[LIVRO] Coração Satânico, de William Hjortsberg (resenha)

Há um certo endeusamento nos clássicos, sejam eles de qualquer esfera; cinematográfica, literária… Mas a verdade é que muito da magia de uma obra de renome se perde na época em que foi escrita.

A primeira vez que li Coração Satânico não tinha mais que dez ou doze anos. É, fui uma criança singular. Á época o clássico me pareceu mais interessante. Hoje, no auge dos meus 300-277 anos, tive uma visão diferente. Mas, antes da minha opinião propriamente dita, vamos ao contexto da obra.

Um detetive particular, Harry Angel, tem seus serviços contratados por um cliente duvidoso, mas rico o bastante para pagar um bom salário e afastar por um tempo a curiosidade de Angel. Fazendo-o convenientemente esquecer a estrela de cinco pontas de cabeça para baixo em sua lapela, e aqueles olhos perscrutadores que cercam seu empregador.

O caso não poderia ser mais simples: se certificar se o ex-cantor Johnny Favorite ainda estava internado em coma no hospital. O mesmo tinha uma dívida a pagar ao contratante de Harry. A história em si começa quando Harry descobre que Favorite há muito fora tirado do hospital. Daí em diante o detetive conduz uma investigação onde as pessoas com informações mais relevantes sobre o desaparecido acabam macabramente (essa palavra existe?) assassinados, incluindo seu médico particular, sua ex-noiva e um músico de Jazz proeminente em sua época. Todos abriram a boca demais, Johnny também parece ter aberto.

Em meio às investigações, o cliente de Harry parece cada vez mais suspeito, sendo ele a maior surpresa ao final do livro, ou a menos óbvia.

Acredito que toda história acrescenta algo a quem a lê. Coração Satânico me ensinou um pouco sobre voodoo e, de certa forma, a quem se deve ou não prestar lealdade. E que escolhas difíceis têm consequências difíceis. Ainda assim, não é uma leitura instigante. Acompanhar Harry Angel me deu algumas horas de distração, e um ou outro momento de bizarrice bem vinda. Afora isso, não é uma leitura que eu fique ansiosa para repetir num futuro talvez distante.

 


DarkSide Books

Tradutora: Carla Madeira

Capa dura

21,4 x 14 x 2,6 cm

320 páginas

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Saraiva