[LIVRO] Comboio de Espectros, de Duda Falcão (resenha)

Recebi em mãos há algum tempo atrás (mas, como o tempo nunca é ao meu favor, só agora consegui um tempo para saborear essa agradável literatura de pulp/horror), o quarto livro do escritor (excelente, eu diria) Duda Falcão. Uma antologia de onze histórias de terror no melhor estilo pulp.

Sinopse: 

Ele está de volta! Depois de Mausoléu e Treze, o Anfitrião retorna do túmulo para horrorizar os leitores com suas histórias macabras, de medo e de sangue. Espíritos vingativos, mortos-vivos, criaturas infernais, divindades antigas e constructos enlouquecem os protagonistas privando-os da sanidade e da própria vida.

“– Não vou pronunciar o nome dele para vocês – continuou Gil, sem dar conta do comentário. – Mas era um espírito antigo. Zombou de mim, de nós, quando vimos o assassinato do seu pai. Ele sabia. Contou como as coisas ocorreram nos mínimos detalhes. Eu não deixei que falasse mais, ocupava o corpo de um garotinho boliviano.”

O prefácio é de Braulio Tavares, que elucida muito bem sobre o gênero pulp, nos contando um pouco de sua história e seus escritores (e que escritores maravilhosos possui o gênero pulp). Imortalizado por gênios como Allan Poe, Lovecraft e o meu favorito, Robert E. Howard, isso para não citar outros tantos escritores extraordinários. E Duda nos entrega uma escrita arrebatadora e visceral (com um maravilhoso humor negro).

“- O monstro gargalhou, deixando que uma baba viscosa verde escorresse pela boca. Os olhos vermelhos, injetados de sangue, me fitavam aguardando a resposta. Eu o pressionei, ordenei que me dissesse como encontrá-los! Se quiser saber, volte amanhã, foi sua resposta carregada de veneno.”

O conto que dá nome ao livro te envolve de uma maneira magistral! Você começa a lê-lo e fica tentando juntar as peças e decifrar o que realmente está acontecendo (eu diria perdido em meio à escuridão), mas aos poucos o quebra-cabeça vai se anexando e formando um desfecho de tirar o chapéu.

“De vez em quando, o demônio que habitava o seu corpo conseguia se manifestar.”

Os outros contos permeiam por diferentes épocas, lugares e horrores (sim, diferentes horrores), que fazem você querer saber mais sobre cada um e onde isso te levará. Blackmoon com certeza é um personagem que despertou minha curiosidade (Você tinha minha curiosidade. Agora você tem minha atenção.” – Sacaram a referência?). Ele é um personagem que merece ter suas aventuras contadas em um livro inteiro, um domo dedicado somente a ele.

“Quando a vi, pensei que se tratava de um delírio. Mas ela era como as outras. Com apenas uma diferença. Estava só. Ao invés de encontra-la reunida com iguais de sua espécie, cercada por um bando de furiosos protetores.”

Gostaria de saber mais sobre o caminho do pesadelo apresentado pelas flores (pensarei duas vezes ao dar um buquê de violetas para minha musa inspiradora). Pra quem gosta de um bom rock (rock é vida!) irá se deliciar com a abertura de um dos contos (que sacada genial), onde um trio de bandidos converge na estrada para o inferno. Ao longo das narrativas, você se encontrará defronte a golens, cavaleiros (preciso conhecer seu desfecho), exércitos de mortos vivos, criaturas de outros mundos, outras que farão você conferir seu travesseiro antes de se encontrar com Morfeu. Além de presenciar a luta interna entre a besta e seu hospedeiro. Você, caro leitor, pensará duas vezes antes de adentrar na próxima sessão de cinema (ainda mais se for o lançamento de terror do ano).

“Com movimentos cirúrgicos, cortei pequenos cipós que envolviam seu frágil caule e, em seguida, escavei a terra preta ao redor dela.”

O domo é fruto da parceria entre as Editoras AVEC e Argonautas, que fazem um excelente trabalho de edição e publicação. A capa e contracapa se unem para nos apresentar alguns dos personagens que surgem ao longo da antologia. As ilustrações são de Fred Macêdo. Destaque para o fantasminha ao longo das bordas verticais de cada página, que se desloca por elas quando o livro é folheado rapidamente.

“- Sou também cirurgião. Acredito que com a direita posso fazer um bom trabalho com seu olho. Prefiro ter dois a apenas um.”

Parafraseando Braulio Tavares “Os contos de Duda Falcão, de que este Comboio de Espectros é um exemplo vívido, mantêm traços marcantes desse tipo de ficção, e talvez o mais interessante desses traços seja a noção de um gênero que não se constitui em obras isoladas, textos independentes, mas na interligação que há entre eles”. Nosso país está repleto de mentes brilhantes e ávidas em nos mostrar que o horror, o fantástico, o ficcional estão nos aguardando, e querem nos levar a lugares de onde não queremos sair, mesmo que esse lugar seja sombrio e assustador.

“Arte humana ainda é o nosso maior dom.”


AVEC Editora e Argonautas

Brochura

20,8 x 14,2 x 1,5 cm

208 págins

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