[INICIATIVA NGF] A menina que sobreviveu

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Texto de Bianca Ferreira

Lá estava eu, entretida num dos meus passatempos preferidos: fuçar as prateleiras da biblioteca em busca de algo interessante para ler. De repente, me deparo com um livro que eu não conhecia e que me chamou a atenção. A capa tinha um menino voando numa vassoura e um nome em letras brilhantes – Harry Potter. Bom, hoje em dia é meio improvável alguém não conhecer esse livro, mas isso foi há uns 13 anos atrás, numa cidade de 12 mil habitantes do interior de Minas Gerais. Mal sabia eu naquele momento, mas esse é o início de uma grande história.

Como disse, eu nasci numa cidade muito pequena, e muito, muito tradicional. Filha de mãe solteira, já cheguei no mundo me sentindo diferentona por não ser “tradicional” nesse ponto. Então imaginem minha alegria quando me adentrei num mundo mágico, mas incrivelmente bem parecido com o meu – cheio de Dursleys, olhares tortos e “you can’t sit with us”.

Depois de um tempo comecei a ter acesso à internet, descobri os animes e todo esse universo, encontrei pessoas que gostavam das mesmas coisas que eu (que são meus melhores amigos até hoje), entre várias outras coisas legais. De uma pessoa bem sozinha e que era esquisita porque ficava lendo no recreio, me transformei em alguém que podia dar vazão às suas esquisitices sem medo de ser feliz.

Bom, por que esse textão falando sobre mim? Porque eu acredito que a minha história é um exemplo de que Harry Potter não é “só mais uma história”. Durante muito tempo essa história foi o que me ajudou a seguir em frente, a acreditar em mim mesma, a não sucumbir diante de tanta pressão pra ser “normal”, pra ir na baladinha top, assistir novela da Globo e fazer luzes no cabelo.

Hoje eu moro numa cidade maior, e sei que posso fazer todas essas coisas “normais”, como posso também não fazer. A escolha é minha. Assim como eu poderia ter feito um texto sobre o próprio Harry ou sobre Naruto ou qualquer outro assunto nerd. Mas eu gostaria de dizer que, por mais que sejam histórias incríveis, nenhuma história é importante se não impactar as pessoas de alguma forma. E eu tenho certeza que muita gente que ler esse texto tem uma experiência própria pra contar – de amor, de amizade, de superação…

Eu fui a menina que sobreviveu. Mas se você tá aí em casa se sentindo meio deslocado, meio diferentão, pode ter certeza que “you CAN sit with us”. Pode sentar e ficar à vontade, que a casa é sua. O prazer é meu de ter você aqui.

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