[LIVRO] Arquivos Serial Killers, de Ilana Casoy (resenha)

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Texto de Monique Costa

A cada leitura que faço da série Crime Scenes da DarkSide Books, eu me apaixono mais pela editora! Mas dessa vez, muito do mérito vai para a escritora Ilana Casoy. E antes de falar sobre o box de livros, é interessante saber quem é ela.

Ilana Casoy

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Pesquisadora, escritora, formada em Administração pela FGV, e Especialista em Criminologia pelo Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM), Ilana já atuou em diversos segmentos que envolvem crimes. Colaborou com a Polícia Civil e/ou Técnico Científica, Ministério Público e Advogados de Defesa de São Paulo e de outros estados para ajudar na elaboração da análise criminal de casos em andamento.

Além dos dois livros apresentados aqui hoje, a autora ainda tem dois outros livros sobre casos bastante famosos aqui no Brasil: “A Prova é a Testemunha”, relato inédito do Caso Nardoni, e “O Quinto Mandamento – Caso de Polícia”, sobre o assassinato do casal Richthofen. E participou também em história ficcionais, como na criação de um perfil do psicopata Dexter Morgan, a convite da Fox Brasil, e atuou como colaboradora na série escrita por Gloria Perez e dirigida por Mauro Mendonça Filho, “Dupla Identidade”, onde Bruno Gagliasso interpreta um serial killer inspirado em Ted Bundy.

Resumidamente: a mulher é f*da! E vocês podem ter a comprovação com os livros a seguir (ou no site oficial da autora).

Serial Killers – Louco ou Cruel?

arquivos serial killers louco ou cruel ilana casoy darkside books frenteNeste primeiro livro, a minha curiosidade já foi despertada pelo título. Apesar de já ter lido e visto diversos materiais a respeito, eu nunca tinha realmente me questionado sobre a real natureza desses indivíduos: loucura ou crueldade?

E se engana quem pensa que a resposta é clara ou que a autora pende pra um dos dois lados. Ao longo do primeiro capítulo vários fatos são apresentados, sob diversas perspectivas médicas e psicológicas, que por vezes aumentaram ainda mais a minha dúvida sobre a questão.

Durante a leitura, conhecemos mais sobre as divisões, fases, aspectos gerais e psicológicos, perfis e dados que chocam e intrigam qualquer um. Somos apresentados também aos métodos investigativos, que me gerou uma vontade de sair bancando a detetive por aí. E tudo isso em nem metade do livro!

Os capítulos subsequentes são dedicados a apresentações detalhadas de 16 casos marcantes de serial killers ao longo do século XX. E quando eu falo “detalhadas”, eu não estou de brincadeira. Os perfis e crimes são destroçados, com uma minuciosidade que pode fazer os leitores mais sensíveis desistirem facilmente da leitura.

Ao chegar à casa, Dennis Nilsen já imaginava encontrar a polícia o aguardando. Três detetives o abordaram, disseram-lhe que a carne encontrada no encanamento era humana e perguntaram onde estava o resto do corpo. À queima-roupa, Nilsen respondeu: “Em sacos plásticos, no armário perto da porta. Eu mostro a vocês”.

Atônito, sem esperar por resposta tão direta, o detetive Jay perguntou: “Algo mais?”

Nilsen respondeu: “É uma longa história. Vou contar tudo. Quero tirar tudo isso do meu peito, mas não aqui, na delegacia”. Jay ainda arriscou: “Estamos falando de um corpo ou dois?” Nilsen, sorrindo meio sem jeito, respondeu: “15 ou 16 desde 1978…”

Página 267

Ilana nos faz entrar na cabeça dos assassinos, adequando cada narrativa à personalidade do indivíduo em questão. Manter a sanidade em alguns momentos é realmente um desafio, com todos os fatos expostos de uma maneira tão objetiva.

E esse é um dos pontos que mais me chamou atenção: ela não perde tempo com palavras sensacionalistas exaltando repetidamente a maldade destes serial killers. Todos reconhecemos as atrocidades, e sabemos que é errado. Não há necessidade de reafirmação. Posso garantir que as 360 páginas são bem gastas com uma ótima edição e descrição dos casos, como qualquer interessado pelo assunto gostaria de ler.

Além deste fator, há outro também muito interessante: os anexos. Este capítulo final é dedicado a algumas curiosidades gerais. Tabelas com serial killers pelo mundo, os apelidos, casos sem solução (incluindo Zodíaco e Jack, o estripador), métodos de execução e os países que os adotam ou não, e as frases famosas do universo serial killer .

Nós, serial killers, somos seus filhos, seus maridos, estamos em toda parte. E haverá mais de suas crianças mortas amanhã. Vocês sentirão o último suspiro deixando seus corpos. Vocês estarão olhando dentro de seus olhos. Uma pessoa nessa situação é Deus! – Ted Bundy

Página 97

Serial Killers – Made in Brazil

arquivos serial killers made in brazil ilana casoy darkside books frenteAo menos pra mim, sempre foi natural lembrar de nomes como Ted Bundy, Jeffrey Dahmer e John Wayne Gacy quando ouvia o termo “serial killers”. Mas depois de terminar a leitura de Serial Killers – Made in Brazil, isso já não acontece mais. Agora já consigo pensar facilmente em nomes como Vampiro de Niterói, Monstro do Morumbi ou Chico Picadinho.

Por mais que eu soubesse da existência desses casos, nunca havia realmente me dedicado na leitura deles. E tenho que dizer: a sensação não é muito boa. Pensar que existem serial killers, extremamente cruéis e sanguinários, aqui nas terras tupiniquins, vivos, e que cumprem pena apenas por burocracia (alguns já cumpriram todos os anos de prisão), é um tanto quanto assustador.

São apresentados desta vez apenas 7 casos: Preto Amaral, Filho da Luz, Mostro de Guaianases, Chico Picadinho, Monstro do Morumbi, Vampiro de Niterói e Pedrinho Matador. Os relatos iniciais (e também mais antigos) não têm tanta descrição, mas isso não os torna menos brutais do que os demais.

Dentre os assassinos, três deles Ilana entrevistou pessoalmente, e transcreve para nós no livro. Com o Vampiro de Niterói – um dos casos e depoimentos mais chocantes – encontramos inclusive um aviso quando inicia-se a descrição dos crimes. E acreditem: não é nada fácil de digerir.

Desafio qualquer ser humano da face da terra que queira apontar os meus defeitos, sem ter que dar margem para apontar os seus erros. – Pedro Rodrigues Filho (Pedrinho Matador)

Página 289

Mas tirando o receio por ser conterrânea dessa “galerinha do mal”, este livro acaba por ser mais interessante. Aqui conseguimos visualizar mais facilmente a realidade desses assassinos. Não que isso abra justificativa para seus atos, obviamente, mas enxergamos com maior clareza as situações em que eles se encontravam. Principalmente no caso do Pedrinho Matador, considerado um justiceiro, que calcula ter assassinado mais de cem vítimas, e que somos apresentados inicialmente com um artigo científico escrito pela autora, denominado “A Trajetória da Formação de uma Identidade Criminosa Científica”.

Outro elemento curioso são as penas cumpridas por eles. Na medida em que aprofundamos a leitura, é inevitável o questionamento sobre o sistema brasileiro. A conclusão de que necessitamos de reformas é certa. Acabei com a sensação de que governo e povo ainda não sabem lidar com esses tipos de casos. Recursos e apoios são escassos, e ainda há muito que se fazer a respeito!

Neste exemplar, se Ilana peca em algo é por atiçar ainda mais a nossa curiosidade sobre criminalidade aqui do Brasil. E bem, isso nem é algo ruim. Novamente sinto que o trabalho dela foi mais que cumprido, e que com certeza irei acompanhá-la a partir de agora.


Extra

No site oficial de “Made in Brazil” é possível ouvir o áudio de uma entrevista com Ilana a respeito dos livros. Vale a pena conferir.


nota-5


arquivos serial killers louco ou cruel ilana casoy darkside books frentearquivos serial killers louco ou cruel ilana casoy darkside books versoDarkSide Books

Brochura

16 x 23 cm

360 páginas

Onde comprar:

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