[JOGO] METAL GEAR SOLID: PEACE WALKER… não é Metal Gear, mas é tipo Metal Gear

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PRODUTORA: Kojima Productions
DISTRIBUIDORA: Konami (PSP, relançando em HD Colection em 2011 para PS3 e XBOX360)
JOGADORES: 1 (até 4 online)
ANO: 2010
GENERO: Ação

Iiiiiiiiiiiaiii galerinha esperta! Muito agito e muita maneirice na coluna dessa semana!
Ok, já cumpri minha cota de vibe dos anos 90, agora parem de encher o saco e vamos falar mal de algumas coisas boas e  falar bem de algumas coisas ruins, como é nossa programação habitual.

Hideo Kojima, como anteriormente explicado (clique aqui para ler o texto), é uma das raras  celebridades da produção de videojogos. E quando o nosso amarelo favorito decide fazer um jogo ele sempre o faz por dois motivos muito distintos e relevantes. O primeiro, e mais óbvio é tentar criar jogos com a maior quantidade de cenas homoeróticas possiveis da indústria dos games – e isso é bastante interessante. Xiu, senta quieto aí e me ouve antes que o Pastor Feliciano tire esse blog do ar.

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Porque ao contrário de jogos da Bioware que incluem opções homossexuais sem o menor tesão apenas para cumprir o sistema de cotas (sim Mass Effect 3, estou olhando pra você com as sobrancelhas cerradas Ò_Ó), o Kojimex sempre o faz de forma relevante para a história e mesmo o mais pastor Feliciano dos gamers não pode ignorar as bichornagens do jogo. Pode não falar sobre isso, mas não ignorar. Por exemplo, no Metal Gear Solid 3 em dado ponto o herói COBRA PELADA precisa se infiltrar na base e pra isso é dito que ele tem que roubar o uniforme e o ID Card de um determinado soldado que tem acesso as camaras do vilão. O que o nosso querido COBRA PELADA descobriu só depois é que ele tinha esse acesso porque o capitão que ele impersonou  não era ninguém menos que o amante do vilão – e foi desmascarado justamente quando o citado vilão desconfia que tem algo errado e apalpa os documentos do nosso herói COBRA PELADA e percebe que o tamanho do minestrone do herói não bate com o do seu amante. Embora os fãs mais Felicianos não admitam, Metal Gear que é Metal Gear tem que ter uma queimada de rosca poderosa para ser Metal Gear. LIDEM COM ISSO!

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A série Metal Gear em uma casca de nóz

O segundo que motivo que leva o Hideo a fazer um jogo é para provar um ponto. E por isso não imagine os diretores malas de cinema que querem chocar apenas pelo prazer de chocar (oi Black Mirror, acho que você esqueceu seus óculos hipsters aqui em casa) e pelo prazer de poder usar expressões “tapa na cara da sociedade”. Alias em um mundo ideal quem usa a expressão “tapa na cara da sociedade” deveria ser o primeiro candidato a levar um. Não, quando eu digo que ele quer provar um ponto é porque ele teve uma idéia bacanuda e quer levar adiante mesmo que as pessoas digam que ele é só um amarelo que cheirou orégano demais. Ok, ele É um amarelo que cheirou orégano demais, mas isso não quer dizer que suas idéias não sejam interessantes.

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Sou fã de Black Mirror e Pastor Feliciano não me representa.

Por exemplo, ainda nos anos 80 ele teve idéia de um jogo de investigação que vinha com uma paleta de cheiros que iam sendo executados durante o jogo – e que dariam dicas para jogar (tipo o assassinato aconteceu num açougue e depois você encontra o cara cheirando a bacon cru). A idéia não era tecnologicamente viável (leia-se ia custar caro e seria de gosto duvidoso) para a época e não foi pra frente. Mas algumas idéias do japa acabaram indo pra frente. Quando saiu o primeiro Metal Gear ele criou um novo gênero de jogo em que o objetivo era passar batido do que ser um exercito de um homem só. Com o segundo Metal Gear (ainda nos anos 80) ele encheu de tramas de fundo, cenário politico, personagens e coisas que jamais foram tentadas em um jogo de ação (ou mesmo em filmes de ação) na época. Embora isso seja expediente comum em qualquer jogo ou filme hoje em dia, na época  a coisa era mais baguete no pão e era isso, Kojimex era um homem afrente do seu tempo e encheu o jogo com cinquenta tons de cinza (meio que literalmente quase)

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Não esperem uma resenha minha sobre esse filme a menos que Emma Watson ou Scarlet Johansson estejam envolvidas. Ou Nicolas Cage. Sempre quisemos ver um filme bagaceiro do Nicolas Cage. Digo, INTENCIONALMENTE bagaceiro.

Quando Metal Gear Solid saiu para polystation no final dos anos 90 Kojima quis contar a história do jogo usando cenas criadas pela própria mecânica do jogo. Basicamente o jogador cedia o controle dos personagens ao jogo, que os movimentava e criava as cenas ao invés de criar uma CG no computador e rodar a cena em um vídeo. Quando Kojima sugeriu isso as pessoas na indústria disseram que ele era um amarelo safado que tinha tesão por pantufas do Bob Esponja, e embora isso provavelmente seja verdade (ele é japonês, afinal), passados dez anos ninguém mais usa CG e todos fazem as cenas usando a engine do jogo como Kojimex sugeriu. Sobretudo os que riram da cara dele. Especialmente esses, que tiveram de adotar o nome artístico de Bob e jogar squash com empresários suados para sobreviver. Metal Gear Solid 2 é sobre provar que estereótipos podem ser quebrado e que é possível fazer um jogo de ação com um protagonista metrossexual e com uma personagem feminina com SUVACO CABELUDO. Credo em cruz.

ImagemQUAL É O SEU PROBLEMA AMARELO SAFADO?!?

E então chegamos ao jogo em questão, Metal Gear Solid: Peace Walker. Alem de muitas cenas homoeróticas, o que exatamente ele quis propor? Vejamos..

.Em primeiro lugar o jogo lançado para o PSP parece um grande pedido de desculpas pela jogabilidade gorda e monstruosa do Metal Gear Solid 3. Talvez pelas limitações do aparelho, seja por uma dose milagrosa de bom senso que desceu do céu enquanto querubins cantavam hinos de bichornagem, a jogabilidade voltou a ser bastante decente e você está de volta ao controle do personagem com 100% de precisão. Ok, ou quase isso. O sistema de camuflagem, um dos grandes “chamados” de MGS3 mas que enche o saco depois de 15 minutos quando o jogo sugere que você passe 5 minutos (em tempo real) deitado na grama esperando um guarda passar, ou não, foi relegado a um segundo plano e o jogo voltou a ser mais fluido e vamo que vamo no ritmo do conga-la-conga, conga-conga-conga. O combate corpo a corpo FUNCIONA, render os guardas é HUMANAMENTE POSSÍVEL. Chupa Engrenagem de Metal 3!

Krav Maga é a arte israelense de causar a maior quantidade de dor no menor espaço e numero de movimentos possiveis. O que há para não amar?

E como eu sou magnânimo e fluvial eu aceito a jogabilidade simplificada do Peace Walker como um bom pedido de desculpas e podemos voltar a ser amigos. Sim Kojima, você foi friendzoned por mim, VIVA COM ISSO!

E se a jogabilidade dá pro gasto, o mesmo dá pra dizer da história. Não é algo poutaqueopareo que radical, mas pelo menos não é chata pra caralho como os primeiros ¾ do MGS3. Basicamente, 10 anos depois dos eventos do jogo ABOCANHADOR DE MINHOCOS o herói COBRA PELADA ainda não digeriu bem os eventos do passamento da sua mentora e mestra uala A CHEFA e não aceita bem assumir o posto dela como o BAITA CHEFE. Enquanto isso, no lustre do castelo o COBRA PELADA e seu parceiro Miller mandaram o governo dos US and A as favas e fundaram os MILICOS SEM FRONTEIRAS. A história do jogo começa justamente quando um agente da KGB e sua doce pupila de minissaia escolar propõe um contrato ao MSF: livrar um país genérico da América Central do qual os Estados Unidos são donos (nunca sei a diferença entre Costa Rica, Guatemala, Nicaragua, etc) da presença americana. Nosso herói COBRA PELADA, futuro BAITA CHEFE, aceita a missão por dois motivos: o primeiro porque ele estava pensando com a cabeça de baixo e queria botar o seu minhoco pelado pra trabalhar na jovem e doce Paz Ortega (que ao contrário do que o nome sugere não parece com a Salma Hayec, infelizmente). O segundo motivo é que uma amiga da Paz gravou uma conversa enquanto gravava pássaros (ornitologia BIATCH!) em que pode ser ouvida a voz da… CHEFA! Tan-tan-tan, estaria a grande mentora e mestra do COBRA PELADA ainda viva? Oh! A trama engrossa mais que polenta de sopão dos pobres. Quer dizer, eu nunca comi no sopão dos pobres mas como eu sou legal gosto de imaginar que a comida é boa. Pronto, fiz minha parte por um mundo melhor, não me cobrem mais que isso.

Onde eu estava? Ah sim, como pagamento por essa missão o “Professor” da KGB oferece ao COBRA PELADA e seu parceiro uma base para o seu grupo mercenário, base essa que viria a ser o pilar do Outer Heavern e ligação com o jogo Metal Gear dos anos 80 para o MSX.

As cutscenes são todas mostradas através de HQ animada, o que não só poupa recursos do limitado PSP (em comparação com o PS3) como fica bastante estiloso na arte de Yoji Shinkawa.

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Essa é a “mocinha” do jogo, a colegial Paz Ortega. Snake acredita na filososia que se tem grama no terreno dá pra jogar bola XD

Adicione a isso que o jogo envolve o Peace Walker (um protótipo de Metal Gear controlado por uma IA ao invés de um piloto) e dezenas de referencias aos filmes favoritos do Kojima de guerra fria como “Jogos de Guerra”, “Dr. Strangelove ou como aprendi a parar de me preocupar e amar a bomba” e vários outros. Alias o jogo tem um personagem chamado Dra. Strangelove. Basicamente a trama, no curto jogo de 4 capitulos e pouco mais de 30 missões, gira em torno da questão de duplo cheque da guerra fria (eu não atiro porque você vai atirar de volta e ambos  morremos), sobre a politica americana de apoiar golpes para derrubar os comunistas do poder e sobre quais as reais intenções da CHEFA ao aceitar a missão que culminou na missão ENGOLIDOR DE MINHOCOS, representada no jogo MGS3. O jogo talvez bata nessa ultima tecla um pouco demais (que já havia sido explicada no final do MGS3, tornando a coisa toda meio redundante)

Como eu disse a história é bem curtinha e não dura mais do que 30 missões. Mas peraí, missões?

Sim, o jogo tem aproximadamente uns 10 cenários e nesses cenários rolam as 30 missões da história principal e as cento e poucas missões alternativas. As missões tem variação o suficiente para você joga-las com prazer e alegria (ou pelo menos não morrer de tédio no processo) e o jogo é basicamente isso.

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Ok, ainda estou pensando na adaptação de 50 Tons de Cinza…

E então, qual o ponto que o Kojimante quer provar com esse jogo?

Que o multiplayer em nuvem pode ser divertido. Vê, o modo multiplayer de PW lembra muito o de Demon’s Soul: até 3 jogadores adicionais podem “entrar”  no seu jogo e te ajudar com a missão. Enquanto isso pode ser feito em todas as missões (até as de história), ele fica particularmente útil e divertido quando você enfrenta chefes.  Sim, eu disse que um multiplayer pode ser útil e divertido. Touché, kojima, touché.
Não, eu não misturei álcool com nenhum dos meus inúmeros remédios. Eu acho. Muito provavelmente. Bem, isso explicaria o bode e … PAREM DE ME JULGAR!!!

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Outro ponto particularmente divertido do jogo é recrutar soldados e construir a sua Mother Base (a que viria a ser a Outter Heaven do Metal Gear 1). Conforme você recruta soldados (seja sequestrando inimigos ou resgatando prisioneiros) você pode os distribuir no minigame de administração da base. Coloque soldados bons cozinheiros na cozinha e o rango bom aumenta a moral da equipe. Coloque soldados bons em Pesquisa e Desenvolvimento para que eles trabalhem em novas armas e itens. Você também pode despachar soldados para cumprir missões o que lembra muito o modo de administrar a guilda de assassinos do Assassins Creed Brotherhood mas não de um modo que você para de se importar depois de quinze minutos, como no jogo da Ubisoft. Eu diria que a coisa toda da Mother Base é o que Assassins Creed Brotherhood tentou ser sem sucesso.

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Se tem algo que aprendemos com Assassins Creed, é que Moscou fica na fronteira entre a Polonia e a Ucranica. Videogames são cultura também, chupa Marta Suplicy!

Aqui está a coisa – eu poderia escrever mais nove páginas Metal Gear Solid: Peace Walker. Eu poderia fazê-lo com facilidade. Das missões que têm a ouvir cantos de pássaros para as missões que você tirar fotos de fantasmas para missões que têm que render as pessoas com bananas, este jogo é insanamente profundo e divertido tanto sozinho quanto no excelente modo multiplayer. Não é apenas um candidato para o título de melhor jogo do PSP, Metal Gear Solid: Peace Walker é um dos maiores jogos em toda a franquia Metal Gear – apesar de não ser um Metal Gear no sentido tradicional da palavra.

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