[JOGO] FINAL FANTASY XIII-2: O Nerd das Trevas Ressurge

7a

PRODUTORA: Square-Enix
DISTRIBUIDORA: Square-Enix (PS3 e XBOX 360)
JOGADORES: 1
ANO: 2012

Uma vez eu li que crescer é lentamente ir se distanciando dos pés.
Quando somos bebes, os pés são companheiros de exploração do mundo e com facilidade os pomos até na boca. Conforme os anos cobram seu preço os pés vão ficando cada vez mais distantes até o ponto em que  voce lembra que eles existem apenas graças as pecinhas de Lego espalhadas no chão. Seja como for, eu acho a frase muito boa – tão boa que eu ousaria aperfeicoa-la: crescer é ir lentamente se afastando do Japão.

 7b

Baseado em fatos reais

Eu me pergunto se fui eu que mudei, ou se foi ela. Qualquer um dos dois que seja o culpado, a verdade é que amantes apaixonados hoje a Square Enix e eu somos conhecidos constrangedores (tipo ex-namorada ou vizinha de infancia que voce cantou quando tava bebado, esse tipo de climão sem graça que surge). Houve uma época em que não só eu, mas qualquer gamer decente largava tudo o que estava fazendo para ver as noticias de que havia um novo Final Fantasy a caminho. Eu lembro como se fosse ontem, a queda da bolsa de 29 começou assim. True Story

Final Fantasy 13: parte 2 não poderia ter uma história mais desconexa ou desinteressante. Sério, eu tentei bolar algo mais xoxo e não consegui. Tentei mesmo, e o mais perto que eu consegui foi um churrilhão tão fedorento que meu cachorro desmaiou. Ainda sim, não é tão sem graça quanto FFXIII-2.

 7c

Seu reencontro com animezices depois de adulto

Pra quem não jogou Final Fantasy 13, basta saber que o mundo de Gran Pulse possuia uma lua artificial chamada Coccon, onde viviam as pessoas. Por razões, essa lua quase caiu e matou todo mundo, mas duas gurias gemedeiras se sacrificaram e seguraram Coccon com um pilar de cristal criado com incrivel poder da amizade usando a velha maciota dos animes de tirar poder do olho do cú para salvar o dia depois de um discurso genérico sobre amizade.

Seja como for foi o que aconteceu. FFXIII-2 começa quando Serah Bodovsk, a irmã da protagonista do jogo anterior se pergunta como só ela lembra de certos acontecimentos que é quando surge o molequinho do Kingdom Hearts e juntos eles saem voando pelo tempo e espaço concertando paradoxos temporais (porque alguem mexeu na linha espaço-tempo) para salvar o futuro… e o passado, e o presente. E o futuro denovo. Não pergunte.

 7d

Paradoxo temporal e pedofilia implicita. Japão no seu melhor

Sério gente, eu mais do que ninguem, mais até do que o Rodrigo, adoro histórias sobre viagens no tempo. E vindo de um estudio que criou perolas como Chrono Trigger e o fantastico (e sempre esquecido) Chrono Cross, eu tinha grandes expectativas para este jogo. Aparentemente a Square-Enix sabia disso e achou que expectativas eram o suficiente para me fazer comprar… e os amarelos maconheiros estavam certos. Raios. Raios duplos. Raios maconheiros ninjas.

Então acontece que FFXIII-2 é sobre visitar lugares e revisitar lugares  depois que voce visitou lugares enquanto visitava lugares. Verdade seja dita, podem acusar o jogo de qualquer coisa menos de ser linear. Existe um numero X de cenários no jogo (que eu to com preguiça de contar, lide com isso) e voce joga nesses cenarios em momentos diferentes da história ou em versões de futuros alternativos deles. Tipo se voce derrotar o monstro chefão daquele cenário no passado, vai abrir uma versão desse cenário no futuro onde nasceu uma cidade ali porque não tinha um monstro fumegão acarcando todo mundo com sabão. Esse tipo de coisa, enfim.

 

Chrono Trigger, bem como eu me lembrava dele

Como eu disse, o conceito é bem massa e tava com a faca e o queijo na mão, driblou os dois zagueiros, com o Tiburcio armado pra dar uma guaribada quando alguém no departamento de idéias ruins da Square-Enix teve uma idéia ruim: “e se jogarmos esse conceito no Gerador de Paumolezice?”

Mas o que é a arte da paumolecencia? Bem, é uma arte muito antiga que remete até o Antigo Testamento, onde os homens de honra firmavam sua palavra pegando na jeba de outro. O que alias eu NÃO estou inventando, é a vontade de Deus que todos saiam garreando jebas aleatórias. Então, nessa época era considerada uma profunda falta de sacanagem paumolecer e oferecer uma jeba tristonha para ser pega. Com o passar das eras essa arte foi aperfeiçoada até ser transformada em um codigo fonte capaz de se infiltrar em qualquer sistema. O Caith Sith no Final Fantasy VII? Paumolecencia. Aquelas tomadas de 15 minutos no Blade Runner onde nada acontece? Paumolecessencia dupla. Qualquer fala do Anakin no episódio I de Star Wars? Paumolecencia espacial.

Dito isso fica fácil ver onde a paumolecencia entra duro (ou mole, no caso) em FFXIII-2. A história toda gira em torno do problema que Noel Cristo vem de um futuro onde Coccon caiu e o mundo virou uma chumbreguice, e agora ele tenta evitar que esse futuro se realize. E sabe qual a grande, genial, fantastica solução que eles pensam para resolver isso? Simples, construir outro Coccon artificial e mudar todo mundo pra lá. Tirando que alguem ta levando um por fora no Cocconoduto, sério a idéia dos caras era construir uma bagaça que levou quatrocentros quatrilhões de gils e quase quinhentos anos pra ficar pronto, com uma tecnologia que TALVEZ funcionasse.

7e

Sério gente. Aí eu fico triste com uma coisa dessas. Triste. Deprimidão.
Sei lá, sei que eu não sou um famoso criador de jogos e tal,mas que tal só evacuar a bagaça e fazer cidades no PLANETA longe da zona de impacto? Só isso, pronto.

Mas não, o jogo gira em torno de salvar a porcaria do pilar de cristal de toda sorte de coisa até o “novo coccon” seja lançado aos céus.

Paumolescencia nua e crua.

Ai eu fico triste com um negócio desses. Triste.

E se a história principal é essa, não vou nem entrar no detalhe dos sub-plots e desenvolvimento de personagens. Não que tenha algum, claro. Tipo o Noel Cruz e a Serah Quefoitudoissoemvão viajam pelo espaço tempo salvando o dia e o rabo um do outro e claramente o Noel Cruz ta pensando em dobrar o cabo na Boa Esperança da Serah. Que por acaso é noiva de outro! Ta-tan-taaaaaaam!

Sabe como o jogo resolve esse conflito? Ignorando o assunto, os dois são crianças assexuadas lutando contra o mal e deu. Porque tentar fazer algo legal quando o gerador de paumolescencia resolve tudo pra voce, não é?

Eu já vi continuações feitas com tanta preguiça que derrubariam um mamute no cio, mas FFXIII-2 faz as continuações em video da Disney parecerem obras primas! (sério Rei Leão 2, sobrinho do Scar? O que voces fumaram, porra? Bomba de rachiche?)

Então, tirando a parte da história que me deprime (e tirar a história de um RPG é dose pra cantar com musiquinha do Castelo Ra-Tim-Bum), sobra uma continuação de Final Fantasy XIII. O que significa o mesmo sistema de combate (só que piorado, as lutas ficaram mais faceis e todo o sistema de troca de classes se tornou desnecessário), não raramente os mesmos cenários e as mesmas músicas. O que não seria tão ruim assim, não fosse o singelo fato que voce já passou 60-80 horas jogando esse mesmo jogo. Pra não dizer que não tem nenhuma novidade, tem um chocobo vermelho que toca um tema de metal pesado quando voce monta nele. Que ficou muito bala, diga-se de passagem…

 

Gas ‘em up with the greens and let him go
Stand back, stand clear as he puts on a show
So cute yet fierce, is he from hell?
I cannot tell, yet I don’t even want to know
So you wanna be a trailblazer?
Kickin’ dirt like a hell raiser?

O deathmetal do Chocobo é de longe a melhor coisa do jogo, hahahaha

Mas aí voce esta se perguntando: “Cara, não entendi. A história é horrenda, os personagens tem o carisma de um taco de golfe quebrado e o jogo é uma esticação de um jogo que já te comeu tipo umas 60 horas (ou no meu caso 120 pq eu joguei no XBOX e no PS3). Sério velho, alem do degenerado mental que tu é, porque diabos tu se presta a jogar essa coisa? Alias porque qualquer um jogaria essa coisa? Afinal, qual o teu problema cara?!?”

E a resposta, meu amigo, pode vir a choca-lo em sua simplicidade, mas é a mais pura verdade.
Porque diabos alguem jogaria por DEZENAS de horas algo como Final Fantasy XIII-2?

Porque nós somos nerds. É por isso.

Porque onde houver um ponto de exclamação dando uma quest, lá nós estaremos.
Porque onde houver uma missão de encontrar cada um dos 160 itens colecionaveis do jogo, lá nos colecionaremos.
Porque onde houver um chefão secreto a ser batido em uma luta de meia hora, lá nós lutaremos.
Porque onde houver  um final alternativo a ser assistido, lá nós desbravaremos
Porque onde houver um monstro pra evoluir, nós o poremos na rinha.
Porque onde houver minigames de chocobo, nós os correremos

Porque nós somos nerds, e esse é o nosso poder e a nossa maldição.

Nós sabemos explicar porque o céu é azul e porque o chá quente esfria e porque a Coca fria esquenta ao custo de qualquer habilidade social, sobretudo envolvendo as femeas da especie. Não, FRIENDZONE NÃO CONTA, CASPITA!

7f

Porque jogamos FFXIII-2?

Porque depois que nos LIVRAMOS da besteirada da história principal, sobra um jogo com dezenas de coisas para completar. Coisas que envolvem paciencia, organização mental e um pouquinho de habilidade. E nós precisamos completa-las, é o que nos move, é o que nós somos. Nós fazemos o que é preciso porque nós podemos.
Porque é o que nós somos.

No fim, FFXIII-2 tem coisas boas (as sidequests), tem coisas ruins (a história principal) e coisas estranhas (tipo o vilão, um adulto crescido, do jogo quer destruir o continuo espaço-tempo para salvar uma linhagem de menininhas de 15 anos por quem ele é apaixonado), como era de se esperar de um RPG japones.

7g

The nerd knight rises!

Final Fantasy XIII-2 não é o Final Fantasy que os nerds merecem, mas é o RPG que os nerds precisam. Eles vão joga-lo porque eles aguentam. É uma missão solitaria e silenciosa. Uma proteção zelosa da virgindade. O nerd das trevas.

Jogamos porque é Final Fantasy, mofo!