[LIVRO] Filhos da Lua :. O Legado – Muito mais do que você imagina.

15050426_1398609790151187_1130144229_nQuando recebi da nossa parceira Avec o livro Filhos da Lua, olhei com certa desconfiança a leitura que teria pela frente. Devo ser sincera: de cara, em razão da capa e da temática mais voltada para públicos adolescentes, acabei me deixando levar pelo preconceito literário: imaginei que leria uma espécie de “Crepúsculo” adaptado à realidade brasileira e com avanços linguísticos.
O que posso dizer é que quebrei a cara. O livro Filhos da Lua – O Legado é muito mais do que postam os sites de resenhas rápidas, e vai muito além do que simplesmente a movimentação dialética e situacional de personagens em um cenário feito para agradar.

Marcella criou uma mitologia própria, com argumentos e justificativas para a gênese de um povo. Um novo Universo foi criado, enfim.

Marcella Rosetti, com quem eu fiz questão de entrar em contato, dada a empolgação com a obra. Conseguiu escrever um livro que, sem pretensão mercadológica, mas com todo querer de uma obra literária, possui uma densidade capaz de sobrepujar todas as aparências.

Filhos da Lua não é um Livro comum. É um Page Turner no mais puro sentido do termo.

Mas vamos por partes… Nem que sejam as dilaceradas por Pérfidos.

Bianca… Bley!

Conhece a ti mesma...

Conhece a ti mesma… E nunca mais serás quem foi.

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Posso te chamar de Pérfido?

A história começa com as perturbações de Bianca, uma jovem de dezesseis anos de idade que acabou de se mudar para Santos, em São Paulo, com sua irmã mais velha, Laura.

Bianca e Laura estão habituadas a estarem sempre mudando de cidade, em razão – a priori – do trabalho de restauradora de Laura, que faz com que as irmãs tenham uma vida incerta, indo de um lugar ao outro, vivendo muito pouco em muitas cidades Brasil afora.

Tendo perdido os pais, vivendo com paradeiro incerto e contando com Laura como sua única família, Bianca ainda precisa lidar com perturbadores sonhos que a arrebatam da cama durante o sono, fazendo com que ela tenha crises sonambúlicas perigosas, agitadas e problemáticas.
Sua vida começa sofrer as mudanças mais intensas quando, instalada na cidade de Campinas, Bianca inicia seu período letivo em um colégio da cidade. No Colégio, imediatamente a jovem faz alguns amigos. Mas… algo está diferente. Algo faz com que ela se sinta diferente, ainda mais tensa, mais perturbada. Após fazer amizade com o tímido (e nerd…. muito nerd) Renan e Nicole, uma menina confiante e diferente, Bianca começa a se sentir mais enturmada, apesar do grande impacto ao descobrir um trio de alunos que deveria ser incomum, mas não é.

Conhecer o Vitor, Rafaela e, sobretudo, Lucas, o queridinho das garotas por sua beleza que chama a atenção, parece ser o ápice de sua nova vida.

Entre Lobos

Bianca se vê em uma situação incomum logo que se depara com Vitor, Rafael e Lucas no colégio – e desmaia no primeiro dia de aula, para começar seu período letivo com o pé direito. Contudo, as pressões fortes na cabeça, aparentemente causadas pela presença dos novos colegas, e o sonambulismo eram problemas tolos frente ao que esperava a jovem Bianca.

A menina, ao sair do colégio e já tendo feito amizade com Renan e Nicole, sofre um trauma terrível ao ir parar, por acaso, em uma cartomante misteriosa e, sem querer, acaba indo de encontro a um artefato capaz de chamar-lhe a atenção apenas pelo aroma extremamente adocicado. Talvez doentiamente adocicado. O estranho artefato, escondido naquilo que parecia ser a parte dos fundos do salão da cartomante, no entanto, não era apenas uma estranha ânfora envelhecida, como sua aparência indicava…

De repente, Bianca começa a se sentir como se um de seus pesadelos tivesse tomado vida. O estranho objeto que desprende o odor enjoativo começa a pulsar e criar veias escuras que se espalham como as raízes de uma árvore, tomando tudo o que há em torno. E logo em seguida, Bianca é puxada de encontro ao estranho e pavoroso artefato, quase tendo sua vida arrancada – ou sua sanidade, pois nada consegue fazê-la acreditar que o que está vivendo é real, àquela altura.

Mais forte do que imagina, Bianca consegue se livrar do demoníaco ser que a puxa para a morte certa. Fere gravemente a mão, como prova de que talvez sua loucura não seja assim tão palpável… Ou, pelo contrário: fere a mão talvez para sentir que sua loucura é mais grave que imaginara.

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Mas suas descobertas estão longe disso. E longe de terminar.

Nesse meio tempo, Bianca se prepara para ir à Matinê de Inauguração do Barba Azul, que sua irmã Laura ajudara a reformar. Ela, Nicole e Renan estão animados para o encontro na casa noturna.

Sobretudo Bianca, cuja expectativa é encontrar uma vez mais belo e misterioso Lucas.

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Rafaela, Vitor e Lucas

Ninguém esperava, no entanto, que um grupo liderado pelo Pérfido Alfa de Alcateia, Marco Baumer, tivesse, da forma mais cruel, e, por que não me permitir dizer, sarcástica, se apossado do Tau e com ele estivesse em busca do Elo Perdido.

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Enquanto corre a esperada festa de abertura na belíssima Casa Noturna Barba Azul, o Tau é levado até o local e discretamente instalado. Repentinamente, mesmo na companhia de Lucas, e sentindo-se atraída pelo clima que surge entre os dois, a jovem é compelida a seguir o aroma adocicado familiar.

No meio das luzes azuladas, da música alta e adolescentes dançantes, o Tau é ativado por Carina, uma Karibari que, apesar de não ser de natureza Pérfida, é uma traidora.

Desse momento em diante, toda noção de realidade passa a ter outra conotação para Bianca, que presencia um verdadeiro banho de sangue que chega a ter como uma das vítimas sua própria irmã, Laura.

A partir desse momento, toda a verdade é deflagrada para a jovem, que é descoberta como a última da sua linhagem, a Última farejadora.

Não… nada era loucura.

Ou… A LOUCURA COMEÇA AGORA

Entre Corvos:

As linhagens de Filhos da Lua tem problemas que vão um pouco além de simplesmente sua desavença com os pérfidos, além das visíveis competições entre alcateias. O convívio com os humanos não é de todo normal e pacífico. Embora haja um tempo de paz (O Ciclo da Trégua) o medo é inerente ao homem e, como seres humanos, tendo em vista as sanguinárias ações dos Pérfidos, uma Ordem de Caçadores intitulada de “Corvos”, agindo sob a égide de São Bento, luta contra os Filhos da Lua por não confiar-lhes a proteção da raça humana. A todo momento os caçadores invocam frases da oração daquele que, santificado, viveu na companhia de um Corvo por uma parte de sua vida.

Como antagonistas, mas, ao mesmo tempo, guardiões da raça humana, os Corvos se mostram como seres humanos de boa índole e intenções puras, mas de características e ações bastante agressivas.

Não queira estar no caminho de um Corvo.

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“Eius in obitu nostro praesentia muniamur”
C S P B: Crux Sancti Patris Benedicti
C S S M L: Crux Sacra Sit Mihi Lux
V R S: Vade retro, satana!
N S M V: Nunquam Suade Mihi Vana
S M Q L: Sunt Mala Quae Libas
I V B: Ipse Venena Bibas

Os Corvos, são apenas mais uma pedra nesse caminho recheado de rochas pontiagudas.

O Tau

De aparência tão bela e inofensiva quanto a de uma ânfora Grega de cor enegrecida (o que na época poderia ser algo até mais valoroso, dado o preço do Betume), o Tau fora deixado na terra como o que poderia ser chamado de um cruel “presente de grego” por Hoark através dos Pérfidos, para exterminar a raça a humana. O artefato místico é a consolidação ou concretização da vingança do deus ciumento, e alvo da busca dos Karibaki, que desejam proteger os humanos. Sua ativação pode causar todo o mal. O Tau não pode cair nas mãos erradas.

Muito menos nas mãos dos Pérfidos.

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Misterioso Julian

Um Furtivo líder de uma Alcateia mais velha e mais treinada, cheio de marra e de contatos e ações muito misteriosas, Julian tem uma relação pouco agradável com seu poderoso pai, Walter Ross, e demonstra muito pouca – ou melhor dizendo nenhuma – simpatia pela novata Karibaki. Não bastasse toda sua ingenuidade perante todas as coisas, Bianca é o Elo Perdido, filha da falecida Ágata Bley, uma peça essencial para a esperança e levante dos Karibaki. E isso não parece agradar nada o jovem Furtivo de caráter colérico e rapaz.
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Não seria de bom tom revelar o que se passa por trás de tudo aquilo que a soberba e o mau humor de Julian encobrem. Mas posso prometer que vale a pena segui-lo nos detalhes.

Até na jaqueta caríssima. 😛

A Mitologia dos Karibaki

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Ao traçar a origem dos Filhos da Lua, Marcella tratou de criar toda uma mitologia, provida de uma origem, uma razão primordial, articulações políticas, razões humanas e não humanas, sentimentos que formam volições, motivações que elevam “fazeres”.

Um povo misto, dividido em “castas”, uma língua, habilidades específicas para cada casta ou linhagem, objetivos específicos e a missão de serem, como adotivos Filhos da Lua, protetores da raça amada da Mãe Terra. Assim inicia-se a caça dos Furtivos, Furiosos, Farejadores, Destemidos e Uivadores (além de seus parentes) por seus irmãos traidores: Os Pérfidos.

E entendendo essa mitologia, entendemos um pouco mais desse Universo maravilhoso de Humanos que podem tomar forma Lupina. Mas que ODEIAM ser chamados de Lobisomens.

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Sentido a história: ESTEJA PRONTO(A)

Em uma conversa com a autora Marcella Rosseti, – muito simpática e aberta ao público, diga-se de passagem – fiz algumas considerações sobre a fluidez da leitura, o dinamismo dos acontecimentos e a rapidez com que cada coisa acontecia, fazendo com que o leitor (no caso, eu e você) sentisse ao acompanhar o fantástico livro. É inacreditável notar que Filhos da Lua tem algo pulsante, maior que a maior parte dos livros tem.

Ao mencionar que, ao ler o livro, algumas músicas não me saíam da cabeça… como se o livro fosse um filme com uma forte trilha sonora ao fundo, Marcella, ao ler minha mensagem, me passou de imediato um documento com a listagem de músicas que ela usou no processo criativo do livro.

Pois é…

Não revelarei as músicas… Mas posso sentir que você leitor saberá do que estou falando ao ler. Você ouvirá cada batida.
Eu acertei a música porque o livro vibra. 

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O Legado não é livro conclusivo. Pelo contrário: ele é o início de uma história grande, cheia de reentrâncias e muita adrenalina.

Em verdade, somos apresentados a um novo universo e a novas realidades e conceitos de vida junto com Bianca. Junto com ela, vivemos os momentos de medo, ação, fúria, vergonha, força, alegria e dúvida.

Em O Legado somos apresentados ao Mal que gerou o Bem, e ao Bem que gerou o Mal, a história, as linhagens, as razões que levam a cada desafeto e a cada querer ou não querer e, por outro lado, somos levados a caminhos que levam a mais questões, mais dúvidas, mais curiosidades que nos deixam com água na boca pela próxima etapa da história dos Lupinos… ops… dos Karibakis…

Não poderiam arranjar uma Karibaki melhor para ler esse livro

Não poderiam arranjar uma Karibaki melhor para ler esse livro

O livro não é, certamente para adolescentes APENAS. A complexidade dada à história, às famílias, às habilidades das linhagens e à organização do refúgio merecem atenção especial da audiência NERD, uma vez que transcende as expectativas daqueles que acreditam que lerão simplesmente uma história pop love para “meninas”.

NÃO!

Tem muita adrenalina, história, intriga política, ação, sangue e expectativa. Filhos da Lua é um livro a ser lido, com certeza!


filhos da lua o legado marcella rossetti avec editora capaAVEC Editora

Brochura

23 x 15,8 x 4,4 cm

488 páginas

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