[LIVRO] O Diário de Anne Frank – Sobre crescer sem ter tempo…

Li Anne Frank quando tinha a idade da menina. Meus treze anos de infinita imaturidade não permitiram que eu compreendesse a obra. Reli muitos anos depois… A experiência foi curiosa.  

O Diário de Anne Frank foi um livro que me surpreendeu. É um clássico, mas sempre o ignorei. Sempre o deixei de lado, de escanteio. Só comecei a me interessar pela história triste e terrível da jovem Anne quando li a HQ acerca de suas desventuras. Nunca pensei que o diário de uma menina de 13 anos fosse mexer tanto comigo mas, ao terminar as últimas páginas, fiquei muito tempo pensando na Anne e em tudo o que ela passou. O processo de crescimento da jovem se estende por dois anos. A menina bobinha passa a ter uma mentalidade infinitamente diferente daquela que tinha antes da tragédia que se abateu sobre ela, sua família, seus vizinhos.

Em seu diário, escrito entre 1943 e 1945, Anne relata todo o período em que ficou refugiada com sua família e outros judeus em um esconderijo, chamado de Anexo Secreto. Lá, eles dividiam as tarefas de casa, e tentavam sobreviver em “harmonia”, tomando todas as precauções para não serem vistos e delatados para a polícia alemã.

O período do holocausto, narrado por uma adolescente que passou dois anos escondida e sem poder sentir o ar puro da manhã, nos faz repensar  tudo, desde as reclamações mais banais do dia a dia, até as nossas relações com os familiares e pessoas próximas.

No início do livro, Anne é uma adolescente tola (coisa típica dos adolescentes é serem tolos, não é?)

É incrível perceber a diferença do comportamento e das ideias da menina ao longo do livro. Apesar de muitas páginas conterem passagens irrelevantes (coisa comum aos adolescentes é serem prolixos, não é?), em que Anne conta, por exemplo, o que cada um ganhou de Natal, ou a comida preferida de cada membro do Anexo, é muito interessante ver  como essa adolescente – no começo tão mimada e prepotente – se transforma em uma pessoa tão inteligente e forte, batalhando diariamente contra a fome, a tristeza e a situação de perigo.

Anne mostra-se uma garota extremamente corajosa, principalmente ao relatar suas dificuldades de relacionamento com a mãe e a irmã. Anne não suportava a mãe e, em inúmeras passagens, diz que parou de se importar com uma mulher que não sabia ser mãe, e muito menos lidar com os problemas angustiantes da adolescência. Sua ligação mais forte era com seu pai. Assim como era a partir de seu pai que Anne conseguia suportar os percalços da prisão imposta a inocentes.

Como tudo é relatado pelo ponto de vista dela, é difícil analisar como realmente eram as pessoas ao seu redor. Mas podemos sentir que, como sempre, o egoísmo dessas pessoas imperava sobre qualquer outra coisa.

Por vezes até esquecemos, mas a história é real…

Anne Frank, mei 1942.

O mais triste mesmo é ler passagens do diário em que Anne sonha com o futuro. Ela planeja virar jornalista, escritora, estuda diversas línguas, diz que pretende voltar para a escola em breve… Quando os sonhos começam a brotar na mente fortalecida, forjada no fogo da batalha passiva,  a guerra impediu que ela fosse para frente. Sonhos que foram perdidos pelo caminho, e uma vida interrompida de maneira tão drástica.


Best Bolso

Brochura

17,6 x 11,8 x 1,4 cm

378 páginas

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Raquel Pinheiro (Raposinha) é míope profissional, CANCERIANA, redatora, revisora, tradutora, escritora, professora de língua inglesa e artista plástica. Além disso é troll nas horas vagas e é viciada em cheirar livros.