[LIVRO] Anna e o Homem das Andorinhas, de Gavriel Savit (resenha)

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Os seres humanos são a melhor esperança do mundo para a sobrevivência de outros seres humanos.”

Foi uma honra enorme ler essa obra de Gavriel Savit, e nesse momento sinto ser uma responsabilidade gigantesca falar sobre ela, e me vejo no dever de escolher cuidadosamente cada palavra, pra me fazer merecedora dessa tarefa.

Sou fã de A menina que roubava livros, daquelas que foi até o cinema e chorou antecipadamente recordando de cada parágrafo, da atmosfera criada pela Morte, a narradora da obra. Em cada página eu senti o pesar da miséria, das mortes, da perseguição aos judeus. Eu senti a suavidade do mundo de Liesel, o amor pelos livros, pelos ‘seus pais’. Não achei que sentiria isso novamente, não achei que sentiria tanto amor por um livro a ponto de querer lê-lo novamente (raramente leio duas vezes um mesmo livro). Mas Gavriel conseguiu mudar isso com Anna e o Homem das Andorinhas.

Uma mistura de encantamento e desconfiança se estabeleceu no meu ser quando li na capa que o romance era dedicado a fãs de A menina que roubava livros e O menino do pijama listrado. E mesmo temerosa de que o mesmo não fosse capaz de corresponder às minhas expectativas, dei inicio à jornada literária que, agora posso dizer, superou toda e qualquer expectativa que eu tinha, e me deixou pensativa por longos dias e marcada até o final da vida.

Anna cresce ao longo do livro, e muitas vezes guarda em si todo um universo, por receio de fazer perguntas ao Homem das Andorinhas, aquele que a acolhe e carrega consigo ao longo de sua jornada, sem muito explicar. Boa parte do tempo o livro se desenvolve em uma linguagem muitas vezes silenciosa, apesar de ambos os personagens serem capazes de falar diversas línguas, como alemão, inglês, francês, russo, iídiche e ucraniano, e ainda o Homem das Andorinhas ser capaz de se comunicar com os pássaros.

Em busca das palavras certas, e momentos mais adequados para falar, durante a jornada a beleza se instala justamente em tudo aquilo que não é dito. Por vezes uma beleza triste e pesarosa, fruto do cenário de Segunda Guerra Mundial no qual a obra está situada, e outras vezes a beleza advinda da simplicidade de um ato de bondade, ou de amor, que é percebido de maneira indireta, e retribuído ora com olhares e sorrisos disfarçados, ou uma prece silenciosa.

O Homem das Andorinhas ensina a Anna como sobreviver, e fala sobre os perigos da guerra, ainda que muitas vezes ela queira ignorá-la, fala com a serenidade e a dureza necessárias, e muitas vezes ensina tudo isso na linguagem criada pelos dois: a Estrada. Linguagem na qual os alemães assumem o papel de lobos e os russos de ursos, e o nome Anna não mais pertence à Anna.

No entanto, apesar de toda gratidão existente dentro do coração de Anna pelo Homem das Andorinhas, muitas vezes o mesmo ainda é um desconhecido para ela. E em alguns momentos a mesma irá se questionar sobre esse homem, cheio de segredos, e qual seria exatamente o destino, em busca de que ou quem caminham.

Uma jornada cheia de surpresas, medo, fome, respingos da guerra, belezas tristes e tristezas, mas acima de tudo uma jornada de amor, na forma mais pura e concentrada, principalmente por aqueles que passam a ser a única chance de sobrevivência e o único feixe de esperança existente.

Uma leitura aconselhada para qualquer pessoa que não tenha medo de ser tocada na alma, e sentir no coração o pesar e a tristeza que só os tempos de guerra são capazes de trazer.


anna e o homem das andorinhas gabriel savit fabrica231 capaRocco / Fábrica231

Capa comum

13,5 x 20,5 cm

272 páginas

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