[LIVRO] “Messias de Duna” de Frank Herbert (resenha)

capa-antiga

Anos após a ascensão de Paul Atreides ao trono do Império, o maior reinado já visto na galáxia se vê ameaçado por uma conspiração diabólica, que busca destruí-lo por dentro. Essa trama de intriga e premonição é o mote de Messias de Duna, o segundo livro da série de Frank Herbert. (Confira também a resenha do primeiro livro)

Doze anos após os eventos de Duna, Paul Atreides governa o Imperium à frente de uma legião fanática, disposta a matar e morrer em nome da palavra de seu Messias, Muad’Dib (como Paul é conhecido pelos Fremen, o povo do deserto). Juntamente com sua irmã, a misteriosa Alia, cujos milênios de sabedoria conflitam com seu corpo adolescente, Paul comanda suas legiões a partir de Arrakis, o remoto planeta desértico, onde sofreu as mais profundas provações e descobriu poderes psíquicos até então jamais imaginados, inclusive a capacidade de prever o futuro. E é justamente por saber o futuro terrível que a Jihad que se formou em torno de sua pessoa pode trazer à humanidade que Paul se vê conflitante e descrente de si mesmo, vítima de seu próprio destino grandioso.

Enquanto isso, os inimigos de Muad’Dib se reúnem e planejam sua queda, aproveitando-se de seus pontos fracos (inclusive das falhas em sua presciência) para tecer uma armadilha terrivelmente complexa e sutil, capaz de escapar até mesmo à mente brilhante do novo Imperador e provocar sua ruína. Ou será que ele percebe seus movimentos, e se permite ser pego a fim de salvar a humanidade de si mesmo?

Messias de Duna é ainda mais filosófico do que o livro anterior, apresentando não só uma visão bastante interessante do que significa prever o futuro (as limitações desse poder, que permitem que a conspiração funcione, são muito bem pensadas), mas também aprofundando bem mais a discussão sobre fanatismo que se iniciou em Duna, com o culto a Muad’Dib e Alia transformado em uma verdadeira religião institucionalizada, com as contradições e perigos presentes neste tipo de organização. Além dos já conhecidos pontos de vista dos Fremen e das Bene Gesserit, o livro introduz também os Tleilaxu, uma sociedade especializada em bio-engenharia, cuja filosofia estranha e sutil está na raiz da conspiração.

A opulência do trono de Paul Atreides, na adaptação para a TV de 2003

A opulência do trono de Paul Atreides, na adaptação para a TV de 2003

Por falar nisso, as tramas apresentadas neste segundo livro de Herbert são extremamente intrincadas, e inclusive bem difíceis de seguir para quem faz uma leitura casual. Se Duna já tinha um plot bastante denso, a sequência talvez demande ainda mais atenção do leitor – talvez não pela estrutura básica do enredo, que é razoavelmente simples, mas pra conseguir acompanhar do que diabos que se trata o plano dos conspiradores (ainda tô coçando a cabeça a respeito disso), e das maquinações que Paul Atreides faz em resposta a isso. É um tal de “eu sei que você sabe que eu sei que você sabe” que é de fundir a cuca. O texto não me pareceu tão pesado quanto o do livro anterior, mas talvez seja só eu que me acostumei com o estilo do autor…

No mais, a trama consegue ser bastante envolvente, apesar de você mais ou menos saber desde o princípio o rumo que a história vai levar, devido ao tema constante de precognição. A questão não é tanto o que vai acontecer (ainda que o final da história seja surpreendente), mas como, e o autor consegue manter a tensão a cada capítulo, conforme as peças de ambos os quebra-cabeças (a conspiração e a visão premonitória de Paul) vão se encaixando, e o futuro vai se tornando presente.

No que diz respeito à versão da Editora Aleph, a tradução (de Maria do Carmo Zanini) mantém o padrão de qualidade do livro anterior, conseguindo passar com clareza os diálogos rebuscados e recheados de significados sutis de Frank Herbert, mantendo seu nível de erudição, mas sem dificultar a compreensão do leitor. Uma coisa que eu senti um pouco de falta, a princípio, foi dos apêndices que havia no primeiro, principalmente o glossário dos inúmeros termos estranhos do universo de Duna – mas, para quem já leu o primeiro livro, fica fácil acompanhar sem qualquer tipo de consulta.

Messias de Duna não é um livro leve, ou de fácil leitura (e nisso ele segue a tendência de seu predecessor). Este retorno ao universo criado por Frank Herbert é muito bem-vindo para quem já se apaixonou por Duna, mas dificilmente terá apelo para quem não leu o livro anterior, que é indispensável para compreender a trama.


nota-4


messias-de-dunaMessias de Duna
Frank Herbert

Título Original: Dune Messiah
Copyright 1969

Editora Aleph
2012 (1ª Edição)
Tradução: Maria do Carmo Zanini
16 x 23 cm
216 páginas

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