[HISTÓRIA EM SÉRIES] The Americans | Quando o mundo quase acabou

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O ano de 1983 continua conturbado para os personagens de The Americans. Não bastasse o drama familiar, o contexto da época ganhou mais destaques nessa temporada ao abordar o clima tenso de uma provável tragédia nuclear. A ficção da série encontrou o medo real do apocalipse da Guerra Fria.

A Guerra Fria, período histórico que vai de 1946 até 1991, foi uma fase da história da humanidade marcada pela disputa ideológica entre os Estados Unidos e a União Soviética, representando, respectivamente, o bloco capitalista e comunista. Como os dois países nunca declararam entre si uma guerra direta, o termo “fria” é usado para designar a tensão entre as duas potências.

Entre as várias características desse período, o perigo latente de uma guerra nuclear provocou o medo real do fim do mundo. A corrida armamentista protagonizada pelos Estados Unidos e pela União Soviética levou as duas nações a desenvolverem tecnologias nucleares capazes de acabar com a vida do planeta.

O episódio “The Day After” da quarta temporada de The Americans nos mostrou um dos momentos singulares daquele ano de 1983, a exibição televisiva do filme “The Day After” (“O Dia Seguinte” aqui no Brasil), que mostrava uma pequena cidade norte-americana devastada por uma bomba atômica, e focava em como os sobreviventes enfrentavam as consequências daquela catástrofe. Em diferentes núcleos da série, vemos os personagens assistindo ao filme e tensos com o que estava sendo representado. As cenas de destruição, a explosão da bomba e os sobreviventes assustaram os personagens, o que os fez pensar sobre o perigo da corrida armamentista, ou de qualquer outra arma desenvolvida por ambos os países.

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De fato, o filme “Day After” foi exibido pela primeira vez na televisão em 1983 (trata-se de uma produção do canal ABC) como mostrado no episódio. O filme causou grande comoção e foi acusado de sensacionalista, e de causar histeria na população. Em 1983, Ronald Reagan estava no meio do seu primeiro mandato, e a Guerra Fria vivia seu momento de auge. As tensões entre as duas grandes potências eram latentes, criando pouca animosidade entre as nações.

Porém, se o mundo quase acabou no filme, na realidade essa situação também quase ocorreu. Quando falamos de tensão nuclear, e do perigo real de uma grande catástrofe durante a Guerra Fria, geralmente lembramos da Crise dos Mísseis, onde Cuba recebeu mísseis nucleares soviéticos causando uma reação imediata dos Estados Unidos. Foi um período marcado por negociações e de um pânico real. O mundo poderia acabar em 1962. No entanto, uma outra história, que não é muito conhecida, ilustra bem o momento de pânico destacado aqui.

Numa cena do episódio “The Day After”, Oleg conta a Tatiana uma informação confidencial: um radar soviético detectou 5 mísseis americanos em direção a URSS, no entanto, o oficial em serviço não seguiu com o que foi determinado para fazer nessa situação, que seria contra-atacar. O fato descrito por Oleg realmente aconteceu, confira a descrição feita pelo site Guia do Estudante:

1983 – O russo que salvou o mundo

Stanislav Petrov era coronel do exército russo, tinha 44 anos e estava em serviço na madrugada de 26 de setembro de 1983, numa base próxima a Moscou. Ele não costumava trabalhar a noite, mas estava ali cobrindo a folga de um colega. Sua função era vigiar computadores e satélites e informar as autoridades sobre qualquer mudança. No caso de um ataque, a estratégia soviética era clara: o responsável tem exatos 12 minutos para acionar o sistema de retaliação. É o tempo que levava para que um míssil americano atingisse território soviético.

Era pouco mais de meia-noite em Moscou e domingo à tarde nos Estados Unidos, quando os computadores de Petrov indicaram que um míssil americano voava em sua direção. Ele interpretou o aviso como um erro da máquina – afinal se fosse uma guerra, os americanos não lançariam só um míssil – e registrou o aviso como um alarme falso. Algum tempo depois, soou novamente o alerta: um segundo míssil americano, e, depois, um terceiro, um quarto e um quinto. Piscava na tela do monitor em letras vermelhas a palavra “natinats” (iniciar, em português). Petrov manteve-se impassível, ele não tinha outras fontes para checar a informação e os radares terrestres só detectariam os mísseis quando estivessem visíveis na linha do horizonte, quando seria tarde demais.

Petrov confiou na intuição e não comunicou nada. Ele sabia que se estivesse errado o mundo cairia sobre sua cabeça, literalmente: 13 minutos se passaram. O silêncio era absoluto dentro e fora do comando militar. Nenhum míssil ou destruição. Petrov tomara a decisão certa e livrou o mundo de uma guerra nuclear. Mas se o planeta agradeceu, o mesmo não o fez o comando militar soviético. Petrov foi advertido por ter desobedecido o protocolo oficial, passou por longos interrogatórios e sua carreira no exército terminou ali.

A corrida armamentista provocou durante a Guerra Fria o medo real de uma tragédia nuclear. O desenvolvimento de ogivas nucleares, tanto pelos Estados Unidos quanto pela União Soviética, causou no imaginário da época um cenário apocalíptico que foi representado em diversos filmes não só como “O Dia Seguinte“, mas também “Guerra dos Mundos” e “O Dia Em Que a Terra Parou. The Americans continua como uma série de excelente qualidade, e ótima ao representar o contexto histórico da Guerra Fria.

FONTES: O Dia Seguinte, o filme que assombrou uma geração, Guerra Fria: o mundo por um fio,Guerra Fria – Só História,Holocausto Nuclear – Infoescola