[HISTÓRIA EM SÉRIES] Review | Vikings 4×10: “The Last Ship”

“Quem quer ser rei?” – Ragnar

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E chegamos a metade da quarta temporada de Vikings. O episódio “The Last Ship” foi o último antes do hiato da série e por isso teve cara de fim de temporada concluindo o arco da invasão de Paris e tantos outros. Além disso, a passagem do tempo coloca os personagens em novos desafios e promete dar um novo gás (necessário) a série.

O que mais gosto na série Vikings é que o show raramente não cumpre com o que promete. Desde o início desta temporada, era evidente que uma hora ou outra, Ragnar e Rollo iriam se enfrentar numa luta sangrenta. A desavença entre os irmãos fora construída desde o início da série e Rollo, agora, assumindo sua lealdade aos franceses teve a oportunidade de mais uma vez externar a discórdia que sente por Ragnar. Foi emocionante vê-los novamente um contra o outro sabendo que desta vez não há como Rollo retornar ao lado de Ragnar. Era uma luta decisiva… e mortal… ou quase.

Por mais que as cenas de batalha na série sejam bem produzidas e empolgantes, parece que agora sentimos o cansaço de uma fórmula que precisa ser reinventada. Digo isso porque, durante as cenas de luta, em nenhum momento temi pela vida dos personagens principais. Não senti a tensão de que em algum momento alguém tombaria mortalmente carregando mais o drama, no qual fazia todo sentindo, pois se era a derrota mais dura que os vikings sofreram então que fosse sentida também na perda de alguns dos personagens importantes da série. Ao final, como eu havia imaginado, uma perfuração aqui, outro hematoma ali, e todo mundo volta pra casa. Claro que as baixas foram grandes para ambos os lados, mas nós, enquanto público, acabamos distanciados da derrota visto que até o resultdo já se fazia previsível com as atitudes de Ragnar. Faltou um pouco de ousadia, acredito. Até a própria desavença entre Rollo e Ragnar teve seu desfecho adiado, o que não vejo como demérito já  que ao final do episódio, muitas mudanças prometem vir por aí, dessa forma, o relacionamento entre os irmãos vai render bons momentos a série.

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Em Paris, a situação não estava tão distante de ser violenta com o rei Charles mandando executar Roland e Therese. Com sua total confiança depositada em Rollo, o rei resolveu não arriscar sua pele acolhendo dois conspiradores e traidores. O desenrolar desse núcleo poderia ter sido mais desenvolvido, mas a série acabou trazendo uma solução rápida visto que este episódio veio para concluir vários plots.

Após a derrota fulminante em Paris, os vikings retornam humilhados para casa enquanto Rollo é alçado ao posto de Salvador. E aí, sem esperarmos, a série dá um salto temporal de anos. Ragnar se encontra exilado após a derrota, Kattegat ampliou sua área populacional e os filhos de Ragnar encontram-se crescidos. É muito interessante a cena onde eles conversam sobre as atitudes de Ragnar e como Ivar possui um posicionamento diferente dos demais irmãos expondo sua personalidade forte em oposição a sua condição física frágil. Essa cena é essencial para apresentar esses novos personagens e suas personalidades visto que prometem ser importantes para a segunda metade desta temporada.

Falando em Bjorn, a cena a qual ele procura Floki para perguntar sobre os navios traz uma referência histórica.

Bjorn pretende visitar o Mar Mediterrâneo que Floki acredita não existir.

Segundo os estudos históricos, Björn Ironside é considerado um dos reis semilendários da Suécia que viveu em algum período do século 9. Foi um poderoso viking e comandante naval que ao lado do seu irmão, Hastein, realizou ataques a França e em 860 conduziu um grande ataque ao Mar Mediterrâneo.

As chances de termos uma representação disto na série não é pequena já que a jornada de Bjorn está sendo preparada desde a primeira temporada.

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Anos depois, o retorno de Ragnar a Kattegat não é digno de uma lenda viva. A própria discussão a respeito do mito que Ragnar se tornou é debatida por seus filhos. A revelação do que ocorreu na colônia viking em Wessex foi vista como uma traição por parte de Ragnar que escondeu em segredo os fatos. Se Paris agora parece não mais atraente, Wessex promete ser a nova ambição dos vikings que movidos pela vingança prometem não dar sossego ao rei Ecbert. Ainda sobre Ragnar, mesmo moralmente destruído, sua figura ainda inspira temor e respeito já que ninguém foi visto aceitando o desfio proposto por ele de alguém tornar-se o novo rei. Por mais que o homem Ragnar seja falível, o mítico Ragnar mantem-se vivo entre seu povo.

Com esse ótimo mid-season finale, Vikings ainda consegue manter seu fôlego e nossa atenção na série, porém é preciso arriscar pra não correr o risco de tornar-se cansativa. As cenas de ação sempre se mostraram feitas com qualidade e esmero, porém o show não é apenas ação, mas também drama que precisa por vez ou outra balançar a audiência. Várias mortes ocorreram durante essa primeira parte da quarta temporada, mas no momento em que se fazia necessário nenhuma vitima fatal foi feita no maior embate até agora deste novo ano.

Vikings dá uma pausa, mas deixando muitas perguntas. Os ganchos para os próximos episódios prometem um novo patamar aos personagens e novos desafios. Espero a companhia de vocês e agradeço desde já por estarem aqui acompanhando com a gente a jornada desses bravos nórdicos.

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9 thoughts on “[HISTÓRIA EM SÉRIES] Review | Vikings 4×10: “The Last Ship”

  1. Tô amando o site… adoro ler sobre Vikings aqui e todas as informações que vocês também colocam.
    Valeuuuu

  2. Boa análise sobre o episódio. Interessante que apesar da batalha épica dos últimos episódios, os momentos que mais temi pela morte de um personagem que gosto foi no quase assassinato do Echbert. Acho que a série chegou em um momento no qual se fosse seguir a fundo as crônicas vikings, alguns personagens deveriam morrer para as novas gerações assumirem. Mas parece que não vão correr esse risco e digo que com razão, afinal, ter esse ator sem graça que faz o Bjorn como personagem principal seria um belo golpe para nós que nos acostumamos com Rollo, Ragnar e Echbert . Mas a próxima temporada promete, esses filhos do Ragnar me pareceram bons personagens que podem render bem e conseguir despertar no público o interesse que o Bjorn nunca conseguiu.

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