[JOGO] – ICO: Ou como a nostalgia não salva um jogo ruim

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PRODUTORA: Team ICO
DISTRIBUIDORA: Sony (PS2 e PS3)
JOGADORES: 1
ANO: 2001 (relançado em 2011 para PS3)

Quero fazer uma aposta com você: eu abri meu word e estando na primeira página, evidentemente, e no momento você não sente absolutamente nada por mim. Quando eu terminar,  no entanto, ao fim da terceira página você estará tomado por uma ojeriza tão profunda que novos palavrões terão de ser criados em minha homenagem. Caso remanesça cético quanto a isso, saiba que essa semana eu falarei de um jogo chamado ICO

Caso você não tenha jogado posso te dar apenas um conselho, o único e mesmo conselho que eu daria a quem alugou o DVD de Prometheus: corra. Corra por sua alma, pelo seu tempo perdido, atire essa desgraça longe e apenas corra. Agora se é o caso de você já ter jogado esse jogo, então sua memória afetiva está lhe dizendo o quanto eu deveria ser degolado e enforcado com as minhas próprias tripas por questionar a perfeiçonabilidade deste jogo.

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“Você cometeu um terrível engano”, bilhete encontrado dentro da caixa do DVD aluguado de Prometheus também se aplica a esse caso

Bem, vamos começar do começo: ICO conta a história de um menino que nasceu com chifres, ou desenvolveu chifres sei lá, e sem surpresa nenhuma o pessoal da sua vila achou que isso era coisa do capiroto tranca-rua e resolveu prende-lo num sarcófago em um castelo pra lá da putaqueopariu do norte como era o procedimento padrão neste tipo de caso. Eu não sei que tipo de vila é essa que tem um procedimento padrão para anticristos chifrudos aparecendo volta e meia, mas certamente prefiro passar minhas férias no sudoeste da Eslovaquia do que lá.

Aí por um motivo aleatório qualquer o jovem ICO consegue escapar de sua prisão e no caminho encontra uma guria fracote branquinha. Pensando em dar um canguru perneta chifrudo com a simples camponesa de nobre coração que vai todos os dias ao bosque recolher lenha magrelinha, ICO solta a monguinha e assim eles tentam fugir do castelo da bruxa baratuxa. E deu pros coco magrão, a história é essa. Se você reparar, vai ver que se tirar a minha palhaçada a história do jogo mal dá duas linhas. Mas ok, seguimos em frente.

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Cliches, cliches por toda parte e nenhuma gota de criatividade para beber

Para fugir do castelo ICO tem que arrastar (literalmente) a peso pena e resolver alguns puzzles e é aí que o jogo começa a fazer mais agua que cerveja vendida em estádio de futebol. Porque ICO é um rapaz valente: ele escala, sobe em cordas e correntes e caceteia os espíritos diabólicos do mal que tentam sugar a menina Yorda para seu buraco de devassidão. Em contra-partida a guria (a tal da Yorda) é uma monga inútil que só segue em frente se tiver um caminho 150% aprova de retardados, e diante do menor obstáculo se joga no chão e começa a gemer (de um jeito totalmente não sexy, antes que você tenha esperanças com esse jogo).
Sério, eu fui criado vendo mulheres de ação e culhões de ferro, tipo Samus Aran e a tenente Ripley, uma mulherzinha que ta lá só pra te foder a cancha acaba com a paciência de qualquer um mais rápido do que você consegue dizer “saronga mutagênica”.

Então você tá lá, tentando descobrir como abrir caminho no castelo pra bocomonga da guria, tendo que arrastar ela pela mão e não podendo se afastar muito dela (senão os fantasmas do créu surgem e aplicam uma velocidade 5 nela) e tipo o jogo é sobre isso. O que receberia meu bom e velho “até aí tudo bem, MAGRÃO”. Mas não tá tudo bem. Não tá nada nem perto de estar bem. Putaquepariucomsabredeluz, não tá nem remotamente bem.

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Por falar em não estar bem, camiseta foda pra caralho e talz

Por questões de pura fodanchabilidade, a guria não é só fracote e lerda, ela é burra mas tão burra que a única ligação afetiva que você consegue ter com a mocoronga é a urgência de mata-la. Ela não é só burra, ela parece ter sido desenhada pelas melhores mentes do mundo pra te foder o meio-campo das piores formas possíveis. O que quer dizer que você vai perder a conta de quantas vezes ela vai se entregar de graça pros inimigos, quantas vezes você vai esperar minutos pela boa vontade da magrela de ir onde você ta mandando ela ir e vai dar uns três pulos da cadeira por hora de  jogo sobre como a retardada te obriga a dar uma puta duma volta porque vossa alteza da chavasca seca não quer subir um murinho que até o Stephen Hawkins subiria. E pra piorar a monga não fala, ela só geme em um idioma aleatório o que contribui em muito para que sua única ligação emocional com ela ideal envolva uma faca de manteiga enferrujada e as tripas dela espalhadas por 8 nações diferentes.

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Vida longa a mongolita!

Embora o conceito de levar a princesa pela mão no castelo pareça romântico, na pratica o que acontece é que você vai estar arrastando um peso morto, um saco de batatas pra cima e pra baixo. O Cubo Companheiro do Portal, que cumpre a mesma função, tem muito mais carisma que ela e não provoca sua indignação por sua burrice, acredite.

Mas ok, esqueçamos o peso morto que você tem que carregar, vamos falar do tal do ICO.

Ta vendo esse tampinha chifrudo?
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Eu não sei a idade dele, eu não sei da onde ele vem nem do que ele se alimenta. O que eu sei é que o tampinha aí pesa 359 quilos. Porque putaqueopareo, como ele é GOOOOOOOOORDO.
Mas gordo mesmo! Tão gordo que o Expecto Patrono dele deve ser na forma de um bolo. Tão gordo que ele tem que colocar o cinto com um bumerangue. Tão gordo que ele tem que pagar ligação interurbana pra falar consigo  mesmo. Gordo pra caraio.

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ICO pros intimos e talz

Ok, talvez visualmente não pareça o que eu estou dizendo, mas pegando o controle na mão você vai ver o quão HORRENDIFICOS são esses controles. O quão depressivo é tentar fazer a porqueria do nanico te obedecer. Caralho, eu jogo videogames a 25 anos e tenho dificuldade em fazer esse puto andar em linha reta! E num jogo que envolve resolver puzzles saltando e correndo você não faz idéia do quão frustrante é ter que  comandar um personagem tão gorduroso que simplesmente não obedece o que você quer que ele faça. Ok, aí você pode dizer nisso “ah nem vem, tu que é bostolão mesmo” mas eu te desafio a ver os detonados no youtube e perceber que mesmo gente que manja muito do jogo patinando e errando pulos básicos porque os controles são tão ruins, mas tão ruins, mas tão ruins que dão câncer só de pensar neles. Ah, adicione a isso que você tem que conduzir a miss cabeça de trigo e você terá um passaporte só de ida para a terra da fúria infinita.

Não importa o quão bem intencionados sejam os puzzles do jogo, porque você não vai aproveita-los porque OU vai estar apanhando pros controles GORDOS desse jogo OU vai estar xingando a retardadice da princesa OU MAIS CERTAMENTE uma combinação de ambos.

NOVALGINA RESSECADA, eu te digo!

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Eu odeio mais esse jogo do que se Adele e Hitler se fundissem em uma pessoa só. 
Na verdade, parte de mim gostaria de ver isso acontecer…

É claro que um jogo em que nada funciona como deveria não teria uma trilha sonora, isso é obvio né? Tipo 90% do tempo você só ouve o coitado do seu personagem gordo chamando a guria monga e ela respondendo que não vai. Ai vão me dizer que isso é uma decisão artística e tectectugens terão que ser dados, porque isso é resposta de indie vagabundo que ta ocupado em enrolar seu baseado do que em fazer um jogo. “Ah o jogo não tem trilha sonora pra criar uma atmosfera de (insira uma bichisse qualquer aqui)”. Ah sim, então se é essa a desculpa então vamos tirar a música de tudo. Porque o Homem-Aranha está sozinho quando ele se balança nos prédios, o Ryu luta para encontrar respostas em si mesmo, o Megaman luta sozinho em um mundo de robôs corrompidos. Ou seja, não vem chamar de decisão artística o que é apenas preguiça pura. Claro, vindo de uma equipe que não sabe fazer um jogo em que o boneco consiga andar em linha reta acho que talvez é até melhor que eles tenham tido a malemolência de não tentar colocar musica no jogo.

E bem meus amigos, como eu havia prometido chegamos a terceira pagina do texto e você já deve estar me odiando a essa altura, porque afinal alguém precisa dizer que por  mais que sua memória afetiva te diga o contrário, ICO é uma sonora e flatulenta bosta nuclear em que NADA funciona como deveria.

Os controles são asquerosos, os personagens inexistentes (a Yorda tem um traço de personalidade: ser fracote, e a bruxa má é má, fim) os puzzles são bem bolados mas você não vai aproveita-los entre a estupidez da AI da Yorda ou a gordice de controlar o ICO, a trilha sonora inexiste, os inimigos são sempre os mesmos: umas sombras antropomórficas tentam levar a guria calhorda pro buraco da perdição (por questões de fodanchabilidade, se uma delas te acertar o mongol do ICO vai ficar meia hora no chão rolando mais que jogador argentino ganhando de 1×0).

Como prova de que o jogo é fraco e amador, vou colar TODOS os dialogos do jogo aqui e voce me diz onde fica a genialidade nisso, fechado?

  1. ↑ a b Cquote1.png Rainha: Essa garota com quem você está é a minha primeira e única amada filha. Pare de perder o seu tempo com ela. Ela vive em um mundo diferente daquele de um garoto com chifres! …Yorda, por que não podes entender? Você não pode sobreviver no mundo exterior. Cquote2.png
  2.  Cquote1.png Ico: Eles… eles tentaram me sacrificar porque eu tenho chifres. Crianças com chifres são trazidas para cá. Cquote2.png .
  3.  Cquote1.png Ico: O que você fez com ela? / Rainha: Silêncio, garoto. Você chegou atrasado demais… O meu corpo se tornou muito velho e não vai durar muito. Mas Yorda irá me garantir o poder de ser ressuscitada. Ser o meu receptáculo espiritual é o cumprimento de seu destino. Da próxima vez que o corpo dela acordar, ela não será mais Yorda. Agora abaixe a sua espada e vá embora. Isto é o que ela quer que você faça.

Profundo e “ambientação única”, vai dizer?

Apesar da iluminação ser muito boa (aeee/eeee, em alguma coisa eles tinham que acertar) e o jogo ser feito numa época em que era possível fazer um jogo sem ter linhas fluorescentes no chão te dizendo o caminho mesmo quando o caminho são apenas corredores (sim Dead Space, estou olhando pra você) os cenários são feitos com tanta preguiça que me deram câncer. Sim, porque a porra do castelão onde você corre pra cima e pra baixo não tem mobília ou qualquer coisa digna de nota, fizeram as paredinhas e ta mais que bom magrão. Ai volta e meia surge uma coisa completamente aleatória (tipo um cata-vento ou encamento de esgoto) pra vc passar, coisas que não fazem o menor sentido de estarem lá. Fraco e amador. FRACO E AMADOR NO NIVEL LOST DE FRAQUEZA E AMADORICE PORRA!

Ah é, no final tem uma batalha final contra a bruxa e tal, que não faz o menor sentido. Tipo voce CONVENIENTEMENTE encontra a UNICA COISA que pode matar ela jogada por ai umas duas salas antes de encontra-la. Porque deve ser o manual do vilão encher a sala da batalha final de munições aleatórias ou a unica arma que pode vence-lo, só pode uma putaria dessas… Claro, o seu Fumito Ueda, o diretor da bagaça, estava tão ocupado em enrolar seu baseado e COMER VADIAS que certamente não tinha como se importar menos com a falta de sentido das coisas que voce encontra dentro do castelo (e considerando que é um castelo vazio, é um mérito conseguir que as coisas dentro dele não façam sentido – Lost awards pro nego e tal)

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Retrato feito em sabão vegetal de Fumito Ueda sobre papel manteiga

Mas como eu joguei pedra na cruz com atiradeira de amendoim a coisa fica pior ainda: não basta ICO ser um jogo ruim e mal feito. Naaaaaaaaaaaaaoooooo senhor, não pode ser só isso! Não, ele tem que ser considerado pelos gamers como “arte” e genial. Cada defeito crasso do jogo, e jezuiznacruiz como esse jogo tem defeitos, foi tido pelo desespero dos gamers em querer provar que videogame não é coisa de criança como proposital e conceitual.

AHPUTAQUEOPAREO CADE MEU PAU?!? CADE MEU PAU!!!!!!111111 AAAAAAAHHHHH!!!!

Moral da História: ICO consegue a façanha de falhar em todo e cada um dos quesitos que compõe um jogo. Trilha sonora, enredo, personagens, jogabilidade afundam mais depressa que moedinha de um real no ralo. Pra ser sincero, me constrange um pouco (no sentido vergonha alheia) que os gamers sejam crianças tão desesperadas em provar que são adultos que pegam qualquer porcaria só porque tem uma iluminação mais conceitual pra dizer que isso é arte. Depressivo e canceroso.

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