[LIVRO] Dorothy tem que morrer: A cruel e sangrenta continuação de “O Mágico de Oz”

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Como seria uma continuação alternativa do nosso bem conhecido “O Mágico de Oz”, contada na perspectiva uma colegial nos dias atuais?

Como seria se ela descobrisse que, ao chegar em Oz, a ordem da história se perverteu em absoluto: as bruxas, boas e más, agora estão unidas contra uma enlouquecida e superpoderosa Dorothy, completamente diferente da doce menina do Kansas, mas convertida a uma feiticeira poderosa, decidida a submeter o mundo aos seus caprichos. E se o Leão, na companhia de Dorothy, se transformasse em um irreconhecível monstro faminto devorador de carne, bem diferente do gentil e honesto animal da história infantil, pronto para destruir qualquer um que estivesse no caminho da expansão do governo de Dorothy. E quanto ao Espantalho, tão obcecado se tornou pela inteligência que, para aumentá-la, não hesitasse abrir crânios e extrair o sumo de cérebros ainda vivos?

Um Homem de Lata bem distante do gentil e dedicado lenhador, que tivera o corpo mutilado pelo machado encantado por uma bruxa. Mas convertido em uma máquina de matar com lâminas afiadas nas pontas do dos dedos, condecorado a capitão, responsável pela guarda do exército de criaturas grotescas e letais que eram frutos das experiências bizarras do Espantalho.

Essa é a premissa de “Dorothy tem que morrer”, da autora Danielle Paige, primeiro livro da série sobre uma adolescente de 16 anos, levada por um tornado com trailer e tudo para um mundo mágico longe do Kansas. Ao chegar em Oz, ela se depara com uma rede de conspirações e conflitos causados pelo retorno de Dorothy, que fora estranhamente corrompida pelo poder, tornando-se uma megera sádica e faminta por magia. Dorothy deseja a magia cada vez mais para si, avançando pelas terras tanto dos munchkins quanto dos wickings, rasgando o solo e drenando o poder que sustenta aquele mundo de suas entranhas a fim de escravizar e controlar Oz. Sob seus esforços, as paisagens adoecem, se reduzem a vegetações estéreis e cinzentas, e os povoados são dispersos e reduzidos a ruínas. Tamanha é sua voracidade que nem mesmo o dia e a noite escapam de Dorothy. Ela decide quando o sol nasce e se põe, dependendo de seu humor.

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Quando o Rodrigo me disse o título do livro, imaginei que se tratasse de um mashup (estilo literário híbrido que funde obras, geralmente clássicas com pop) que misturaria “O Mágico de Oz” e “Kill Bill”, de Tarantino. Mas, pela minha leitura, a história não pretendia tal. Paige escreveu muito mais que as aventuras e desventuras de Amy, uma moça desajustada e pobre que deseja voltar para casa. A adolescente é recrutada e treinada pela “Ordem” das bruxas rebeldes para a assassinar a tirana Dorothy. “Dorothy tem que morrer” é, ao mesmo tempo, uma história com um toque forte de perspectiva adolescente em fase de descobertas, e, também, uma saga violenta, generosamente embevecida de sangue em meio a explosões de magia multicores provocadas por bruxas absolutamente elegantes.

Há uma questão bastante abordada: a relativização do bem e do mal, e da perspectiva moral. A protagonista Amy, junto de Star, a ratinha de estimação de sua mãe, caem, literalmente, num mundo onde bruxas boas e más se unem para trazer de volta o velho equilíbrio às terras de Oz, o que significaria criaturas más tentando chegar a um bem último. Por si, a ameaça do mal por um mal maior me levou a perceber uma dimensão bastante grave que a história pretende abordar. No entanto, Amy percebe que não deve ceder a aparências, ou confiar nos componentes da Ordem. (As próprias bruxas constantemente aconselham que Dorothy não acredite absolutamente em ninguém, nem nelas mesmas). Nem em Nox, o rapaz por ela apaixonado, pondo em xeque até o amor. A desconfiança aumenta ao ponto de Amy suspeitar de si própria, e de suas habilidades crescentes de feitiçaria, imaginando se o poder não a tornaria algo igual a Dorothy.

Tais questões levam a história a uma distância considerável da obra escrita por Baum, muito diferente da proposta do clássico em ser apenas uma história sem cunho moral. O romance de Paige assume, assim, identidade própria, uma mitologia, na minha opinião, por total independente. Muito além de uma jornada de volta para casa, como é o clássico “O Mágico de Oz”, “Dorothy tem que morrer” agradará àqueles que desejam embarcar em uma aventura repleta de reviravoltas e muita ação ao paladar do leitor que adora explosões e sangue.


Obs.: Quanto à minha experiência pessoal com livro “O Mágico de Oz”, você poderá ler a resenha que escrevi para o blog Papel Papel aqui. Aconselho também a leitura de outras quatorze obras de L. Frank Baum que expandiram o universo de Oz, além das continuações, por Ruth Plumly Thompson e John R. Neil, entre outros diversos autores.


dorothy tem que morrer danielle paige rocco capaRocco

Brochura

22,6 x 15,8 x 1,6 cm

384 páginas

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