[JOGOS] – ASSASSIN’S CREED 3: Viva la revolution, pero que no!

Imagem

PRODUTORA: Ubisoft
DISTRIBUIDORA: Ubisoft (PS3, XBOX 360, PC e Wii U)
JOGADORES: 1 (ou oito milhões no multiplayer)
ANO: 2012

Se você está lendo esse review eu vou pressupor que você ja jogou Assassins Creed o suficiente para eu não ter que explicar o que é Assassins Creed. Sério, o jogo tem um 3 bem grande na capa, eu nem escrevi em numeral romano pra vc não se confundir mesmo com toda sua burrice. Se quer começar do começo, comece do começo, ok?

Dito isso, vamos aos trabalhos. A primeira coisa que tem que ser dita é que o jogo se passa durante a revolução da indenpencia americana e se você sabe alguma coisa sobre a independencia americana meus parabéns: você assistiu Pica-pau e Pernalonga o bastante para reconhecer alguns nomes como Paul Revere e George Washinton. Do contrário, agradeça ao sistema de ensino brasileiro que estava ocupado demais te ensinado história ERRADA com a sua agenda marxista (sim, eu sei que pode ser um choque pra vc mas os indios não eram retardados mentais que trocaram suas almas por espelhinhos, o Paraguai não era uma utopia industrial destruida pela ganancia capitalista e Zumbi dos Palmares era um filho da puta que tinha seus próprios escravos).


Curso relâmpago de história Americana, de nada

Sei lá cara, o mundo tem histórias realmente mais interessantes do que um bando de caboclos morrendo de dengue no Acre, porque a gente tem que decorar quem foram esses manés mas nunca ouviu falar da revolução russa, da era feudal japonesa (a era feudal europeia é contada porque entra na cartilha marxista do bom comuna) ou mesmo da potencia interna que era o Império da China na época dos “grandes navegadores”? Bom, vai saber né…

Ah, mais uma coisa: esse papo de que história real (não ficção) tem que ser com H maiusculo é TEU CÚ, ta bom?

Imagem

Felizmente, e essa é uma das partes REALMENTE legais do jogo, a história americana é contada através de pequenas notas pelo Shaun (se você não sabe quem é, releia o primeiro paragrafo, ok?) que justamente é britânico.Isso gera comentarios realmente espirituosos e pensamentos de “cara, seria legal se história fosse ensinada assim. Sério, quando passar perto de um prédio e surgir um popup com o nome do lugar APERTE START que o Shaun conta a história do lugar e realmente vale a pena.

Tocando em frente, gráficos mais bonitos, blablabla (parei de me importar com isso na puberdade) engine nova (o que significa um novo recorde de bugs no jogo) e nada relevante a adicionar. A mecanica do jogo esta AINDA MAIS fluída e escalar o mundo esta mais fácil do que nunca. Pontos extras para a coisa de caminhar por cima das arvores, é bem bolado o sistema e realmente te poupa tempo (sobretudo quando é inverno e o seu personagem atola na neve). Alias acho que o sistema de andar nas arvores é uma das únicas coisas novas nesse jogo que realmente funciona, mas eu já chego lá.

Imagem

Assassinos não precisam escalar arvores, eles disseram…

O jogo começa com todo gas do composto de agua gaseificada adicionada xarope de nóz (e o jardineiro é Jesus) de coca e sangue do capiroto. O primeiro ato é bem bolado e empolgante: você começa com o assassino Haytan Kenway, que mata um cara na opera e pega uma moedinha dele. O jogo todo será com a única a exclusiva função de que Desmond e sua turminha do barulho aprontem altas confusões descubram onde esta essa chavinha que vai salvar o mundo da abertura do Dragon Ball (pulso solar e tal). Haytan (devo estar escrevendo nome errado, mas foda-se) apronta altas confusões e vai para o novo mundo desbravar pepecas nativo-americanas e matar pessoas. Não necessariamente nesta ordem.

Imagem

Seja como for, toda a parte da partida do velho mundo e da viagem de navio das oropa pras americases é muito boa porque transmite com maestria a sensação de absoluta BOSTA HORRENDA INENARRAVEL que era viver no século 18. Sério, hoje uma mulher soltou os cachorros em mim porque ela teve que esperar VINTE MINUTOS para ser atendida, e se eu te dissesse que naquela época a viagem levava, com boa sorte, entre um a quatro meses?

Sério, quatro meses em um navio sem banheiro, comendo ração seca e com agua contada e repleto de marinheiros tão educados que fariam o presidio central parecer Harvard. Palmas pro jogo, realmente passou o feeling aqui. E agora acabam as palmas.

Você faz meia duzia de missões com o Kenway, basicamente um tutorial das novas mecanicas que voce nunca vai usar. Sério mesmo, tipo: agora durante as persiguições você pode entrar em uma casa e sair pelo outro lado. Em 60 horas de jogo sabe quantas vezes eu usei isso? Exatamente, zero.
Agora você tem um dardo com corda pra matar as pessoas e deixar o presunto pendurado ou pra enforcar pessoas do teto (soa mais legal do que é, acredite). Número de vezes usada: 5 porque tinha que usar pra pegar um troféu.

Imagem

Pronto, voce ganhou seu troféu. E essa foi a única vez que você usou essa merda imprática

Fora isso o jogo tem uma PUTA carrada de minigames mas ele não te força a jogar nada então você não tem do que reclamar.

Basicamente a Ubisoft foi em uma aula de educação fisica quando tá chovendo e fez a limpa na caixinha de jogos: tem damas, damas chinesas, trilha de 9, moinho e bocha. Não sei em que escola eles foram que as crianças jogam bocha dentro da sala, mas deve ser uma escola muito legal. Desses jogos o mais divertido é o de bocha e você pode dizer que jogou uma partidinha de bocha com George Washinton (depois de levar uma surra do papa e seu cajado papal, essa é a segunda coisa que Assassins Creed te faz dizer que você nunca achou que diria).

ImagemAC3 resumido em uma casca de noz

Feito isso Kenway mata pessoas, faz contatos, traça uma nativa e vamo que vamo.

Então o jogo pula para o mestiço Kenway júnior, mais conhecido em sua tribo por khnfbljkqjwedk. Na pele do jovem e serelepe ojdkfjikwejienf você recebe mais alguns tutoriais (um pequeno tutorial de como funciona o sistema de caça, que é absolutamente inútil mas divertido mesmo assim, o novo sistema – idiota – de camuflagem e tal) e muita folia no matal com os seus colegas silvicolas. Se esse trecho pareceu estranhamente homoerótico saiba que no jogo é assim mesmo.

Imagem
G-zuiz…

Em meio a essa edificante desportividade juvenil o chefinho xixi-nas-calças (sim, eu assisti o episódio do Pica-Pau só pra pegar o nome) encontra seu grande rival: o antigo aprendiz de Kenway. O cara dá uma dura nele e taca fogo na vila do moleque pra justificar sua cara de mau e porque tava com vontade, só por isso. Para surpresa de ninguém, a mãe do jovem noiejhdinwjhihjnkka:jsj (sério, eu juro que tem um dois pontos no meio do nome do cara) morre dramaticamente presa nas chamas, com tempo apenas de mandar que ele se salve e etc. Sério Ubisoft, vocês estão ao menos tentando? Quem não viu isso vindo?

Ou seja, lá vamos nós pra mais uma jornada de VINGAAAAAAAAANÇAAAAAAA AZAGAAAALLLL!!!!

Imagem
Ah é, e o jovem sjfknknfknfke:kjf!!2dm também recebe a missão de proteger a vila e se tornar Assassino por uma bola de cristal e muito baseado indigena. Assim ele vai a cidade, encontra um Assassino aposentado (aparentemente muito ruim no seu trabalho, já que até um moleque encontrou onde ele mora) que o treina para sua VINGAAAAAAAAAAAÇAAAAAAAA AZAGAAAAAAAALLLL!!!!!

E acertados estes parametros, Assassins Creed 3 surpreende a absolutamente ninguém fazendo mais do mesmo. Sério, são absolutamente as mesmas quests dos jogos anteriores, só que no lugar da renascença agora o cenário é Boston e Nova York (as principais cidades da revolução americana). É até legal ver alguns lugares iconicos de Nova York versão século 18 (como a Broadway, que na época era só como o nome dizia uma “rua larga” ou Wall Street, mas é só um “ah, legal” mesmo).

O problema aqui é que se antes você ao menos tinha algum carisma do Ezio em sua jornada de vingança ou sabedoria na jornada de redenção de Altair, aqui o chefinho chuva-molhada (que recebe o nome de John Connor porque ninguém vai pronunciar kajsihineknfkwheih mesmo) tem o carisma de um saco de batatas. Sério, se ao menos em um momento ele tirasse o maldito tacape que ele tem enfiado na bunda (só isso explica tanta rabugentisse) e tentasse ser qualquer coisa que não “agua com açucar” talvez desse certo. Sério, em toda e qualquer questão que surge a resposta do João Escanteio é “vou escolher a opção panos quentes”. Cara até os personagens de Zorra Total tem mais carisma que o Connor, que só sabe fazer a cara de indio com um taco enfiado na bunda.

Imagem
Boneco articulado do Connor, compre já o seu!

“- Connor, o que você acha disso?”
“- Minha cara camarada, vou dar uma resposta politicamente correta porém desprovida de qualquer traço de personalidade enquanto afirmo que sou um homem muito ocupado”

Pronto, resumi basicamente todos os dialogos do Connor no jogo

Vou te poupar duzentas horas da sua vida e dizer que no fim João Escanteio tem sua vingança da forma mais sem sal e idiota possivel. Ele acaba matando seu pai e o aprendiz dele, o grande vilão do jogo, de uma forma que VOCÊ não seria morto. Cara, eu peso mais de cem quilos e devo ter brigado duas vezes na vida SE TANTO. E eu não morreria numa luta do jeito que os dois morreram, pode acreditar nisso, pra você ter idéia do quão porco é o roteiro desse jogo.

A tal da vingança do Connor consegue ser mais porca que a morte do Darth Maul e… o que? Você tá me dizendo que o Darth Maul era foda e foi uma das poucas coisas boas do episódio 1 de Star Wars? Então que tal revermos este conceito no replay instantaneo?

REPLAY IMEDIATO:

Depois de lutar como o cão com sifilis contra dois Jedi top de linha, ele tem uma morte completamente estupida como essa. “Oh” se ao menos ele soubesse que Jedis podem mover as coisas com a mente e dar saltos de 5 metros… espera, ele sabia. E mais o meio minuto que ele assistiu a si mesmo ser cortado em dois sem esboçar a menor defesa… manezão.

Pra ficar menos épico ainda o jogo mostra os combates acontecendo com a profundidade de um PSOne (pq no PS2 eu já vi “ação no meio de uma guerra” melhor que isso). Como tudo mais no jogo, a revolução é insossa  e sem graça. Tem uma hora que você tem que correr em Boston sendo bombardeada… e a cidade esta absolutamente deserta. Em outra hora voce tem que contornar o campo de batalha… que tem a animação de uma partida de criquete.

Cara, Metal Gear 4 é tipo uns 5 anos mais velho e consegue fazer sua aventura durante um conflito rodar com naturalidade e transmitir a sensação de pipoco comendo, não pode ser tão dificil assim. É muita falta de vontade, viu…

Imagem

Cara… só a capa desse livro já daria um post

Por algumas missões o jogo até flerta com uma idéia muito interessante, por uma frase ou duas de texto Connor se pergunta se seria possível unir Templários e Assassinos, já que ambos querem o bem da humanidade no fim das contas. Mas a idéia só é apresentada e não é explorada. Connor vence o mal, espanta o temporal e no fim Desmond fica sabendo onde foi parar a moedinha que é a chave do abrigo anti-apocalipse contruído pela primeira civilização, ou algo que o valha.

Em resumo, a grosso modo o jogo é isso: Connor ocupado em ser um paladino sem graça, uma vingança mambembe e era isso. Ah claro, como não poderia deixar de ser tem a coisa da revolução americana e o trabalho de descontruir mitos históricos americanos. Para surpresa de ninguém, George Washinton é mostrado como um cagão, péssimo militar e que só estava interessado em tirar o dele da reta dos impostos. Basicamente todas as grandes figuras e os grandes acontecimentos da revolução (como o Massacre de Boston e a Festa do Chá) são mostrados de modo a galhofar da história americana e mostrar que não tinha nada de bravo ou heroico nela, era só um bando de donos de fazenda querendo se dar bem.

Imagem
Sabe, eu não discuto que seja verdade. Provavelmente deve ser, eu não tenho nem base pra argumentar. O problema não é esse, o problema é que falar mal dos Estados Unidos é tão, mas tão, mas TÃO aborrescente… eu senti que esse jogo deve ter escrito por um bando de estagiarios de 16 anos que usa camisa do Che (mas tem um Iphone e usa Nike). Sério, não tinha um paisinho menos clichê pra ser escrotizado? Santa aborrescencia, viu bátima…

Agora que você já entendeu como é o jogo, vamos a segunda parte: as batalhas navais.

Imagem

Ainda não acredito que fizeram um filme disso…

Eu digo segunda parte porque esse é OUTRO JOGO dentro do jogo.

Por algum motivo que me foge a compreensão,  o chefe Riacho-molhado também vira capitão da marinha dos Assassinos. Se a sua expressão foi “HEIM?!?” ou similar, parabens: você ainda está acordado. Sério, completamente aleatoriamente o indio também é capitão de navio apenas por que banana não usa chapéu.

Seja como for, as tais missões navais estão lá e… PQP como é divertido! Sério, a parte de pilotar o navio é a coisa mais divertida do jogo! Lutar contra outros navios, bombardear fortes, escoltar fragatas, tem de tudo um pouco e realmente vale a pena cada segundo. A mecanica, o peso do navio, tudo ficou muito divertido. Alinhar o navio com o vento, abrir as velas principais e dar no meio de uma corveta durante uma tempestade é muito épico!

Imagem

MAH VAMO DI DÁ NO MEIO DELES AFRO-DESCENDENTADA!

A Ubisoft parece que também percebeu que foi só aí que eles acertaram a mão, porque o próximo AC será justamente voltado para piratinagem! Saquear mulheres e estuprar tesouros! Yo-ho-ho, you are a pirate! PREPARAR OS CANHÕES! IÇAR AS VELAS! ABAIXAR AS BUJARRONAS! (seja lá o que diabos isso for)
AC3 é um jogo nota 6, no maximo, mas a perspectiva de ter mais missões navais vale a pena se interessar pelo próximo jogo da franquia. É divertido assim.

Então cheguemonosos a ultima parte do jogo: Desmond. Percebendo que cagou mais do que recem-nascido que comeu mamão ao não ter encerrado a saga de Desmond Milles no AC Revelatitons, agora sim a carreira de Desmond finalmente chega ao fim, e um fim razoavelmente interessante. Claro que fica um gancho para continuar a história, mas pelo menos a coisa do “ataque de pelancas solar” foi resolvido e assim termina a carreira do Desmond como Assassino.

Imagem

Cosplay de Desmond: você está fazendo isso epic win

O problema, e sempre tem que ter um problema né, é que pra chegar a esse ponto você tem que passar por algumas sessões de encheções de linguiça. Em primeiro lugar o pai do Desmond é introduzido na história, conflito familiar, você não me abraçou o bastante, mimimi. Enfim, a bichornagem usual dos Evangelions da vida. E também tem umas pausas na saga do Connor (não que alguém sinta falta dele) para o Desmond passear pelo mundo e ninjar algumas baterias mágicas para o complexo ancestral onde eles estão instalados. Inclusive uma dessas empreitadas é durante um UFC no Brasil.

O que é absolutamente idiota, porque o Desmond tem a porcaria da maçã do Eden e ele pode simplesmente entrar pela porta da frente, pegar o que ele quiser e sair. Alias ele efetivamente faz isso na central da Abstergo (mas porque ele não fez isso TODAS as vezes, jamais saberemos). No fim, a linguiça é enchida, a saga termina mas deixa o gancho para um próximo arco e infelizmente deixa menos saudades do que deveria.

Imagem

Ah Desmond, se ao menos voce tivesse um item que permite controlar qualquer ser humano, como as coisas seriam mais faceis…
(PS: Toda vez que o Desmond usa a maçã do Eden eu sou obrigado a gritar “CAPSULA DO PODER!!!”)

A Ubisoft explorou demais a sua galinha de ovos de ouro, de modo que só sobrou uma carcaça insossa. Eu vou jogar o AC Black Flag? Com certeza, porque a parte naval é divertida, mas só por isso. E a menos que a Ubisoft tire outro coelho da cartola, esse deve ser o ultimo AC que eu vou comprar.

Har-har-fiddle-dee-dee, faça o que quiser porque um pirata é livre!

Até pq o mesmo jogo a cada seis meses ninguém merece né…