[JOGO] – METAL GEAR SOLID 3: O melhor jogo ruim do mundo!

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PRODUTORA: Kojima Productions
DISTRIBUIDORA: Konami (exclusivo PS2, relançado em HD para o PS3)
JOGADORES: 1
ANO: 2004 (relançado na coletanea em HD em 2011)
GENERO: Ação

OBS: Esse texto foi escrito enquanto não havia sido eleito um novo papa ainda

Tem uma coisa que sempre me chamou atenção a respeito das industrias do cinema e dos videogames. Enquanto ambas são mais multimilionarias que o Tio Patinhas comprando ações do Google, falta aos video-jogos o carisma do cinema. Mesmo quem não é aficionado por cinema sabe indicar o nome de um ou dois atores e talvez algum diretor que lhe seja favorito, mas nos videogames é muito dificil expremer um nome popular. A minha teoria é porque essa foi uma industria criada por japoneses, e honestamente os amarelos são todos iguais, deve ser por isso. Curiosamente me pergunto se os orientais acham que nós somos todos iguais também, e creio que a resposta deve ser sim.

Seja como for talvez, raramente, você já tenha ouvido falar de Shigeru Miyamoto (criador do Mario e de um monte de trocadilhos envolvendo moveis), ou de David Jaffe (criador da série God of War, lembrando que o BOM DA GUERRA em breve estara nas telonas) ou quem sabe ainda Hideo Kojima. O texto de hoje é sobre esse ultimo, que é um japa mais louco que o Batman de tanga.

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Procurando por “Batman de tanga” no google, me deparo com alguem vendendo um pijama encardido do Batman de uma perna só. Oh God, why?!?

O nosso Kojimão ficou famoso quando a Konami lhe deu uma bomba pra resolver: eles estavam desenvolvendo um jogo chamado Metal Gear, e estavam apanhando pra fazer o jogo caber nas limitações de hardware do MSX (era um tipo de computador que rodava jogos nos anos 80). Ai o Kojimex teve a ideia de mudar o jogo de ação para se inspirar no filme “A Grande Escapada” e com isso criou o genero da ação-furtiva, ou seja, seu objetivo é passar batido pelos malfeitosos mais do que enche-los de pipoco

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Vou te contar, no meu tempo os malfeitores não tinham cara de versão mona do Sidney Magal…

Metal Gear contava as aventuras do superagente secreto megaboga foda Solid Snake. O Cobra Dura tinha que entrar numa base secreta, derrotar seu antigo mestre e mentor – O BAITA CHEFE – e impedi-lo de usar uma nova arma – um tanque bipede capaz de disparar ogivas nucleares sem ser detectado de qualquer lugar do mundo – chamada Metal Gear para tocar o terror.

Estou contando isso porque em 1999 Metal Gear Solid foi um dos jogos que fez o mundo pirar, se juntando a Final Fantasy 7, Tomb Raider e Resident Evil,  na passagem do SNES para o Playstation. MGS mantinha a idéia de um jogo de furtividade, adicionando agora chefões carismáticos com batalhas únicas sobre uma história cheia de reviravoltas e ameaças globais veladas e tantas referencias a filmes de espionagem que faria o 007 fazer joinha. Adicionalmente o jogo é repleto de Easter Eggs e não raramente quebra a quarta parede (google it, vadias). Ou seja, tio Kojima pegou a narrativa pela mão e foi que foi quicando.

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Apenas agentes secretos fodas o suficiente como 007 e Solid Snake tem a manha de usar um smoking por debaixo do traje de mergulho… SEM AMASSAR!

Não foi surpresa pra ninguém quando Metal Gear Solid 2 foi lançado para o PS2 em dois mil e pouco, no entanto. O que foi sim, surpresa para quase todo mundo foi que o protagonista do jogo não era o agente megafoda dançarino das sombras do futuro COBRA DURA. Em seu lugar entrava o novato inseguro Raiden, que passou metade do jogo discutindo o relacionamento com a namorada no radio (DR mesmo) enquanto quebrava pescoços de guardas.

Desnecessário dizer que os fãs se sentiram traídos e humilhados, alem de trolados e molestados sexualmente ao ter que jogar uma boa parte do jogo com o Raiden peladão dando estrelinhas por ai. O que os fãs, que clamavam por seriedade e fodice, nunca entenderam é que Kojima nunca foi sério e fodão, e sempre estava disposto a rir de si mesmo (o que é absolutamente impensavel para um adolescente, o publico-alvo dos videojogos, afinal). Kojima era, afinal, um fanfarrão.

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Metal Gear Solid 2 resumido em uma screenshot

Ao esperar Metal Gear Solid 3 os fãs clamavam por macheza e fodice, e o amarelo unguento do Kojima aproveitou isso pra criar a maior trolada da história dos videogames. Quase que o equivalente a pegadinha do HG Wells no radio

– Então vocês querem um Metal Gear com mais macheza?
– QUEREMOS!
– Mas bem machão mesmo?
– MUITO MACHÃO!
– Mas machaum machaum mesmo?
– MACHÃO DEMAIS!
– Então o proximo jogo vai ser tão machão, mas tão machão, mas tão machão que o protagonista vai comer cobras!
– YEEEEEEEEEEEEEEE!!!
– Tão machão, mas tão machão que ele vai catar uma cobrona do chão e cair de boca!
– YEEEEEEEEEEEE!!! … espera, o que?

METAL GEAR SOLID 3: COMEDOR DE COBRAS (nome real do jogo, alias) se passa nos anos 60 durante a guerra fria conta a história de como o super blaster foda agente da CIA, o COBRA PELADA (nome real do personagem) acabaria se tornando o BAITA CHEFE vilão dos jogos Metal Gear. A trollada do Kojima nos aborrecentes machauões foi linda, e teria sido infinitamente mais fantastica se tivesse parado por aqui.

Infelizmente Kojima não soube a hora de parar a piada, e o que era pra ser uma brincadeira acabou cagando o jogo com a força de uma Colera do Dragão de fezes.

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– Como eu voce gosta do seu bife?
– RESPIRANDO.
Basicamente o que os fãs esperavam de MGS3.

Tornando uma história longa em curta, COBRA PELADA agente da CIA deve resgatar o cientista russo Sokolov antes que ele seja obrigado a desenvolver uma arma mortifera para os russos que lhes daria a vitoria da Guerra Fria (o prototipo do que viria a ser no futuro o Metal Gear). Entretanto durante a missão sua mentora, A CHEFA, passa para o lado dos russos e agora COBRA PELADA tem que resgatar o cientista, destruir o prototipo e matar sua mentora e traidora, A CHEFA.

Parece legal, né? Tipo um filme de espião e tal, né?

Não tem como a abertura ser mais filme de espião, isso deve ser dito. O problema é que as coisas boas do jogo acabam por aqui…

Vamos começar falando dos COBRAS, a unidade de elite comandada pela CHEFA. É uma marca registrada da série Metal Gear as lutas com chefes bem boladas e únicas, cada chefe com uma mecanica especial para enfrenta-lo. No MGS1, por exemplo, o chefe Psycho Mantis lia os seus movimentos e desviava dos seus ataques antes que voce os fizesse. No MGS2 durante a luta com o GORDÃO (nome real do personagem) voce tinha que desarmar bombas enquanto enchia o baleioso de pipoco. Coisas memoraveis e assim por diante.

Aqui as lutas com chefes são absolutamente fedorentamente tediosas e genericas. Dos quatro membros da unidade COBRA, três voce vence apenas dando voltas no mapa e atirando. Tesão zero para vilões com carisma zero, eu te digo. A unica luta de chefe realmente legal é contra o velhão mestre sniper O FIM (nome real do personagem). Todas as outras são tão genericas e feitas sem tesão que a taxa de natalidade no Japão deve ter caído uns 800%.

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Melhor chefão da série inteira. TRUE STORY

O segundo problema de MGS3 são os controles. Sendo uma continuação voce iria esperar que os controles melhorassem do MGS2 pra cá, não? Afinal é só manter e aperfeiçoar, certo? SÓ QUE NÃO!!!!11111!!!!!

Em uma façanha que eu nunca vi na história da videogamidade eles conseguiram cagar os controles do Metal Gear 2 pro 3!!! Genial! Fantastico! Sorvete de chocolate pra eles! O Raiden podia não ser o heroi que voce sempre sonhou, mas pelo menos voce tinha controle absoluto com ele. Voce podia render guardas, passar batido, até mesmo atirar nos radios deles sem a menor dificuldade. Agora não, agora o Snake é de uma gordura e banhosidade que faria o Igordão se sentir orgulhoso!!111!! Sério, o COBRA PELADA é desajeitado, tosco e estabanado de se controlar. Voce tem muita dificuldade em manter a furtividade perto dos guardas, e o sistema de CQC (teoricamente um krav-maga generico) quase nunca é usado porque chegar perto de um guarda, agarrar ele e usar os comandos sem que um alarme toque ou que a coisa saia toda errada é impossivel. Os controles são muito estranhos e nervosos ao ponto que fodancham com leite a diversão! É impressionante como eles conseguiram cagar com a furia de um vulcão que entra em erupção a jogabilidade do jogo, ela consegue ser pior que a PS1!!!!111 Taqueopareooooooo!!!


Resumindo a jogabilidade da coisa em uma cena

O terceiro problema do jogo é o cenário. Enquanto pareceu uma boa e divertida idéia largar o COBRA PELADA na selva, inclusive tendo que comer animaizinhos de Deus para manter sua estamina, isso vem com sérios problemas. Alem de cair de boca em cobras, lagartos, cabritos e competidores eliminados do RuPaul’s Drag Race basicamente o que voce faz em 8 das 10 horas de jogo (pouco mais, pouco menos dependendo do seu ritmo) é andar de uma tela de mato genérica para outra tela de mato genérica para eventualmente enfrentar um chefe genérico e então voltar a sua vida de andar no mato genérico. CARALHO COMO ISSO É CHATO! Metal Gear sempre foi uma série, desde o MSX, de espionagem, de invadir bases, de conseguir codigos de acesso, de se infiltrar disfarçado (mesmo no limitado MSX). Enfim, ser o James Bond elegante.
E aqui é só mato, mato e mais mato por 4/5 do jogo em que nada interessante acontece. AI MEU SACO PORRA, AÍ É PRA FODANCHAR A AMIZADE NÉ BÁTIMA?

13h

Apenas a foto mais feia da história da vida da Xuxa pode ajudar a entender o quanto é CHATO PRA CARALHO rastejar de um mato pro outro durante 4/5 do jogo

Pois é. Metal Gear Solid 3 é um caso perdido. Só que não.
Então, magicamente no ultimo pedaço do jogo uma coisa incrivel acontece. Na parte em que voce tem que invadir a base russa para destruir o Shagohod ( o proto-Metal Gear) o jogo subitamente começa a parecer… Metal Gear! A história que estava parada desde o começo do jogo começa a andar e a missão de resgate acaba se transformando numa coisa muito maior (como é de praxe nos jogos da série). A mecanica continua gorda e porca, mas agora voce tem que roubar uniformes, plantar bombas, coisas de espião! Easter Eggs, a coisa desanda com desfechos interessantes, com agentes duplos, agentes triplos, agentes piranhas sedutoras, conflito de interesses, tortura, cenas de perseguição, tudo que o jogo poderia ter sido desde o começo só que não foi!

A batalha contra o Shagohod é divertida e a luta contra A CHEFA ao som da musica tema do jogo é de uma beleza que faria o Major Armstrong chorar!

13i

Lagrimas másculas foram derramadas aquele dia

No fim do jogo voce compreende os verdadeiros motivos da CHEFA, a verdade por detrás da missão COMER COBRAS e muitas das coisas que foram citadas em MGS2 são explicadas. O final ainda reserva surpresas e reviravoltas, alem de cenas sexy time que fariam qualquer filme de espião orgulhoso!
Ou seja: PUTA QUE PARIU COMO É BOM! É como Metal Gear sempre deveria ser! Parece que só no ultimo pedaço do jogo o Kojima acordou, ligou o seu tesometro japa e fez um puta jogo! Mas PUTAÇO MESMO, MAIS PUTÃO QUE O JORGE DA BORRACHARIA!

Porque, Kojima amarelo safado, porque nos fez aguentar horas de um jogo mediocre para apenas uma hora (se tanto) de Metal Gear de verdade? O fim do jogo é tão bom e tão tudo que o jogo deveria ter sido que voce quase esquece as horas de mediocridade de mato. Bem, verdade seja dita, eu já joguei jogos piores por recompensas satisfatoriantes muito menores, de modo que eu posso viver com MGS3.

O que, em um parecer final, lhe concede o dubio premio de melhor jogo ruim de todos os tempos!!!///////////
Um prazer culpado, como gostar dos filmes do Adam Sandler =D

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PS: A observação inicial é completamente irrelevante.

PS2: A musica de encerramento, Way to Fall, alem de ser linda diz muito sobre a série. Perfeita, sob medida.

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