[HISTÓRIA EM SÉRIES] Review | Vikings 4×19 e 20: A fúria nórdica e o destino da Inglaterra [SEASON FINALE]

“Ananyzapata”

[CUIDADO! PAREDE DE SPOILERS]

Nos dois últimos episódios desta temporada, Vikings apresenta a fúria do Grande Exército Pagão e dá um passo adiante na formação do reino da Inglaterra.

Acredito que qualquer dúvida com a qualidade da quarta temporada (que foi esticada de 10 para 20 episódios, e viu grandes personagens darem adeus) já foi bem respondida, e a contento. Na verdade, tivemos duas temporadas em um ano. Já que a primeira parte consegue funcionar muito bem isoladamente. Independente disso, Vikings ainda consegue manter seu fôlego com tramas interessantes carregadas pela força de seus personagens. Michael Hirst vai escrevendo sua própria versão das Sagas nórdicas, mantendo assim a tradição de levar essas estórias adiante.

No nosso último texto, terminamos falando sobre o Grande Exército Pagão e sua chegada nas ilhas britânicas.

Já comentei várias vezes que a preocupação de séries de TV como Vikings é com a condução da sua narrativa ficcional, fazendo com que os fatos e cronologias reais não sejam conduzidas com toda fidedignidade. Digo isso porque, a exemplo do que foi a Invasão de Paris na temporada passada, a tomada de Wessex representada na série foi bem diferente do que aconteceu na realidade.

O Grande Exército e Wessex.

Antes de chegarem a Wessex, o Grande Exército ainda conquistou diversos reinos ingleses, fato que não é mostrado na série.

Após derrotarem os reis Osbert e Aelle em 867, a Nortúmbria reconheceu o domínio nórdico, e o Grande Exército continuou expandindo suas posses durante o verão e acampando durante o inverno.

Depois de terem dominado a Ânglia Oriental (que havia colaborado no início da invasão), foi a vez da Mércia cair nas mãos dos vikings. Os nórdicos empossavam “reis fantoches” no lugar dos soberanos, que não se submetiam ao seu controle. Em menos de 10 anos, já eram senhores de dois terços da Inglaterra.

Em 873, Ivar, o Sem-Ossos morreu, e o Grande Exército foi dividido. Enquanto os filhos de Ragnar regressaram para York, outro grupo liderado por Guthrum se voltou para o último reino independente da Inglaterra: Wessex.

Naquele ano, Wessex era governada pelo rei Alfred, coroado com um pouco mais de 20 anos, e também foi o reino mais rico e poderoso da Inglaterra. Durante cinco anos, vikings e saxões batalharam no sul da ilha.

Esses fatos são presentados de forma mais fidedigna na primeira temporada da série “The Last Kingdom”.

A Morte de Sigurd, Olho de Serpente.

A fúria incontrolável de Ivar vitimou o próprio irmão, Sigurd, porém, diferentemente do que mostrou a série, Sigurd, Olho de Serpente viveu por muitos anos.

Segundo a tradição nórdica, Sigurd foi senhor dos reinos de Zeland, Scania, Halland, Viken, Agder e grande parte de Oppland. Casou-se com Blaeja, filha do rei Aelle da Nortúmbria, com quem teve quatro filhos.

Rei Ecbert

Já havíamos comentando aqui sobre o rei Ecbert de Wessex, mas, com a morte do personagem na série é interessante lembrar como foi o destino final de sua contraparte real.

No fim da sua vida, rei Ecbert já não tinha a mesma influência. Em 830, perdeu o controle da Mércia, quando este reino se tornou independente com a tomada de poder de Viglafo. A Ânglia Oriental, no mesmo ano, também começou a sair da esfera de controle do rei Ecbert.

Ecbert morreu em 839, ou seja, bem antes da chegada do Grande Exército Pagão. Em testamento, deixou seus territórios aos membros masculinos de sua família. Seu único filho conhecido, Etelvulfo, lhe sucedeu ao trono e governou Wessex até sua morte em 858.

Rei Etelvulfo

Bispo Heahmund.

Jonathan Rhys Meyers como bispo Heahmund

A quarta temporada de Vikings chega ao fim, mas não sem antes nos apresentar um novo personagem: o bispo Heahmund.

Assim como grande parte dos personagens da série, Heahmund também é baseado na sua contraparte real. O criador da série, Michael Hirst, falou sobre o novo personagem para o Rotten Tomatoes:

Eu sabia que, em vista do sucesso do Grande Exército Pagão e da força militar dos vikings sobre os saxões, eu precisava de um líder guerreiro saxão que pudesse combiná-los, que poderia resistir a eles. O que descobri em minha pesquisa foram pessoas chamadas bispos guerreiros. São pessoas genuinamente religiosas. Eram pessoas do alto da hierarquia da igreja, príncipes da igreja – homens de grande conhecimento que também eram espadachins e lutadores qualificados que estavam totalmente preparados para lutar contra o Exército Pagão. Nesse sentido, eles eram precursores precisos dos Cavaleiros. Assim, séculos antes dos Cavaleiros Templários, eles eram o modelo. E esse sujeito, o bispo Heahmund, era um personagem histórico. Sabemos que ele realmente morreu na batalha. Sabemos que ele era uma figura formidável. Então eu tinha o meu personagem histórico.

Heahmund foi bispo de Sherbone. Além de ter sido um membro da igreja, o bispo também foi um guerreiro implacável. Ele é venerado como santo pela Igreja Ortodoxa Oriental e pela Igreja Católica Romana.

O que significa a expressão “Ananyzapata”?

Como parte dos mistérios para a próxima temporada, o quarto ano da série termina revelando que o bispo Heahmund é também um guerreiro, e que na sua espada pode se ler “Ananyzapata”.

Essa inscrição provavelmente é uma variação da palavra “Ananizapta”, uma epígrafe medieval encontrada na Alemanha e na Inglaterra. É uma palavra para repelir as forças do mal e proteger seu bom portador cristão da maldade e da destruição.

Historicamente, a inscrição foi encontrada em algumas relíquias antigas, mas principalmente em uma pedra chamada Middleham Jewel em North Yorkshire.

Middleham Jewel


FONTES:

“A Grande Expansão”, revista “Vikings: A História Real”, Dossiê Super Interessante. São Paulo: Abril, 2015.

What’s The Meaning Of The Engraving On Heahmund’s Sword On ‘Vikings’? – moviepilot.com <https://moviepilot.com/p/vikings-heahmund-sword-inscription/4201478>

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