[LIVRO] Maré Congelada, de Morgan Rhodes. (Jovens, Bonitos e Rebeldes)

Depois de um terceiro livro problemático, pra não falar coisa pior, temos Maré Congelada o quarto volume de A Queda dos Reinos, série de fantasia da escritora canadense Morgan Rhodes estrelada pelos colírios da Capricho. Maré Congelada é um livro melhor que o seu antecessor, A Ascensão das Trevas, mas que ainda deixa a desejar, não conseguindo chegar no nível dos dois primeiros livros. Podemos dizer que a autora perdeu a mão na hora de escrever. Ela tenta nos abalar com mortes desnecessárias e desinteressantes, enquanto dá a certeza que os quatro protagonistas não vão morrer.

Recapitulando – No final do terceiro livro a situação dos protagonistas era seguinte: Magnus traiu seu pai e salvou Cleo de ser executada, os dois fugiram e foram atrás de Lucia, que fugiu com seu amado vigilante Ioannes. Essa jornada termina com Magnus, Cleo e Nic indo parar em Limeros, onde enfrentam Amara e seus guardas em uma sangrenta batalha que termina com a morte de Ashur, príncipe de Kraeshia, e com Amara levando um dos cristais da Tétrade, a água. Controlado por Melenia, Ioannes é obrigado a machucar Lucia, e acaba matando a si mesmo para não matar a garota. Jonas salva Lysandra de ser executada; usa as informações que Cleo descobriu para encontrar dois dos quatro cristais da Tétrade, mas ele descobre que Felix, um importante aliado e amigo, é membro do Clã da Najas, grupo de assassinos subordinados ao Rei Gaius. Os dois brigam, Jonas é ferido e Felix leva o cristal do ar embora. Lucia destrói Malenia como vingança e parte em uma jornada acompanhada pelo deus do fogo Kyan, que foi libertado de um dos cristais da Tétrade.

O livro 4 começa exatamente onde o terceiro terminou, e segue em um ritmo lento no começo, mas que logo é substituído pela taquicardia frenética que surgiu no terceiro livro. Os personagens Magnus e Cleo continuam indecisos, desconfiados um do outro, mesmo com uma semente de amor germinando entre os dois, eles ainda se veem como inimigos e se ofendem e brigam como cão e gato. Jonas e Lysandra têm que lutar pra manter o rapaz vivo, pois a ferida deixada por Felix infecionou, e ele mal consegue se manter de pé. Lucia abraçou a causa do deus do fogo e, juntos, deixam um rastro de destruição por onde passam, embora a garota questione várias da ações cometidas por ambos. Felix volta servir o Rei Gaius, faz um monte de merda, apanha pra caramba e começa a questionar seus atos. (Resumindo, esses jovens estão muitos rebeldes)

Nossos queridos vilões, Rei Gaius e Amara, acabam se revelando personagens mais complexos do que aparentavam. Logo no prólogo, somos apresentados a uma versão criança do Rei Sanguinário, e descobrimos que a mãe dele era uma bruxa; vemos que os únicos com quem ele se importa são os filhos Magnus e Lucia; e no final o próprio Gaius revela que já se apaixonou por alguém. Quanto a Amara, vemos que as ações da garota são fruto da vingança de sua avó, Neela; e que Amara sente remorso em ter matado seu irmão Ashur. E ainda somos apresentados a um novo pretendente a vilão, Kurtis, que prometia, mas não passa de um bananão (vide Caio Ribeiro).

E, pela primeira vez, vemos uma terra que não seja do continente de Mitica. Kraeshia parece uma mistura de Índia com Turquia, onde as mulheres não têm poder algum e é liderada por um imperador obcecado por beleza e poder. Ainda assim, Kraeshia cativa mais que Mitica, é melhor descrito, e se manifesta melhor na narrativa como se tivesse vida própria.

Entrando em uma questão mais técnica, nesse livro temos a aniquilação de qualquer chance de tensão que a história poderia ter, porque já ficou claro que, não importa o que ocorra, os protagonistas não vão morrer. Você nunca sente que os quatro estão realmente correndo risco de vida, e sim que eles sempre serão salvos por um detalhe. Agora, matar coadjuvantes não é problema, a autora fez isso tantas vezes que você nem simpatiza mais com os secundários que aparecem (tirando a Nerissa Florens, que é a melhor personagem). Prova disso é o garoto piromaníaco que aparece no terceiro livro, ele nem é apresentado direito e já morre dois capítulos depois. Em Maré Congelada a questão do óbito excessivo de coadjuvantes ainda se repete, mas em uma escala bem menor se comparada ao segundo livro.

Mas devo parabenizar Morgan Rhodes por me enganar em uma parte especifica envolvendo Theon, um personagem que morreu há algum tempo. A autora também reaproveitou bastante alguns personagens esquecidos que haviam sumido, o que foi bem melhor que criar personagens novos e sem personalidade, só pra matá-los logo em seguida.

Finalizando, Maré Congelada recuperou um pouco do tempero que a série tinha no começo. Ainda falta um pitada de sal aqui, um alecrim ali. Então, vou esperar com bastante bastante pensamento positivo que a autora não perca os rumos dessa receita novamente.

P.S: Não entendi o que o título Maré Congelada tem a ver com o livro. Talvez represente a estagnação de história e de seus personagens perante eventos atípicos e épicos. Ou vai ver não tem nada a ver, e seja só um título chamativo.


Editora Seguinte

Tradução: Flávia Souto Maior

Brochura

22,8 x 15,6 x 2,6 cm

440 páginas

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