[LIVRO] A Fúria do Cão Negro, de Cesar Alcázar (resenha)

Vingança e justiça com as próprias mãos é o que define essa fantástica história, sobre o mercenário Anrath, o Cão Negro de Clontarf, do escritor brasileiro Cesar Alcázar.

Com um texto direto, sem enrolação e de qualidade, o autor nos entrega uma excelente história. Com vários elementos do gênero Espada e Feitiçaria, a saga de Anrath te prende do inicio ao fim. A escrita de Alcázar lembra muito os grandes mestres, Robert E.Howard e Michel Moorcock, dois dos meus escritores favoritos.

Já o homem com o qual compartilhava a mesa era diferente; sangue e morte estavam ligados a ele de forma intrínseca.

Meu primeiro contato com o Mercenário irlandês / viking foi através da HQ Contos do Cão Negro (que, por sinal, é tão boa quanto o livro – confira as resenhas aqui e aqui) também de autoria do mesmo autor. E quando soube que o Cão Negro de Clontarf também se encontrava em prosa, disse para mim mesmo, parafraseando monsieur Calvin Candie: “Você tinha minha curiosidade. Agora você tem minha atenção”. Fiquei intrigado para conhecer esse personagem visceral.

A trama mostra Anrath em uma busca sanguinária, para punir os homens que mataram sua amiga feiticeira, Grainne. Ela foi morta em meio a uma caça às bruxas, promovida por Ultan e o Padre Lorcain. Mas os caçadores se tornaram as presas. E Anrath não mede esforços para isso (parece que o jogo virou, não é mesmo?). Todos os acontecimentos são contados através de capítulos curtos, alternando entre eventos do passado e do presente (um dos preferidos é o da Águia de Sangue). Os personagens secundários são bem construídos, destaque para Seán, um jovem ladrão que auxilia o Cão Negro em sua vingança. A Irlanda é o local onde se passa a trajetória de vingança. O autor nos mostra um pouco da cultura, e costumes irlandeses. Por exemplo, você sabe o que é um briugu?

Não vou me prolongar mais com a resenha (ou esses dedos que vos escreve lhe trarão spoilers). Uma única ressalva em relação à trama é que o livro é curto demais. As 100 páginas me deixaram com um gosto de quero mais. O livro daria uma boa série de TV, no melhor estilo Vikings ou The Last Kingdom, narrando essa e outras histórias vividas por Anrath (fica a dica).

Desembainhou a espada e a cravou no solo. Em seguida, desafivelou o cinturão e tirou a túnica. Por fim, foi a vez de tirar as botas de pele. Coberto apenas pelas pinturas circulares azuis e pelo desenho do corvo negro, Anrath empunhou a espada outra vez. Lutaria nu como os guerreiros lendários de outrora, que assim o faziam para atirar a atenção e proteção da Deusa.”

Se você gosta de batalhas viscerais, e de um personagem sisudo, deprimido com os acontecimentos ao se redor, que já batalhou ao lado tanto de vikings, como do lado dos irlandeses, e que é uma força sanguinária da natureza, que ninguém pode escapar, com certeza A Fúria do Cão Negro é para você meu caro amigo nerd!


Arte & Letra

Cesar Alcázar

19,8 x 12,4 x 1 cm

100 páginas

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