[HISTÓRIA EM SÉRIES] Review | Vikings 5×01/02: “The Departed”

“O meu pai me contou” – Alfred

[ATENÇÃO! PAREDE DE SPOILERS]

Estamos de volta! Juntos, claro, com a nova temporada de “Vikings”, que já chegou metendo o pé na porta com episódio duplo de estreia, nos apresentando as novas tramas que prometem esquentar o quinto ano da série.

Antes de olharmos com mais cuidado as referências históricas desse episódio, quero destacar o quanto foi inteligente do canal History começar o novo ano da série logo com dois episódios. O fato não é somente aumentar o hype do programa – e seus patrocínios – mas, em termos de narrativa, ficou muito melhor posicionado ao espectador o contexto e as motivações dos personagens.

A série entrou em uma nova fase após a morte de Ragnar, e está interessante ver como os outros personagens – principalmente o Ivar – tem conduzido o show.

Começando do mesmo ponto do final da temporada passada, os filhos de Ragnar têm que encontrar paz para que os empreendimentos na Bretanha obtenham resultados satisfatórios. Enquanto isso, Lagertha encontrou em Harald seu maior inimigo no momento. Bjorn (finalmente) partiu rumo ao Mediterrâneo da mesma forma que Floki (literalmente perdido) se entregou às graças de seus deuses.

Ainda temos o personagem do bispo Heahmund, que assumiu a missão de combater os normandos e recuperar as terras invadidas. Dessa forma, o guerreiro busca em Aethewulf o apoio real – e sagrado – para sua guerra contra os vikings. E sobre Alfred, falaremos mais sobre ele adiante.

Cheios de tensão e ação, os primeiros episódios desta temporada nos posicionam na nova trama, que se desenrola de forma bem satisfatória e mantendo a qualidade do show.

“Skol”

Brindando à saúde e à sorte, os filhos de Ragnar levantam suas canecas de cerveja e desejam “skol”. Não! Não se trata de merchandising da famosa cerveja, mas sim de um termo utilizado em línguas faladas na Escandinávia.

“Skol” equivale ao vocábulo “saúde”, e sua escrita pode variar de um país para o outro. Na Noruega, tanto “Skaal” quanto “skål” significam “saúde”. Na Suécia a grafia é semelhante, “Skål”, mas podendo significar “copo” ou “tigela”.

Até hoje os povos nórdicos mantem o costume de dizer “skol” ao beber e brindar, desejando saúde a todos.

Alfred no Pântano

Os momentos de Aethewulf, Judith e Alfred no pântano tratam-se de uma mistureba de fatos e ficção. Sobre essa passagem de Alfred pelos pântanos, eu já havia escrito sobre isso durante os reviews da primeira temporada de The Last Kingdom, que trata de forma mais fidedigna os fatos dessa época.

Mas vale ressaltar que, durante a invasão normanda a Wessex, Alfred já era rei, e não um príncipe, como mostrado na série. Durante a invasão de Guthrum, em 878, a Wessex, Alfred conseguiu escapar e se refugiou nos pântanos de Somerset.

Na série, Alfred aparece muito doente. De fato, o jovem rei possuía a saúde debilitada, conforme os relatos feitos pelo bispo de Sherbone, John Asser.

A tomada de York

Pela cronologia da série, vemos que o exército viking tomou a cidade de York após derrotarem o rei Aelle e tomar Wessex… mas na verdade não foi bem assim.

A conquista de York (conhecida como Jorvic pelos vikings) é fato, mas a série misturou eventos e alterou sua cronologia.

Quando o Grande Exército chegou a Bretanha, o desembarque ocorreu na Nortúmbria, em 866. Chegaram a cidade de York pela manhã do dia 1° de novembro, dia de Todos os Santos – na série foi usada a “Festa da Ascensão”, dia santo que celebra a elevação de Jesus ressuscitado ao céu, geralmente celebrado após 40 dias da Páscoa, sempre numa quinta-feira. Segundo as lendas, foi durante a tomada de York que o rei Aelle é capturado e morto. Posteriormente, os vikings investiram contra Wessex. Fato que ocorreu após a morte de Ivar. Mas nunca é demais lembrar que a série não está a serviço da “fidelidade histórica”. A liberdade artística tem permitido ao show encontrar seu próprio caminho, baseando-se no que se sabe a respeito dos normando e sua cultura.

Bispo Cynebert, Athelgyth e Lord Denewulf

A série Vikings tem o costume de apresentar personagens secundários, alguns sem muita importância, mas inspirados em pessoas reais.

O bispo Cynebert de fato existiu durante o período anglo-saxônico, enquanto Aethelgyth foi esposa de Aethelfrith de Wessex e Mercia, Earl da Mercia. Sobre Lord Denewulf é encontrada uma referência como bispo Denewulf na corte do rei Alfred.

Mitologia

Floki como sempre nos trazendo referências da mitologia nórdica:

Njord: é um dos principais deuses da tribo dos Vanir. Deus dos mares, dos ventos e da fertilidade. Protetor dos pescadores e dos caçadores.

Asgard: é o reino dos deuses Aesi, como Odin.

P.S.: Vi recentemente comentários em vários reviews que tenho feito aqui durante as temporadas passadas de Vikings. Comentários que dão um retorno positivo a esse espaço e à paixão que tenho por História. Peço perdão pela minha falta ao retorno a esses comentários. Quero aproveitar esse espaço aqui para responder de forma coletiva e agradecer pelas palavras. Fiquem á vontade para comentar, sugerir e opinar sobre qualquer coisa a respeito da série. Skol!

Deixe uma resposta