[LIVRO] Contagem Regressiva, de Ken Follett (resenha)

Acordar depois de uma noite de bebedeira pode ser bem complicado. Algumas ressacas são violentas. Há até quem não se lembre de muita coisa da noite anterior. O mendigo que acaba de acordar no banheiro de uma estação de trem não se lembra de nada.

Luke não lembrava nem do próprio rosto, tamanho o susto que tomou ao olhar no espelho da estação. A bem da verdade, sabia que seu nome era Luke porque o mendigo que estava ao seu lado o tinha dito, o que acabou sendo estranho. O rapaz pareceu se arrepender por uns instantes ao se referir a Luke pelo nome. Talvez imaginasse que aquilo abriria espaço para uma conversa chata.

Deveria ser algo normal; um alcoólatra que bebera demais e não se lembrava de nada. Mas Luke não se lembrava de ter bebido ou que bebia ou de qualquer outra coisa.

Fora da estação de trem o mundo estava frenético ante a expectativa do lançamento do primeiro satélite dos Estados Unidos. O lançamento, que já havia sido adiado algumas vezes, era a esperança do país para alcançar a então União Soviética na corrida espacial.

Após algumas horas como mendigo, Luke se convence de seu estado deplorável, embora a sensação de que está sendo observado não saia de sua cabeça, algo como um senso de perigo, assim como a sensação de que está bem cuidado demais para quem (supostamente) passou anos na rua.

Ao observar em um jornal a notícia do lançamento de um foguete, ele percebe que sabe demais sobre os dados do foguete, sua estrutura, coisa estranha a um mendigo. Conforme as horas vão passando, as desconfianças de Luke se tornam cada vez mais verossímeis, e sua vida cada vez mais ligada ao lançamento do satélite.

Contagem Regressiva é o tipo de livro que não te deixa respirar entre uma informação reveladora e outra. Demorei para engatar na leitura porque, bem, nomenclatura espacial nunca foi meu ponto forte, mas depois de algumas não consegui parar de ler até saber qual a verdadeira história por trás da falta de memória de Luke. E desvendar através dele segredos do passado, de amores mal resolvidos e histórias meio contadas.

O plano de fundo em que o livro é ambientado também é fantástico. Poucas vezes li algo com a  temática da Guerra Fria que não fosse tedioso. Ken Follett conseguiu desenhar no imaginário muito bem o que foi essa época obscura de paz armada.


Editora Arqueiro

Tradução: Calado Alves

Brochura

22,8 x 15,6 x 2,4 cm

320 páginas

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