[LIVRO] A Ascensão das Trevas, de Morgan Rhodes (consertando “erros” do passado)

A Ascensão das Trevas é o terceiro livro da série A Queda dos Reinos, da autora canadense Morgan Rhodes. E no terceiro volume acompanhamos mais uma vez a jornada de Jonas, Magnus, Cleo, Lucia e os demais colírios da Capricho (visto que não tem nem um personagem feio nessa história) em sua jornada atrás da Tétrade.

A situação dos protagonistas no final do livro anterior ficou dessa forma: Magnus descobre que seu pai, Rei Gaius, foi o mandante do assassinato de sua mãe, e Aron o assassino que acaba sendo morto por Magnus; Cleo descobre que Lucia é a feiticeira, e decide se aproximar dela para encontrar a Tétrade; a tentativa de Jonas de libertar os escravos dá errado e ele recebe um golpe que o deixa a beira da morte, mas é salvo por Phaedra, uma vigilante que estava apaixonada por ele, e abre mão de sua imortalidade para salvá-lo, mas acaba sendo morta por outro vigilante logo em seguida; Lucia fica com medo de que seus elementia a transformem em uma pessoa maléfica. Ainda vale citar Lysandra e Nic, que recebem um pouco de protagonismo: Lysandra é capturada pelo exercito limeriano durante o ataque rebelde; e Nic confessa seu amor por Cleo, que o rejeita, mas acaba sendo consolado por Ashur, príncipe de Kraeshia, que foi a Mítica atrás da Tétrade.

O terceiro volume não consegue nos entregar uma leitura no mesmo nível das anteriores. Não é um livro ruim, mas a impressão que A Ascensão das Trevas passa é de que a autora parece ter usado o livro para consertar furos no roteiro dos volumes anteriores, e mudar o rumo que a historia estava seguindo. Pra corrigir isso ela teve que criar mais personagens – algo que ela consegue fazer bem, mas nenhum deles tem carisma ou consegue passar empatia – e apresentar novos conceitos ou informações em cima da hora, para tornar alguns acontecimentos da história válidos.

Todos os personagens parecem determinados a não repetir os fracassos do passado no final do segundo livro, mas a maioria deles comete erros tão bobos, ou até mais que os anteriores, e a história se prende nas consequências de seus erros. Os diálogos entre Magnus e Cleo são sempre os mesmos: uma troca de farpas eterna. Os romances perderam a graça, ficaram artificiais, sem sal, você já não consegue torcer pelos casais, já que a autora não se decide quem fica com quem. Magnus era apaixonado por Lucia, mas no final do livro ele está apaixonado por Cleo; Jonas não sabe se está gostando de Cleo ou de Lysandra; e Cleo não sabe se sente algo por Jonas ou por Magnus, mesmo ele tendo matado o “verdadeiro” amor da vida dela Theon.

E os vilões, que eram uma das melhores coisas da historia, que toda vez que apareciam você sabeia que algo ruim ia acontecer pra alguém, simplesmente deixaram a desejar. Rei Gaius, que era frio, impiedoso e manipulador, continua assim, mas também toma algumas atitudes que não parecem coisas que o ele do livro anterior faria. Já Melenia, a líder dos vigilantes, manipuladora, poderosa, acima de todos pode ser definida em uma única palavra: superestimada, ela é derrotada de forma tosca. Mas, pra compensar, surge uma nova vilã: Amara, que é mais manipuladora, mais cruel e astuta. E a questão que fica é: Quem é o antagonista principal da história? A ameaça genuína?

Explicando de forma simples o que aconteceu com o livro: (Imagina o Renan do Choque de Cultura falando)

Todo mundo era foda, Rogerin, era tipo o The Rock se ele usasse espada, era forte e esperto. E agora tá tudo bobo, tão apanhando de capanga de vilão! Ninguém apanha de capanga de vilão! Se passar na nossa frente quando a gente tá dirigindo, pode acabar atropelando e ainda é processado. Injustamente Rogerin!

A Ascensão das Trevas termina dando a entender que uma ameça maior está por vir, que tudo visto até agora só foi a introdução pra uma jornada ainda maior, com eventos cataclísmicos e uma guerra em escala global. Uma jornada em que não há espaço para inocentes, já que todos estão com as mãos sujas de sangue.


Editora Seguinte

Tradução: Flávia Souto Maior

Brochura

22,6 x 15 x 2,4 cm

424 páginas

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