enxadristas contemporâneos. Tão bem criadas e articuladas entre si são essas figuras que você vai querer pesquisar (eu pesquisei) sobre elas e, ainda assim, provavelmente não consiga separar o que é história e o que é estória.

Há também o simpático Carioca, cachorrinho da amiga de Catherine, Lily Rad, que acaba atuando como uma espécie de alívio cômico nos muitos momentos de tensão da obra.

No eterno duelo entre as Brancas e as Pretas, desconfiei de amigos, subestimei inimigos, viajei o globo e os séculos com nossas – por que não dizer – heroínas, da França revolucionária à crescente Argélia, e descobri que, no final de cada partida, peões e reis voltam para a mesma caixa.


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Brochura

20,8 x 13,8 x 3 cm

680 páginas

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