[INICIATIVA NGF] Invencível – Vol.1: Negócios de Família (resenha)

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Texto de João Gabriel

Vamos fazer uma brincadeira? Eu vou falar o nome de um autor de quadrinhos, você diz a primeira obra dele que lhe vem a cabeça e eu vou tentar adivinhar no que você pensou, ok? Robert Kirkman. Creio que posso afirmar, com pouca margem de erro (exatamente 2 pontos percentuais para mais ou para menos, de acordo com o instituto dataf$#@-se), que 90% de vocês pensaram em The Walking Dead, certo? Bem, a minha missão aqui hoje será a de mudar estas estatísticas.

No mesmo ano que se deu início a The Walking Dead (em 2003) pela Image, Kirkman iniciou também uma outra série, pela mesma editora. Esta série é Invencível (Invincible, no original). Porém, ao contrário do clima tenso e pesado da primeira, Invencível é puramente uma história de super-heróis. Nada de desconstrução do gênero super-heroico ou coisa do tipo. É, assim como Astro City, uma homenagem às clássicas histórias do gênero, com todos os clichés que lhe cabem. Não é a toa que o próprio Kurt Busiek é quem escreve o prefácio deste volume.

Mark Grayson, em vários aspectos, pode ser considerado um adolescente normal. Estuda em uma típica high school norte-americana, trabalha meio período em uma lanchonete fast food, gosta de ler histórias em quadrinhos… A não ser pelo fato de que seu pai é Omni-Man, o maior super-herói da Terra! A história tem início justamente no momento da vida de Mark em que seus poderes começam a se manifestar. Até então, ele não tinha certeza se herdaria as características alienígenas do pai ou não.

Mas comete um grave engano aquele que acha que, por ter uma premissa simples, trata-se de uma obra simplória. Muito pelo contrário, apesar de não ter (pelo menos inicialmente) aquele clima de HQ “adulta” de Cavaleiro das Trevas ou Watchmen, o maior trunfo da obra é que ela não está atrelada a nenhuma carga cronológica anterior, o que permite um mundo de infinitas possibilidades. E por ser um universo totalmente novo, a evolução dos personagens pode ser vista e sentida no decorrer da narrativa, pois não existe nenhum status-quo que precise ser defendido, ou seja, nada de pactos com o demônio para desfazer casamentos ou personagens voltando do túmulo a cada mês. As consequências aqui são levadas a sério, o que significa que a própria série irá amadurecer juntamente com o protagonista.

A série, que nos EUA é publicada pela Image, foi trazida para o Brasil pela editora HQM (que também publica The Walking Dead por aqui) e possui 4 volumes encadernados traduzidos, embora lá fora esteja já no encadernado de número 22. É uma série indicada para novatos nas HQs, pois não é um universo que conste com 5 ou 6 décadas de histórias, multiversos e mundos paralelos. É algo que você pode começar exatamente de sua gênese e acompanhar sua evolução. Mas, ao mesmo tempo, também indico para leitores mais experientes, pois assim como Astro City, está repleta de referências e homenagens a obras conhecidas e personagens clássicos, como o Omni-Man e o Teen Team, grupo de super-heróis adolescentes com o qual o protagonista trabalha ocasionalmente (qualquer semelhança com Superman e Teen Titans NÃO é mera coincidência). A própria história de Mark Grayson, tendo que dividir sua vida de super-herói com sua rotina adolescente, lembra muito as histórias clássicas de Peter Parker no início de carreira como Homem-Aranha.

E aí, vai dar uma chance para Invencível? Mas tome cuidado, não se surpreenda se, daqui para frente, quando se falar em Robert Kirkman, você deixe de associá-lo com zumbis e comece a pensar somente em super-heróis…

Resenha originalmente criada para o site Pauta Livre News: http://www.pautalivrenews.com/quadrinhos/invencivel-vol-1-negocios-de-familia/


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