[LIVRO] “Eu sou Malala’ – Edição Juvenil (resenha)

malala-yousafzai

“Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo” – Malala Yousafzai

Quando tive a oportunidade de ler “Eu sou Malala” fiquei empolgado com a chance de me informar sobre uma realidade que geralmente é simplificada nos noticiários televisivos além de conhecer melhor a história de Malala Yousafzai. Eu já havia ouvido falar sobre Malala, mas confesso que sabia muito pouco a respeito dessa jovem e sonhadora paquistanesa.

Malala Yousafzai é membro da tribo patchum que se estende pelos territórios do Paquistão e do Afeganistão. Nasceu em 1997, filha de Ziauddin Yousafzai, seu pai uma figura inspiradora. Ele fundou três escolas, sendo uma delas a Escola Khushal para meninas, escola que Malala frequentava com suas amigas. Tor Pekai Yousafzai é sua mãe, que deixou sua aldeia nas montanhas quando se casou com Ziauddin. Mudaram para Mingora, a maior cidade do Vale do Swat, no noroeste do Paquistão. Malala ainda tem dois irmãos, Khushal e Atal com os quais vive em “pé de guerra”.

Sonhadora, Malala sabe que é na educação que pode conseguir um futuro enriquecedor. Ela desejava ser médica e para isso dedicava-se nos estudos. Sabendo da importância que a educação tem para a vida, Malala quer todos que possam ter direito ao conhecimento, e desde criança, observando sua realidade, a menina sonha em levar educação para aqueles desprovidos. No livro, é interessante notar suas observações sobre a condição das mulheres de sua comunidade, onde a grande maioria não sabe ler, inclusive sua mãe. Tradicionalmente, cabia à mulher o papel de apenas casar e cuidar da família do marido.

B4fea_yCEAECE15A vida de Malala começa a mudar quando a sombra da ameaça do Talibã paira sobre sua cidade. O medo e terror provocados pelo extremismo religioso mudam a vida das pessoas de Mingora, e todos aqueles acusados de cometer pecados devem ser punidos. Um dos pecados graves para o grupo Talibã é a liberdade que as mulheres de Mingora gozavam, pois saiam desacompanhadas, já que deviam viver em reclusão doméstica usando somente a burca. Também proibiram as meninas de frequentarem escolas. Diversos colégios dedicados a meninas são explodidos pelo Talibã, e quando o grupo terrorista chega a Mingora, a Escola Kushal onde Malala estuda também é ameaçada.

Mas Malala não se abala. Aqui está a grande força que te segura por todo livro. Confesso que ficava apreensivo em virar a página e descobrir que o Talibã havia destruído a casa de Malala ou destruído sua escola. Porém, a vontade de Malala em ser ouvida, denunciando os abusos do Talibã contra as mulheres, e clamando em favor da educação, me fez querer seguir adiante a cada página, absorvendo a força de vontade que encontrava naquelas linhas.

Malala passou a ser ouvida. Primeiramente falando a TVs e rádios locais, logo depois ganhou voz na BBC e no The New York Times. E mesmo quando a ameaça do Talibã parecia ter saído de Mingora, quando o exército paquistanês tomou a cidade, o terrorismo continuava entre eles.

O pai de Malala, um importante ativista local em defesa da educação, recebia ameaças contra sua vida, mas também continuava inabalável na defesa dos seus direitos e de sua família. Malala, assim como o pai, acaba virando um símbolo de luta pelos direitos das meninas poderem estudar. Um símbolo que o Talibã se propôs a destruir. Quando Malala descobre que sua vida foi ameaçada, tem que tomar a decisão de se esconder por um tempo ou prosseguir lutando pela causa que acredita. A jovem paquistanesa segue adiante, confiante na sua fé e na defesa pela educação. Procura viver sua vida como se o terrorismo não existisse. Continua a frequentar a Escola Kushal preparando-se para os testes finais. Porém, num dia como qualquer outro, Malala retorna de ônibus para casa depois da aula. Era o dia 9 de outubro de 2012, data no qual Malala é baleada na cabeça por membros da Talibã, na época ela tinha apenas 15 anos.

6b92b5f9-9c4d-435c-9fb7-79522c9c167a-620x372

Malala no hospital em Birmingham

Dois membros do Talibã pararam o ônibus e atiraram na cabeça de Malala, ferindo também duas de suas amigas. Com a vida em risco, Malala é levada para diversos hospitais em seu país, mas quando volta do coma induzido, a paquistanesa está em um hospital de Birmingham, no Reino Unido, local onde recebeu o tratamento médico que necessitava, apesar de muitos acharem que ela não sobreviveria.

No tempo em que ficou em coma, Malala recebeu orações do mundo inteiro, e os desejos de rápida e plena recuperação de anônimos e famosos, como Beyoncé e Angelina Jolie. Longe de casa, Malala teve que começar uma vida nova, sua família também se muda para Birmingham. O mundo agora conhecia Malala e sua causa. No dia em que comemorava 16 anos – 12 de julho de 2013 – Malala discursava na assembléia da ONU, e convocava os líderes do mundo a se comprometerem com a educação gratuita para todas as crianças. Confira o discurso proferido por ela:

A Edição Juvenil lançada pela Editora Seguinte, selo jovem da Companhia das Letras, é atraente na sua forma narrativa. É Malala nos contando a própria história como se estivesse contando-a a seu grupo de amigos. Nos confidencia seus desejos e sonhos, sua determinação em estudar, e também como odiava tarefas domésticas. Nos fala das constantes brigas com os irmãos, mas como também isso a fazia feliz vivendo com sua família.

Malala_Yousafzai_Oval_Office_11_Oct_2013

Malala encontra o presidente Barack Obama na Casa Branca. “Também disse a ele [Obama] que, se os Estados Unidos gastassem menos dinheiro em armas e guerras e mais em educação, o mundo seria um lugar melhor.”

Malala é uma jovem única, mas que pode ser identificada com qualquer outra de sua idade, e a edição juvenil de sua biografia tem o poder de alcançar os jovens com tal identificação. São capítulos curtos com uma linguagem de fácil leitura, sem deixar de lado os detalhes que fazem de “Eu sou Malala” um livro ao mesmo tempo inspirador, esperançoso, mas também tenso e apreensivo. É quase impossível não se sentir também ameaçado quando entra em cena o Talibã. Desfrutar das recordações de Malala antes da chegada do grupo extremista, e depois ler os relatos de sua cidade destruída, é uma experiência indicada para aqueles que se interessam pela realidade de várias cidades no Oriente Médio, rendidas ao terror de grupos radicais. Mas apesar das ameças à sua vida pacífica, Malala não se deixava abalar, ela estava decidida em seguir com sua luta. Luta que lhe rendeu conhecimento mundial quando, em 2014, recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Existe também a Fundação Malala, dedicada ao esforço de garantir educação de qualidade para todas as crianças.

A edição ainda traz várias fotos de Malala e sua família em diferentes épocas da vida, assim como um glossário das palavras que estão na sua língua, e uma cronologia dos principais eventos históricos do Paquistão.

“Eu sou Malala – Edição Juvenil” é uma excelente dica de leitura, não apenas para o público mais jovem, mas para qualquer um que se interesse por política internacional, e principalmente por personalidades inspiradoras, que carregam em si a esperança de um mundo melhor. Leia e inspire-se. É uma lição para qualquer um que se desafia para tornar seus sonhos realidade.

eu-sou-malala-como-uma-garota-defendeu-o-direito-a-educacao-e-mudou-o-mundo-edicao-juvenil-malala-yousafzai-8565765628_600x600-PU6ea91c32_1Eu sou Malala – Edição Juvenil
Malala Yousafzai com Patricia McCormick

Tradução: Alexandra Esteche
Lançamento: 03/02/2015

Editora: Seguinte
Formato: 14 x 21
Páginas: 216

Disponível nas seguintes livrarias:

nota-5