[HISTÓRIA EM SÉRIES] Review | Vikings 5×04: “The Plan”

[ATENÇÃO! PAREDE DE SPOILERS]

“Por que os ratos estão na superfície?” – bispo Heahmund

Depois de um episódio mais centrado na batalha em York, Vikings divide mais a atenção com outros núcleos e – finalmente – Bjorn e companhia deslancharam numa trama interessante.

Em “The Plan”, vários núcleos da série tiveram mais de suas tramas desenvolvidas. Enquanto Ivar enfrente o cerco infligido pelo rei Aethewulf, Bjorn chega a Sicília entrando em contato com outro mundo. As duas tramas estavam bem interessantes que por um momento me fizeram esquecer de Floki na sua “Asgard”, assim como do rei Harald (que finalmente marcou um ponto nessa temporada).

Em Kattegat, Lagertha faz uma aliança com Ubbe se aproveitando do conflito entre os filhos de Ragnar. Porém, Lagertha está esperta para qualquer reviravolta que Magrete parece querer incitar.

De volta a York, Ivar se mostra mais uma vez a um passo de seus inimigos, desenvolvendo um plano baseado na estratégia de seus adversários. O episódio termina de forma tensa, porém, já desejo a hora em que Ivar irá provar da derrota, até pra evitar a repetição de eventos que a série tem mostrado em relação ao personagem.

À medida que Bjorn e Halfdan avançam em direção ao Mediterrâneo, os vikings vão entrando em contato com um novo mundo formado por povos e culturas diferentes. Para começar, o episódio faz referência aos Pilares de Hércules ou Colunas de Hércules.

Monumento às Colunas de Hércules em Gibraltar

A informação fornecida no episódio por Sindric faz referência aos marcos que ficavam no Estreito de Gibraltar.

Segundo a mitologia grega, Hércules tinha que transpor um estreito marítimo como um dos seus Doze Trabalhos. Como não tinha muito tempo, Hércules resolveu abrir um caminho que acabou ligando o Mar Mediterrâneo ao Oceano Atlântico. Dois rochedos ficaram separados e passaram a ser denominados como “Pilares de Hércules” ou “Colunas de Hércules”.

Império Bizantino

Quando Sindric fala sobre Roma para Bjorn, ele informa que o Império Romano não existe mais, nem sequer a sombra do que foi um dia. Mais a frente, Bjorn questiona o que é “bizantino”. O interessante aqui nessa referência histórica é entendermos que quando falamos da “queda do império romano” estamos falando da sua porção ocidental, pois sua porção oriental, o Império Bizantino, durou por mais mil anos.

Em seus últimos séculos, o Império Romano passou por crises de diversas ordens. O imperador Diocleciano na tentativa de sanar os problemas de Roma, resolveu dividir o império em dois: o Império Romano do Ocidente e o Império Romano do Oriente, este com sede em Bizâncio.

Enquanto o lado ocidental ia se desintegrando mediante as invasões de povos estrangeiros, o imperador Constantino unificou a porção oriental transformando Bizâncio em sua capital. Por sua ordem, foi erguida uma cidadela para sede do governo, Constantinopla. No final do século IV, o imperador Teodósio estabeleceu a divisão definitiva onde o Império Romano do Oriente, com capital em Constantinopla, também ficou conhecido como Império Bizantino.

Comandante Eufêmio

De fato Eufêmio foi um comandante bizantino que ocupou a Sicília. Segundo o historiador árabe, Ibne Alatir, Eufêmio atacou a Ifríquia, onde tomou alguns navios mercantes e devastou as costas. O imperador bizantino Miguel II, enviou uma carta rebaixando e punindo Eufêmio, este quando soube retornou a Sicília com sua frota e revoltou-se.

Algumas informações sobre Eufêmio são incertas, como conta Teófanes Continuado, ao relatar que Eufêmio teria sequestrado uma freira, Homoniza, de seu mosteiro e a levado como esposa. Provavelmente a referência para esse episódio.

Em 780, Eufêmio partiu para Ifríquia buscando refúgio entre os inimigos do império bizantino. Enviou uma delegação à corte aglábida (o Emirado Aglábida foi um estado islâmico no Norte da África entre 800 e 900) que solicitou ao emir Ziyadat Allah um exército para Eufêmio conquistar a Sicília em troca de um tributo anual.

Os vikings de Kiev

A nova temporada de Vikings tem mostrado que a expansão dos povos normandos não se limitou apenas a Bretanha ou ao Mar Mediterrâneo, como estamos acompanhando, mas também para outras regiões da Ásia.

Sindric comenta sobre nórdicos que já haviam estado no Mediterrâneo e outros que faziam parte da guarda particular do Império de Kiev.

Durante os séculos X e XI, parte do povo viking que habitava a Suécia migrou para o nordeste, especificamente para as regiões de Novgorod e Rostov. Liderados pelo rei Rurik, os vikings se dirigiram para o sul conquistando a região de Kiev (atual Ucrânia), dando origem ao reino de Rus – termo que deu origem a palavra “Rússia”.

Controlando o rio Volga, os vikings passaram a comercializar com os califados árabes, com os gregos bizantinos e parte da Europa feudal.

Ataques vikings aconteceram contra Constantinopla, porém os bizantinos preferiram negociar do que bater de frente com os normandos. Entre os acordos firmados, os vikings ganharam vantagens comerciais, mas cederam uma tropa que passou a ajudar na defesa do império, formando a Guarda Varegue.

Ilustração sobre a Guarda Varegue