[HISTÓRIA EM SÉRIES] The Tudors | O destino final do cardeal Wolsey

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Um dos personagens de maior destaque na primeira temporada de The Tudors é o conselheiro do rei, o cardeal Wolsey. Interpretado excelentemente por Sam Neill, Wolsey foi intrigueiro e alvo de intrigas, amado pelo rei e odiado por seus inimigos. Wolsey, um dos homens mais poderosos da Inglaterra no período Tudor terminou a vida em desgraça. No último episódio do primeiro ano da série, Wolsey distante do amor de Henriquei VIII e preso acusado de traição, não vê outra saída a não ser comentar suicídio. Mas na realidade, teria Wolsey se matado? Qual foi o fim do cardeal? Bem, como diz a introdução da série, “para chegar ao coração da história, você precisa voltar ao começo”. Então vamos juntos descobrir quem foi o cardeal Wolsey e como foi o seu fim através de alguns fatos de sua vida.

Origem

Thomas Wolsey foi um inglês de origem humilde. Filho de Robert Wulcy, um açogueiro, estalajadeiro e comerciante, com sua esposa Joan Daundy. Original de Ipswich, Sufolk, Wolseu nasceu por volta de 1473.

Em 1488 recebeu seu bacharelado pelo Magdelen College em Oxford e no dia 10 de março deste mesmo ano tornou-se sacerdote.

No ano de 1500, Wolsey tornou-se mestre e decano em teologia em Magdelen College e em 1501 tornou-se capelão de Henry Dean, arcebispo de Cantebury. Com a morte de de Dean em 1503, Wolsey foi capelão de Sir Richard Nanfan, governador de Calais, que o apresentou a corte de Henrique VII.

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Cardeal Wolsey

Ascensão de Wolsey

Em 1507,Thomas Wolsey foi nomeado capelão do rei ganhando funções administrativas e diplomáticas. A ascensão de Wolsey continuou em 1509 quando foi nomeado decano e Hospitaleiro Real em Lincoln. Com a morte de Henrique VII, Henrique VIII assumiu o trono em 1510. O jovem rei tornou Wolsey secretário da Ordem da Jarreteira.

Thomas Wolsey se tornou um dos homens mais influentes próximo a Henrique VIII. O rei, um apaixonado por esportes, deixou a política aos cuidados de Wolsey que esteve a frente influenciando várias manobras na política real da Europa.

O todo poderoso cardeal Wolsey

Em fevereiro de 1513, Wolsey tornou-se decano de York e influenciou o rei na consolidação da aliança com o reino francês de Luís XII. Henrique VIII casou a irmã, Maria Tudor, com o rei da França para o desagrado da rainha inglesa, Catarina de Aragão, que via a influência de Wolsey sobre o rei. Em 1514, Wolsey é nomeado bispo de Lincoln, arcebispo de York e em 1515 tornou-se cardeal e foi nomeado pelo rei como Lord Chanceller. Wolsey havia se tornado um dos homens mais poderosos da Inglaterra com alta posição no clero católico a na administração do reino inglês.

Em maio de 1518, Wolsey foi nomeado legatus a latere (“Legado do Papa”, o posto mais alto de legado) tornando-se o membro da Igreja mais poderoso da Inglaterra. Em julho de 1518 foi nomeado bispo de Bath e Wells.

O cardeal Thomas Wolsey esteve no comando do encontro entre Henrique VIII e Francis I, rei da França, que ocorreu em 1520.

Em 1523, o papa Adriano VI morreu e o sucessor escolhido foi o cardeal Júlio Juliano de Médici, tornando-se o papa Clemente VII derrotando a pretensão de Wolsey em ser o novo papa.

A queda do cardeal Wolsey

Em fevereiro de 1525, Carlos V, imperador do Sacro Império Romano e sobrinho da rainha Catarina de Aragão, aprisionou o rei francês. Henrique VIII viu aí a oportunidade de declarrar guerra contra a França. Como as finanças do reino não estavam nada boas, o cardeal Wolsey tentou forçar um empréstimo da nobreza. A nobreza não via com bons olhos o tamanho do poder de Wolsey e ficaram indignados com o ato do cardeal forçando o próprio rei a pedir desculpas. Mas de todos os problemas que Wolsey enfrentava, nenhum deles foi tão significativo quanto a vontade de Henrique VIII em anular seu casamento com Catarina de Aragão e casar-se com Ana Bolena.

wolsey-sam-neill-the-tudors-jonathan-rhys-meyers-henriqueMesmo aconselhando o rei a não insistir na anulação do casamento, Henrique VIII confiou a Wolsey a conseguir o fim do casamento com Catarina de Aragão. O rei alegava dúvidas em relação ao casamento feito com a viúva do seu irmão citando Levítico 20:21. O cardeal Wolsey convocou um tribunal eclesiástico em 17 de maio de 1527, porém no dia 31 de maio foi declarado que não possuíam competência para julgar o caso e que o julgamento deveria ser levado ao papa.

Wolsey tentou usar de suas influencias sobre o papa afim de que ele próprio pudesse julgar o caso. Enquanto o cardeal viajava para a França no intuito de conseguir ajuda com o rei francês, a autoridade de Wolsey era contestada pela facção Bolena.

A situação piorou ainda mais quando o papa tornou-se prisioneiro de Carlos V. Catarina de Aragão então escrevia ao sobrinho para que intercedesse na questão do casamento. O papa Clemente negou conceder a anulação. Wolsey desesperou-se.

Em janeiro de 1528, Inglaterra e França declaram guerra contra Carlos V e Henrique VIII busca conseguir convencer o papa a dar poderes a Wolsey para julgar o caso da anulação. Clemente concordou em enviar o cardeal Campeggio para julgar o caso junto com Wolsey, sem conceder poderes a ninguém.

Cardeal Campeggio chegou a Inglaterra no final de setembro de 1528. O cardeal tentou convencer Henrique VIII a se reconciliar com a rainha, mas o máximo que conseguiu foi irritar o rei.

Henrique VIII pressionava cada vez mais Wolsey que fazia o que podia para obter a bula papal de Campeggio. No início de 1529, o papa adoeceu e o tribunal não foi mais convocado até 20 de maio de 1529. Wolsey tentou novamente obter a bula de Campeggio, mas em junho o papa proíbe sua utilização. Por pressão de Carlos V, a comissão de Campeggio é cancelada e o tribunal fechado. Ana Bolena acusa o cardeal Wolsey ao rei por atrasar o processo de anulação.

Wolsey começa a perder suas regalias. Em outubro de 1529 foi destituído do cargo de Chanceller e obrigado a devolver o Grande Selo. O cardeal deu grande parte de suas propriedades ao rei. Em novembro, Wolsey implorou por misericórdia e adoeceu logo após o Natal.

Ana Bolena não ficou nada feliz quando o rei perdoou Wolsey e confirmou seu arcebispado de York. A salvação de Wolsey seria a manutenção de Catarina de Aragão como rainha afastando assim Ana Bolena, porém Ana subornou o médico de Wolsey para que o acusasse de pedir ao papa a excomunhão do rei e que tomasse o trono inglês. Wolsey foi acusado de traição e preso. Durante a viagem para a Torre de Londres, o cardeal adoeceu e morreu na Abadia de Leicester, em 1530, onde ainda hoje encontra-se sepultado.

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Sam Neill como cardeal Thomas Wolsey

O cardeal Wolsey não cometeu suicídio como sugere a série. Por ser uma obra de ficção, The Tudors tomou um caminho para carregar ainda mais drama na trajetória que o personagem teve na primeira temporada. A série foi muito feliz em certos aspectos sobre Wolsey e ainda mais feliz na escalação de Sam Neill para o papel. O ator deu um show interpretando o personagem. Quando Wolsey é preso, na série, ele vira para Charles Brandon (Henry Cavill) e diz: “se eu tivesse servido a Deus tão diligentemente quanto eu fiz com o rei, ele não teria me entregue em meus cabelos brancos”. A frase, segundo afirmam alguns estudiosos, teria sido dita no seu leito de morte.

FONTES: Cardeal Thomas Wolsey – Tudor Brasil – Wikipédia – Thomas Wolsey