[LIVRO] Cruzando o Caminho do Sol, de Corban Addison (resenha)

Em dezembro de 2004, um terremoto de magnitude 9,1 na costa da província indonésia de Aceh desencadeou um tsunami no Oceano Índico, causando a morte de cerca de 226 mil pessoas na Indonésia, Sri Lanka, Índia, e outros nove países. Só na Índia foram 12.405 vítimas fatais, cerca de 1,8 milhões de desabrigados ao todo.


Nesse cenário de devastação e dor, as irmãs Sita e Ahalya, 15 e 17 anos respectivamente, perdem a família, posses e quase a vida no tsunami que chegou à costa leste da Índia, onde moravam. Desabrigadas e sem família, as irmãs resolvem ir pedir ajuda no colégio de freiras onde estudavam. No caminho até lá suas vidas dão mais uma reviravolta, quando as meninas são sequestradas para fins sexuais. Separadas uma da outra, elas têm destinos em diferentes lugares do mundo, desde Paris a New York, num quadro onde se explora o universo do tráfico internacional de pessoas. Começa aí uma luta por sobrevivência e reencontro.

Ahalya é levada para um prostíbulo, abusada de todas as formas possíveis, massacrada e escravizada, enquanto Sita é levada à França. Trabalhando em regime também de escravidão, e constantemente sob ameaça de estupro, além de ser obrigada a gravar vídeos eróticos para pedófilos, a menina percorre vários países, sendo usada para os mais variados fins.

Quando a vida das meninas parece uma agonia sem fim, surge na história o advogado, a princípio inescrupuloso e oportunista, Thomas Clarke, que conduz a trama. Através de uma  sucessão de acontecimentos, Ahalya e Thomas acabam se cruzando. A menina é resgatada do prostíbulo e implora por ajuda para encontrar sua irmã. Thomas é também uma espécie de alter ego do autor, o livro sendo, então, uma ficção, mas com elementos autobiográficos, já que Corban Addison, além de escritor, é também um advogado interessado em causas humanitárias.

A livro já começa com os acontecimentos passando rapidamente, de modo que é preciso atenção para não se perder em detalhes. Ainda assim, não é uma leitura extremamente instigante, talvez pela cultura indiana não me encher tanto os olhos. Apesar disso, o desenrolar do livro é muito interessante, e os personagens são muito bem construídos, quase como se fossem biográficos. E há citações muito boas a cada novo capítulo.

Cruzando o Caminho do Sol é aquele tipo de história que de cara você não dá nada, mas que acaba sendo uma surpresa gostosa.


Novo Conceito

Brochura

22,8 x 15,4 x 3,4 cm

448 páginas

Disponível nas seguintes livrarias:

Amazon

Submarino

Saraiva