[LIVRO] A Roda da Eternidade, de Neil Gaiman, Michael Reaves e Mallory Reaves (resenha)

Quando comecei pelo último livro da série

A Interzona é como olhar através de um caleidoscópio que mostra imagens de uma centena de outros deles, todos com imagens de coisas, em vez de cores e formas. Há também milhares, se não milhões, de sons, cheiros e texturas. Há lendas sobre Andarilhos que ficaram loucos após a primeira viagem através dela, e eu estava muito a acreditar que essas histórias eram reais.

Página 195

Semana passada, tive a oportunidade de ler A Roda da Eternidade, um romance infanto-juvenil que mistura conceitos de ficção científica, como viagem no tempo, dimensões paralelas, e diversas formas de magia, além da noção existencial partindo da essência da alma. O volume é a conclusão da série EntreMundos, sendo o primeiro livro (EntreMundos) e o segundo (Sonho de Prata) escritos por Neil Gaiman e pelo roteirista Michael Reaves. Este terceiro foi concluído pela filha de Michael, Mallory Reaves, que seguiu as orientações deixadas por ambos.

– NoiteGélida – disse Joeb, pós um momento de silêncio. – O que é isso?

Respirei fundo.

– Basicamente? Um supercontínuo autoperpetuante que reorganiza todo o tempo e espaço em seu caminho.

Página 97

Apesar de eu ter começado pelo fim da trilogia, não me senti perdido. Tanto o enredo quanto o universo infinito foram cuidadosamente situados e bem explicados. Tudo começa quando Joey Harker é recrutado por uma espécie de agência de equilíbrio multidimensional, a EntreMundos, para se tornar um Andarilho. O rapaz descobre que seus companheiros de combate são outras versões de si mesmo provindas de universos paralelos. Há muitas semelhanças e diferenças entre eles. Alguns não são humanos, como o minotauro J’r’hoho, outros são de outro sexo, como Josephine. Há até o caso de gêmeos, Jirho e Jijoo. Entretanto, sem exceção, o nome de todos começa pela letra ‘J’, além de possuírem habilidades específicas junto com a capacidade de atravessar livremente dimensões. Os antagonistas da série são duas facções opostas que decidem se unir contra a EntreMundos: os Binários – espécie de liga de clones controlados coletivamente – tecnologicamente avançados, e os magos da BRUX, liderados por Lorde Dogknife. Eles são responsáveis por criar uma força feita de almas de Andarilhos chamada NoiteGélida, capaz de reconfigurar as dimensões a partir do ponto zero, para que possam controlá-las livremente.

Eu costumava viver na Base com cerca de quinhentas versões de mim, todas com nomes que começavam pelo som de J. Mesmo que seus nomes estivessem em um idioma diferente, ou uma equação matemática, em geral poderia ser traduzido para um som com J.

Página 87

A história começa após a investida de Lorde Dogknife. Joey fora lançado através das dimensões até quedar em sua própria Terra. Então, o jovem Andarilho se acastela em uma versão futura da nave EntreMundos destruída, mas que se encontra num passado remoto de uma das inúmeras versões da Terra, começa sua busca por outros potenciais Andarilhos para formar uma tropa capaz de enfrentar a NoiteGélida.

Joey conta com a ajuda de Tom, uma criatura esférica gelatinosa que habita as Interzonas dimensionais. Tom possui inúmeras habilidades, entre trafegar livremente pelo tempo-espaço e atravessar dimensões, além de se conectar com Joey como uma espécie de simbionte (imagine algo como Venom do Homem-Aranha).

Aquilo era o Lugar-Algum.

Eu tinha estado ali antes, duas vezes. E esperava nunca mais voltar. Era meio como a Interzona, só que enquanto a Interzona era tudo, o Lugar-Algum era nada. Era completamente escuro, não escuro como quanto você não consegue ver nada, e sim mais como se não houvesse nada além da escuridão para ver. Não havia nada ali, além de pequenas luzes que podiam ser estrelas distante ou minúsculas faíscas próximas, e ainda assim você sempre se sentia como ES não estivesse sozinho.

Era o domínio da BRUX.

Página 114

Durante a aventura, me deparei com vários paradoxos temporais que considerei bem justificados, como o funcionamento das linhas temporais. Geralmente o elemento tempo nas narrativas de múltiplas linhas tende gerar contradições. Em A Roda da Eternidade ela é clara e concisa, no entanto, creio que leitores não habituados com noções temporais abstratas possam se sentir perdidos ou achar “louco demais”.

– Não funciona dessa forma – respondi. Conversar com um Agente do Tempo tinha me dado uma compreensão básica dessas coisas, (…). – Ela ainda está ancorada à sua linha do tempo. Ela pode ficar no passado pelo tempo que quiser, mas o tempo vai continuar passando. Se ela ficar por cinco minutos, vai voltar cinco minutos depois de quando saiu.

– Isso é decepcionante – disse alguém. – Qual é o sentido de viajar no tempo se você não pode voltar para corrigir alguns erros?

Página 109

Esses são apenas detalhes dentre os inúmeros fatos interessantes sobre A Roda da Eternidade, que você poderá conferir ao longo de 255 páginas. Tenho certeza que esta é uma obra feita na medida certa para os jovens nerds amantes da ficção científica.


Rocco

Brochura

20,6 x 13,4 x 1,6 cm

256 páginas

Disponível nas seguintes livrarias:

Amazon

Saraiva

Submarino

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