[HISTÓRIA EM SÉRIES] Review | Vikings 4×06: “What Might Have Been”

[ATENÇÃO! PAREDE DE SPOILERS]

“O primeiro passo sempre é o mais difícil” – Prudentius

Os vikings retornam a Paris num episódio com toques de nostalgia e com muita coisa acontecendo.

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O que acontecerá com as decisões tomadas neste episódio recaem sobre Ragnar, que tem a frente momentos decisivos, seja com o irmão, Rollo, ou com o rei de Wessex, Ecbert. Este episódio serve para posicionar os personagens em suas respectivas frentes de batalha para o enfrentamento que já vinha sendo desenhado nos episódios anteriores.

Em Hedey, por exemplo, nada mais ameaça o poder de Earl Ingstad (se bem que ainda tem Erlendur por lá, mas, com a morte de Kalf, sua influência praticamente sumiu, se é que havia). Em Kattegat, Ragnar ainda reina soberanamente, mesmo com toda oposição fria que se forma na presença de Auslag, Flok, Halfdan e Harald. Em Wessex não é diferente, Ecbert envia o filho e o neto, Alfred, numa peregrinação a Roma.

Agora é praticamente regra exaltar um personagem ainda criança na ficção, sabendo quem ele irá ser quando crescer na realidade. Quando Ecbert diz a Alfred que ele é escolhido por Deus para grandes feitos, essa construção trata-se de uma referencia a quem Alfred vai ser. Michael Hirst alude ao rei Alfredo, do qual já falamos aqui várias vezes. Não é a primeira vez que Hirst usa esse artifício e nem será a última, mas fiquem ligados, que toda vez que algum personagem é valorizado pela promessa de algo grande no futuro é porque usa-se a referência de sua importância histórica.

Ainda sobre Ecbert, é interessante ver como o rei afasta o filho, que pode significar algum empecilho no seu plano de conquistar a Mércia. Ecbert já deixou claro que está disposto ao recursos mais odiosos para conseguir seus objetivos.

A preparação para a guerra também continua em Paris, onde o rei Charles quase se ajoelhou perante Rollo para garantir a fidelidade dele, já que o Conde Odo não é mais sua figura de confiança. Fica bem claro que alianças de poder e fidelidade são bem abstratas. A ameaça de traição paira em todos os núcleos da série.

A partida para a nova incursão rendeu mais uma vez cenas belíssimas dos barcos deixando Kattegat e em alto mar. A produção de arte da série não vem deixando a desejar em nenhum momento. O mesmo pode ser dito das ambientações em Paris e em Wessex.

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Este episódio teve tons de nostalgia para os fãs que acompanham Vikings desde o início. Tivemos vários momentos que remetem muito ao primeiro episódio da primeira temporada, onde somos apresentados aos personagens e ao universo da série. Quando Ragnar realiza a cerimônia de passagem com seus filhos, essa cena nos remete à lembrança da cerimônia de passagem do Bjorn ainda criança. Perdidos em alto mar, Ragnar e Bjorn tentam localizar o rumo utilizando os recursos de navegação que aparecem no primeiro episódio da série, onde Ragnar tentava convencer Rollo de suas viagens. O momento mais nostálgico fica por conta da alucinação provocada pelo remédio de Yidu, onde Ragnar, ao olhar para uma das margens do rio, vê sua antiga fazenda, Lagertha, Bjorn criança, a filha que morreu e Athelstan ainda como seu escravo.

É em momentos como esse que Travis Fimmel brilha com seu Ragnar. Suas expressões faciais, seus olhares, seu comportamento imprevisível trazem o necessário para entendermos os dilemas existenciais que o personagem vem vivenciando.

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Dilemas esses que serão alimentados com a previsível mudança de lado de Rollo, que do alto de seu cavalo observa a chegada dos vikings. Depois de todos posicionados, chegou o momento dos jogos de guerra. O único caminho a seguir agora é enfrentar o futuro. “Não olhem para trás”, disse Ragnar aos filhos. O passado já passou e o primeiro passo sempre é o mais difícil. E o primeiro passo foi dado nesse episódio.