[LIVRO] Mr. Mercedes, de Stephen King (resenha)

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Ainda é madrugada e, em uma falida cidade do Meio-Oeste, centenas de pessoas fazem fila em uma feira de empregos, desesperadas para conseguir trabalho. De repente, um único carro surge, avançando para a multidão. O Mercedes atropela vários inocentes, antes de recuar e fazer outra investida. Oito pessoas são mortas e várias ficam feridas. O assassino escapa.

Meses depois, o detetive Bill Hodges ainda é atormentado pelo fracasso na resolução do caso, e passa os dias em frente à TV, contemplando a ideia de se matar. Ao receber uma carta de alguém que se autodenomina o Assassino do Mercedes, Hodges desperta da aposentadoria deprimida, decidido a encontrar o culpado.

Mr. Mercedes narra uma guerra entre o bem e o mal, e o mergulho de Stephen King na mente obsessiva e psicótica desse assassino é tão arrepiante quanto inesquecível.

Mr. Mercedes foi o primeiro livro de Stephen King que li. Confesso que a sinopse não me atraiu de primeira. Após ler 16 páginas posso dizer que não poderia ter começado melhor. Com maestria, ele transformou uma história que tinha tudo para ser algo normal e sem emoção, em uma obra surpreendente e emocionante. O meu medo era encontrar uma história clichê e previsível, e fiquei ansiosa para descobrir qual seria a surpresa da próxima página.

A introdução aos personagens foi perfeita: já tinha me encantado com Janice e Augie, até mesmo criado uma linda história de amor para os dois, quando todos meus sonhos foram destruídos junto com as vidas daquelas pessoas, destruídas por um Mercedes cinza. Tenho que admitir que não pude conter minhas lágrimas. Queria prender esse assassino mais que tudo na vida.

Logo somos apresentados ao detetive aposentado Bill Hodges. Ele foi o responsável pelo caso, quando ainda estava na ativa, e infelizmente não conseguiu nada mais que uma máscara do palhaço Pennywise e uma carinha sorridente com óculos escuros. Frustrado por não ter conseguido resolver o maior mistério da cidade, ele passa as tardes comendo besteiras, vendo TV e alisando um revolver Victory .38, até receber uma carta do Assassino do Mercedes. Isto faz com que ele tenha um novo gás e reveja suas atitudes do passado.

 

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O nosso assassino, Brady Hartsfield, passaria despercebido tranquilamente – um homem aparentemente normal, que no meio de uma crise, trabalha em dois empregos e cuida da mãe alcoólatra. Mas, quando o perfil psicológico é revelado, ele se mostra egocêntrico, maníaco e psicopata. Confesso que achei ele muito babaca de inicio, mas com o decorrer do livro você descobre tudo sobre a vida dele. E, bom… tirem suas próprias conclusões sobre.

Outros personagens se tornam necessários na construção da história, personagens surpreendentes e subestimados.

E nunca se esqueça: mesmo no dia mais sombrio, o sol brilha no rabo de algum cachorro.

Detalhes técnicos:

A Suma das Letras nos agraciou com mais uma obra surpreendente do mestre Stephen King, um suspense que prende e fascina com uma escrita fluída, de fácil entendimento. Impressa em papel amarelo e poroso que contribui muito com a leitura, principalmente em ambientes com bastante luminosidade. A arte da capa remete a um detalhe da história que quase passa despercebido: o guarda chuva azul do site Under Debbie’s Blue Umbrella. Tenho que mencionar ainda o belo trabalho da Regiane Winarski ao traduzir e trazer a nós as referências de um modo fácil e simples.


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Série: Trilogia Bill Hodges

Autor: Stephen King

Editora: Suma de Letras

Páginas: 400

Tradução: Regiane Winarski

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