[HISTÓRIA] Vlad, o Empalador

Você pode até confundir esse nome com o título de algum filme trash de terror esquecido nos confins da Netflix, mas o que talvez você precise saber é que esse é o real nome (e, de certa forma, título) do extremamente conhecido Drácula

Embora o romance de Bram Stoker (Abrahm, se você não sabe o nome real dele também) tenha pintado esse personagem histórico com as vestes negras de um Vampiro, i.e., ser que se alimenta de sangue de inocentes, as origens funestas dessa figura tão comentada é bastante diversa daquela (muito bem) escrita pelo nosso querido e admirado Stoker.
Vlad, para início de conversa, não era um gentleman britânico. Gozava, contudo, de um título que poderia se assemelhar ao título de Conde. Vlad era Voivoda, ou seja, governante de uma região determinada e, claro, dono de poderes talvez maiores do que alguém tão terrível poderia ter.

Nascido na Romênia, terra dos ciganos, de uma família cuja linhagem apresentava grande devoção por São Jorge – daí o nome Dracu, ou seja, do Dragão – Vlad era o filho psicopata de uma dinastia chamada Draculesti. Seu sobrenome romenoDraculea (também grafado Drakulya), usado para designar Vlad em diversos documentos, significa “filho do dragão”.
Com seu castelo (de horrores) localizado após uma ampla floresta – região chamada até hoje de Transilvânia, ou seja, através da selva – conquistou a coroa da Valáquia ao resgatar o trono de seu pai, Vlad II, em lugar de seu irmão Mircea II da Valáquia, herdeiro do trono.

Vlad não seria mais do que uma figura na confusão do jogo de poder entre Império Turco Otomano, Hungria e adjacências, não fosse sua prática inexplicável de torturas humanas sistemáticas.

Segundo historiadores, e até homens comuns que testemunhavam os horrores promovidos por Draculya, era comum que, ao menor sinal de desagrado, o Voivoda resolvesse suas questões com desafetos, estranhos e andarilhos de uma forma mais do que cruel: Vlad empalava quem ele desejasse, e deixava os corpos apodrecendo ao longo do caminho que levava ao seu castelo.

Algumas lendas, talvez mais apaixonadas, afirmam que, além de tudo, Vlad se comprazia em almoçar e beber vinho observando suas vítimas apodrecendo ao sol. Daí, a figura de um homem que bebe “sangue” – uma interpretação cristã do vinho como fluido sanguinolento humano e Vlad, como aquele que desdenha da morte ao tomá-lo.

Nunca houve, contudo, registros de que o Voivoda mais famoso da história tivesse, em algum momento, tomado uma gota de sangue de suas vítimas. Não que isso melhore sua reputação, é claro.

A empalação, caso você não conheça o termo, é um método de tortura e execução que consiste na inserção de uma estaca que atravesse o corpo do torturado. A vítima, atravessada pela estaca, era deixada para morrer sentindo dores terríveis, agravadas pela sensação de sede – o que é incrível, já que estar atravessado por uma estaca deveria, por si só, causar morte instantânea. [Nota do editor: sendo esta, possivelmente, a origem da estaca de madeira como uma das formas de matar a versão fictícia de Vlad imaginada por Bram Stoker]

Nada de fotos… (mas você pode encontrar algumas neste post)

Como o diabo, Vlad também tinha muitos nomes e era ainda chamado de Kazıklı Bey, ou príncipe empalador, em turco.

Draculea, Vlad, Bey, ou Drácula (chame como preferir) foi morto em batalha contra os turcos perto da pequena cidade de Bucareste em 14 de dezembro de 1476. Algumas fontes indicam que ele foi assassinado por burgueses valáquios desleais – ou simplesmente amedrontados – quando ele estava prestes a varrer os Turcos do campo de batalha. Outra versão é a de que Drácula foi morto acidentalmente por um de seus próprios homens no momento da vitória. “Acidentalmente”, se é que você me entende…

O corpo de Draculea foi decapitado pelos Turcos e sua cabeça enviada a Constantinopla, onde o Sultão a manteve em exposição em uma estaca por alguns anos. Mas dizem que sua filha, Mhnea teve 2 filhos em Bucareste, Romênia, e seus filhos tiveram outros filhos, então, por incrível que pareça, existem descendentes de Vlad Tepes…


Nota do editor: “Coincidentemente”, este ano duas editoras lançaram obras relacionadas à versão ficcional de Vlad.

A DarkSide Books publicou este mês uma luxuosa edição de colecionador do clássico terror de Bram Stoker.

Já a Editora Mino lançou, pela primeira vez no Brasil, a quadrinização do filme Drácula de Bram Stoker, de 1992, dirigido por Francis Ford Coppola e estrelado por Gary Oldman, feita pelo criador do Hellboy, Mike Mignola.


Raquel Pinheiro (Raposinha) é míope profissional, CANCERIANA, redatora, revisora, tradutora, escritora, professora de língua inglesa, viciada em café e artista plástica. Além disso, é troll nas horas vagas e é viciada em cheirar livros.