[LITERATURA] O Livro das Coisas Estranhas – NÃO VÁ PARA A LUZ!

Quase coloquei esse post na categoria [5 MINUTOS DE ÓDIO].

Por quê?

Porque poucas vezes eu fui tão sacaneada na minha vida.

Eu vou doar esse livro. Eu juro que vou… e vou fazer isso em algum lugar onde eu não goste de ninguém.

Se eu precisasse representar minhas experiências com O Livro das coisas Estranhas em um vídeo, possivelmente eu usaria essa tosqueira aqui:

Em outras palavras, nesse longo e desesperador período em que tentei, sem sucesso algum, ler O Livro das Coisas Estranhas (que, para fins de economia cognitiva, chamarei de LDCE), tudo o que consegui foi bem negativo:

  • Nunca tinha passado por um livro que fizesse algo assim: Nem mesmo “Os sofrimentos do jovem Werther“, famoso por esse mérito, conseguiu me dar tantos pensamentos suicidas.
  • Apenas lendo o LDCE, tive por 4 vezes (poderia colocar as datas aqui, mas seria inútil) vontade real de ARRANCAR OS GLOBOS OCULARES E RECOLOCÁ-LOS INVERTIDOS.
  • Nunca havia até hoje desistido da leitura de um livro que não fosse autoajuda. Esse é o primeiro romance ruim o suficiente para ser abandonado por mim.
  • Nunca tinha chegado a falar mal de um livro em público porque, mesmo que um livro não seja exatamente o livro mais maneiro ou mais interessante, sempre tento ver os lados positivos, mas MEU-DEUS-DO-CÉU-E-SÃO-JORGE-QUE-MATOU-UM-DRAGÃO-OU-UM-CROCODILO-GIGANTE-NA-PORRA-DUM-LAGO que livro chato da porra!
  • Pensando muito seriamente no assunto, estou aqui raciocinando acerca do porquê de tanta gente ter falado mal de “Twilight” (a.k.a. Crepúsculo, a.k.a. aquele do vampiro que vira purpurina sob a luz do sol). Eu li os malditos 4 livros de vampiros alegres e brilhantes. De coração, eu não sei o que há com a edição em língua Portuguesa desses livros, mas a versão original é perfeitamente legível e até aturável. O mesmo ocorre com muitos outros livros extremamente censurados, e até mesmo com o Paulo Coelho (eu mesma já o censurei aqui). Mas LDCE passa dos limites.

Mas, Raquel, por que tanto ódio nesse seu coraçãozinho, jovem?

Ok, a ideia do livro é  boa.

Em um futuro não exatamente distante, um pastor de nacionalidade britânica ex-viciado em drogas é designado para uma missão atípica de apresentar seres de outros planetas a Jesus. Esse outro planeta (chamado de Oásis) estaria sendo colonizado de forma “benéfica” por uma grande companhia chamada USIC. Os propósitos são meio estranhos, meio misteriosos, e não sabemos muito bem como funciona o sistema (como em quase tudo que envolve grandes companhias).

Reconheço que a ideia é excelente, e que até então eu não havia visto essa temática ser explorada de uma forma tão aberta e, ao mesmo tempo, de forma tão natural. Não existe estranhamento em relação ao fato de haver vida extraterrestre. Sequer há enfrentamentos filosóficos ou questionamentos religiosos com relação a isso. O pastor Peter (um belo cabeça de vento) vai até lá cumprir sua missão e ponto.

Poderíamos dizer que isso lembra demais qualquer missão de qualquer Cristão que se aventurou em terras estrangeiras, e que Michel Faber (o Autor desse vacilo literário) apenas colocou uma roupagem diferente em um tema bem batido.

É uma forma de enxergar bastante plausível, até: Podemos, de fato, ver Peter, o pastor, como o missionário que se vê entre estranhos e encara desafios diversos para se adaptar. Inclusive os linguísticos e culturais (talvez os mais pesados).

A coisa toda é que, sendo um assunto velho ou novo, Faber errou a mão.

Para começar, errou quando usou Aliens sem-carisma.

Meu Deus, será que o cara não aprendeu NADA com Doctor Who, E.T., K-PAX e tantos outros exemplos da cultura pop? Os Oasianos são chatérrimos…

Não bastasse isso – que poderia ter sido até indiferente, se o livro tivesse sido bem escrito – algumas questões lógicas simplesmente não são levantadas, quando DEVERIAM.

1- Por que diabos um pastor cristão se ocuparia de uma espécie de qualquer outro planeta se existem tantas pessoas que não conhecem o cristianismo aqui na Terra? É claro que eu preciso pensar do ponto de vista predominantemente cristão, porque o livro te empurra completamente a essa direção. Então permaneçamos nessa vertente.

Já pensou quantas pessoas podem ser evangelizadas na TERRA? Para quê DIABOS o infeliz vai para fora da Via Láctea, larga a esposa e vai catequizar alienígenas anões?

2 – O próprio fato de existirem alienígenas, até onde eu sei, ou até onde alcança o senso comum (talvez ignorante) vai contra o evangelho.

Eu, particularmente não tenho posições firmes sobre a existência de alienígenas, mas acredito em Deus. Mas o detalhe é que eu não sou evangélica. Acho que qualquer evangélico deveria ficar meio confuso com esse livro.

3 – Muitos clichês são tolerados e, quando lemos ou quando assistimos a um filme ou série, nós realmente deixamos passar muitas bobagens em nome da “Suspensão de descrença” ou da “Licença poética”. Mas eu tive muita vontade de atear fogo ao livro todas as vezes em que o narrador fez menção à cruz “acidental” feita por causa de uma caneta estourada – a tinta da caneta teria estourada e se espalhado por uma roupa no melhor estilo “paixão de Cristo”, e formado uma cruz. Tudo ao acaso. Normal.

4 – Os diálogos são muito bons em alguns momentos, o que me faz pensar que ele copiou alguns que ele realmente viu acontecer. Mas esses momentos gratificantes são completamente OBLITERADOS por conversas completamente imbecis, comentários escatológicos, trocas de palavras vazias com uma esposa que o protagonista diz amar, mas cujo amor não convence em nada… Enfim… o fator linguagem está deteriorado.

Juro que não estou falando do Temer (#Mentirinha)

5 – O livro trabalha com o fator linguagem (bem no estilo do filme Arrival). O problema é que, ao contrário do filme, que o faz com maestria, o livro não sabe lidar com esse fator para apresentar novos mundos e novos conceitos. A língua é só um entrave besta e sem importância. Como Linguista em formação, eu fiquei particularmente chateada com isso.

6 – E eu não poderia deixar de falar que… Se você leu Tolkien (sim, eu vou fazer essa comparação) e achou grande (sim, eu vou), achou lento (eu vou, eu vou…), achou talvez prolixo demais (já estou fazendo), pode ter certeza de que Michel Faber é igualmente prolixo. O problema é que, desgraçadamente, ele não chega a ter 1 por cento do talento do Mestre do Mundo Nerd.

Então, caros autores que já escreveram para o Nerd Geek Feelings, e Editoras que tratam conosco. Nós não vamos falar bem de livro nenhum a menos que seja realmente bom. Não fazemos isso.

O Livro das Coisas Estranhas é RUIM PRA CACETE, UM LIXO, UMA DROGA, UMA PORCARIA, UMA FORMA NOVA DA ROCCO JOGAR DINHEIRO FORA, UMA FORMA DO LEITOR JOGAR DINHEIRO FORA, UMA SACANAGEM EM PAPEL PÓLEN E CAPA BRILHANTE.

Apenas Não leiam..!

Desculpe, Editora Rocco. Eu precisava ser sincera.

Nossos leitores precisam disso.

One thought on “[LITERATURA] O Livro das Coisas Estranhas – NÃO VÁ PARA A LUZ!

  1. De todos os seus problemas com o livro (que eu não li e nem pretendo), eu acho que o “1” é o que menos se justifica.

    Pois esse é o modus operandi de cristãos desde que eles existem.

    O Novo Testamento já conta um monte de histórias de Paulo, cara que deixou família e tudo mais pra sair pelo mundo evangelizando pessoas, quando na própria Jerusalém ainda existiam poucos cristãos. Isso inclusive foi motivo de treta entre ele em Pedro (aquele que foi discipulo de Jesus; diferentemente de Paulo) que achava que eles tinham que ficar alí só tentando converter os judeus. Foi Paulo que levou o evangelho à Roma, onde ele prosperou muito mais que em Jerusalém.

    Hoje mesmo o Brasil é um dos países que mais envia missionários pelo mundo, e o Brasil tá longe de ser um páis 100% cristão.

    Ou seja cristãos fazem isso, por mais que tenha gente, dentro da própria igreja, que diga que não faz sentido.

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