[INICIATIVA NGF] O Renascimento da DC Comics

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Texto de Rafael Soler

Segundo a mitologia grega, uma Fênix é um pássaro místico que, ao chegar ao fim de sua vida, entra em combustão espontânea, e em seguida renasce de suas próprias cinzas. E foi mais ou menos isso que aconteceu com a DC Comics em junho desse ano.

Tudo no mundo tende a se desgastar com o tempo e, não diferente do restante, a DC começava a mostrar os sinais do cansaço. Um ciclo precisava ser fechado para que outro se iniciasse. A fase dos Novos 52, que prometia dar um novo folego para a editora, havia feito justamente o contrário. As novidades trazidas não foram bem recebidas pelos leitores de longa data, e não surtiram o efeito de atrair toneladas de novos leitores. Os narizes torcidos do público e o número de vendas mediado fizeram com que a editora parasse tudo e pensasse: “E agora, José? ”

A resposta era quase óbvia, quando um universo de quadrinhos não vai bem das pernas a palavra aparece magicamente em pleno ar: reboot. Só de escrever essas últimas seis letras eu tive calafrios. Quando a iniciativa Rebirth (Renascimento, em português) foi anunciada, o nariz do público, que já estava torcido, quase deu um duplo mortal carpado em seus rostos. O ânimo dos leitores ficou dividido: uns queriam que os Novos 52 fossem logo esquecidos e que tudo começasse desde o começo, mas a grande maioria não aguentava mais um reinicio.

E foi então que descobrimos que Rebirth não seria um simples reboot, mas sim um relaunch que trataria de unificar tudo de bom que havia sido feito na fase dos Novos 52, com tudo que o público sentia falta das revistas anteriores ao Flashpoint (Ponto de Ignição, no Brasil). Ousado. A chance do Rebirth bagunçar ainda mais o que já estava bagunçado era muito grande, mas, posso dizer embasado no número de vendas e nas revistas que eu li, que a DC acertou em cheio. O Superman antigo, de que todos sentiam falta, voltou, o antigo Wally West foi resgatado de seu esquecimento, o relacionamento entre o Arqueiro Verde e a Canário Negro foi reatado, os Titãs foram reunidos e muito mais. Foram alterações relativamente simples que resgataram tudo aquilo que havia sido perdido nos quadrinhos da DC: o otimismo e a esperança. É de deixar os olhos marejados.

A grande sacada não foi simplesmente trazer de volta aquilo que os leitores sentiam falta, mas sim fazer isso de forma plausível e misteriosa, fazendo com que o público ficasse realmente ávido pelas novas edições. Rebirth funcionou tão bem que em três meses a editora vendeu mais de 12 milhões de revistas, e esse é só o número das vendas físicas. Segundo John Cunningham, vice-presidente sênior de vendas da DC, esse número é maior do que tudo o que a editora vendeu no ano de 2015! Eu iria escrever uma palavra torpe aqui para intensificar a última oração, mas poderia deixar o texto deselegante.

A fênix definitivamente renasceu de suas cinzas e voltou a todo vapor, nos trazendo ótimas revistas e sem desrespeitar a cronologia estabelecida desde 2011. Agora só nos resta esperar que esse novo ciclo de novidades não se desgaste tão rapidamente quanto o último. E, felizmente, parece que isso não vai acontecer tão depressa.