[LIVRO] “Halo: Broken Circle” de John Shirley (resenha)

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Fui incumbido da tarefa de ler e resenhar esta obra. No entanto, apesar de saber que ela faz parte do universo expandido do jogo Halo, não manjo NADA mais que isso. Entretanto, o que seria uma dificuldade em analisar a obra me permitiu, na verdade, ler com outros olhos. Geralmente, qualquer coisa de um universo expandido é voltada, logicamente, aos fãs e conhecedores da obra original. Mas um livro é um livro. E ao ler “Halo: Broken Circle“, pensei justamente nisso: como obra de ficção científica, o que ela tem a oferecer aos fãs do gênero que não conhecem o jogo? O livro se trata de uma “prequel”. Conta tudo o que aconteceu milênios antes do que se passa nos jogos. Se liguem nas informações da contracapa:

“Uma obra original do universo expandido de Halo, um dos maiores bestsellers da Microsoft, com mais de 60 milhões de jogos vendidos em todo o mundo”

O Covenant, uma aliança militar teocrática feita por diferentes raças alienígenas que cegamente adoram os antigos Forerunners, seres de tecnologia avançada que lutaram contra os Floods, parasitas que ameaçavam destruir toda a via láctea, há cerca de cem mil anos.

Uma união fanática e ditadora que enxerga os seres humanos como hereges, uma ofensa aos antigos deuses. E que inicia um verdadeiro genocídio contra nossa espécie.

Esta é a história de sua origem.

Logo no primeiro capítulo somos apresentados às duas raças alienígenas protagonistas e presentes em todo o livro: os Sangheili e os San’Shyuum, O que pode, de cara, causar uma sensação de estranhamento ( os primeiros parágrafos você pode se pegar pensando “puts, sem conhecer nada do jogo vai ser meio complicado de ler e entender isso aqui”), mas depois de poucas páginas tudo se resolve. E isso se deve à maestria com que John Shirley conduz a obra. O autor tem dezenas e mais dezenas de livros de ficção (Entre eles, livros e HQs de Bioshock, Batman, Alien e Hellblazer). Ele também já escreveu letras para dois álbuns do Blue Oyster Cult e foi roteirista, ao lado de David J. Schow e do criador James O’Barr, do filme “O Corvo“, clássico de 1994. Toda essa experiência fez toda a diferença, já que Halo: Broken Circle é uma de suas últimas obras. É realmente prazeroso ler um livro feito por alguém que sabe o que está fazendo, que não inventa nem experimenta, mas utiliza suas técnicas e criatividade para fazer com que a história flua, mesmo para quem não é familiar ao universo em questão.

Os Sangheili são seres fortes, de constituição reptiliana e tem aptidão para combate e táticas militares, além de um enorme orgulho. São também conhecidos como a Elite. Já os San’Shyuum são seres mais voltados para a política e religião, por isso são conhecidos como Profetas. De constituição frágil, são eles que dominam e ditam as regras do Covenant, através de um sistema político teocrata baseado na crença nos deuses Forerunner.

Com "belas" mandíbulas quádruplas, esses são os Sangheili

Com “belas” mandíbulas quádruplas, esses são os Sangheili

Confira mais algumas informações sobre a história:

Séculos antes da guerra entre humanos e os alienígenas do Covenant que se alastrou pela galáxia, um conflito similar se deu entre os Profetas e a Elite.  – duas raças alienígenas em luta pelos sagrados artefatos deixados pelos poderosos Forerunners, a extinta raça criadora das armas de destruição conhecidas como Halos. Ainda que eventualmente elas tenham formado a aliança que deu origem ao Covenant, membros de ambos os lados questionaram a necessária união desde o início. De um grupo de rebeldes da Elite, até um corajoso Profeta flagrado tramando a criação de uma nova liderança, e a origem da traição que dissolveria o Covenant muitos anos depois, Halo: Broken Circle trás a história do mais improvável dos heróis a surgir em um território marcado por deslealdades atrozes e constantes surpresas.

O livro, apesar de pequeno (meras 300 páginas) não peca em nenhum momento e, o mais importante, não tem excessos. As cenas de ação (e você verá muitas delas!) não duram mais do que uma página e a narrativa é clara e direta. Quanto ao título, não é difícil deduzir: Halos são anéis com poder de destruição em massa. Broken Circle + anel = spoilers que não serão ditos por aqui…

A obra é dividida em duas partes: Parte 1 – Um Lugar de Refúgio e Parte 2 – Um Convite para a Dança do Caos.  A primeira parte se passa no ano 850 e tem como protagonistas o Profeta Mken ‘Scre’ah’ben e o sangheiliano dissidente Ussa ‘Xellus. Já a seguinte se passa no ano 2552 e os protagonistas são O Profeta da Claridade, Zo Resken, e Bal’Tol ‘Xellus, líder dos sangheilis dissidentes. E aqui há um ponto negativo e outro positivo: por um lado, a narrativa (de uma obra que já é muito curta) é quebrada repentinamente, pois não sabemos qual foi o destino final dos personagens protagonistas da primeira parte. Ficamos no vácuo e esse é o ponto negativo. O ponto positivo está no modo como os personagens da segunda parte conhecem e entendem tudo o que aconteceu na época abordada anteriormente. Alguns personagens ganharam status de lendas, outros caíram no esquecimento. Muita coisa mudou, mas a mitologia e a história do passado sobreviveu em fragmentos, boatos e crenças.

O lugar de refúgio que dá nome à primeira parte é o mundo presente na capa da obra, que se trata de uma das diversas relíquias sagradas deixadas pelos antigos deuses Forerunners (na verdade as tais relíquias sagradas são objetos tecnológicos dos mais variados: inteligências e mundos artificiais, naves e armas das mais variadas, sendo o Halo a mais destruidora delas). Há divergências entre seres de raças diferentes e até entre seres da mesma raça em relação a essas relíquias. Como usá-las, qual o objetivo dos Forerunners terem as deixado para trás e por aí vai. Os que concordavam quanto à chamada Grande Jornada, formaram o Covenant, um Império com várias raças, comandado por San’Shyuums prepotentes e capazes das piores maquinações e traições para atingirem seus objetivos – subjugam todas as outras raças da galáxia, escravizando os que se rendem e destruindo  todos os demais. Alguns Sangheilis dissidentes, mais primitivos, continuaram em seu mundo natal, Sanghelios. Mas aqueles que, apesar de evoluídos, não concordavam com os ideais do Covenant, fugiram em busca de um novo mundo para viver, em busca de um refúgio.

Uma curiosidade: apesar das duas raças principais do livro serem antropomórficas, algumas coisas são bem específicas. Os sangheili, por exemplo, se comunicam, além da fala, por sinais feitos com as mandíbulas quádruplas. Já os San’Shyuums se comunicam também através de movimentos com as mãos e através de determinadas vestimentas. Algumas partes têm até certo humor, como quando fêmeas san’shyuums aparecem com trajes especiais que significam  “estou disposta a considerar o acasalamento”. Falando em acasalamento, é igualmente engraçada e bizarra uma cena onde trocas de afetos entre um casal san’shyuum são narradas. A cena começa com pescoços se enroscando e por aí vai.

Esses pescoçudos com caras de poucos amigos são os San'Shyuums

Esses pescoçudos com caras de poucos amigos são os San’Shyuums

Conclusão: É um livro e tanto! Contém vários momentos de tensão e ação, é muito bem escrito e cumpre, definitivamente, seu papel: é uma obra de ficção científica que pode ser tranquilamente apreciada por quem nunca ouviu nem falar de Halo na vida. Claro, imagino que os gamers familiarizados com a saga se deleitarão um pouco mais. Falando nisso, fiquei com vontade de jogar Halo após a leitura, que é espantosamente fluida; peguei o livro três vezes e terminei as 300 páginas. E termino também por aqui, com um trecho da orelha do livro: “Leitura obrigatória para os fãs da renomada franquia de jogos e um prato cheio para os exigentes leitores de ficção científica“.

A obra, originalmente lançada pela editora da Microsoft, 343 Industries, saiu por aqui pela Fábrica 231, selo da Rocco voltado à cultura pop.


nota-3


halo broken circle john shirley fabrica 231Tradução: Guilherme Kroll

304 páginas

Fábrica 231

22,8 x 16 x 1,6 cm

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