[HISTÓRIA EM SÉRIES] Review | Vikings 3×09: “Breaking Point”

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[ATENÇÃO! PAREDE DE SPOILERS]

“O Anticristo e os demônios chegaram” – Gisla

Mais uma vez as fortificações de Paris impedem a tentativa de invasão viking. Lagertha liderando o ataque furtivo durante a noite e lutando como a guerreira que é, sempre é algo bom de se ver. Sua parte no plano permitiu uma brecha para os vikings acampados do lado de fora. Por um momento pensei que finalmente os vikings conseguiriam entrar na cidade. Pode até parecer legal, mas seria meio estranho um pequeno ataque furtivo no meio da noite trazer mais resultados do que uma épica invasão. Mas aí lembro do Cavalo de Tróia.

Foram cenas bem executadas mostrando a fúria viking na hora da batalha, mas que encontrou o rolo compressor parisiense e o preparo de uma cidade que não está disposta a se entregar. Mas o orgulho encontra-se de ambos os lados. Se os vikings vêem a moral cair a cada fracasso, o rei Charles toma suas decisões motivado pelo orgulho de manter a imagem de um grande rei, assim como seu avô, Carlos Magno.

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Nesse episódio aprendemos uma lição muito valiosa: se um viking pedir uma “mãozinha” na hora da sua execução, tenha muito cuidado, ele realmente quer suas mãos. Sinric, o guia dos vikings é também capturado. Seu papel nesse contexto fica bem mais claro agora, o “viajante” serve de interlocutor entre os vikings e os parisienses, função que poderia ter sido desempenhada por Athelstan se ele não tivesse sido morto.

Falando em viajantes, Kattegat recebeu a visita de mais um “andarilho”, dessa vez um missionário cristão. A passagem de Ansgar serviu para mostrar como Auslag tem conduzido a vila na ausência de Ragnar, mas também não podemos deixar de dizer que a presença do missionário cristão representa a chegada do cristianismo no norte europeu. O episódio nos faz crer que estávamos diante de um “Harbard versão cristã”, mas a realidade dói mais e pode até queimar.

Em Wessex, Ecbert procura ter Judith cada vez mais em suas mãos. O rei não busca apenas uma “amante”, busca fidelidade e subserviência. Ecbert quer ter certeza que Judith irá ocupar o lugar do seu pai, rei Aelle, e se tornar uma peça na conquista do reino da Inglaterra. Ri quando Ecbert fala que a moral do filho o inspira. Aethelwulf pode até resistir às tentações, mas Ecbert cria suas próprias tentações.

Deixei para falar de Ragnar por último, pois ele resolveu assumir a direção das coisas agora. “Esse é meu nome. Rei Ragnar”, ele diz. Desde o começo da invasão e as sucessivas derrotas, Ragnar tem se colocado a margem de tudo. Nomeia Floki como seu comandante na intenção de vê-lo falhar (!?) e assiste a tudo de uma considerável distância. Mas agora, na beira da morte, Ragnar assume seu posto.

É muito interessante ver como a amizade de Ragnar com Athelstan fica muito fortalecida no caráter religioso. Ali, quando sofria fortes dores, Ragnar teve visões de Athelstan entre Odin e Jesus, mas assim como Athelstan que nas suas últimas horas abraçou sua vocação cristã, Ragnar abandona o Valhalla e quer compartilhar do paraíso cristão para estar ao lado do amigo. O rei viking pede para ser batizado.

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Ao ver Ragnar sendo convertido, não só Floki como Lagertha, Kalf, Bjorn e Rollo ficam ali de queixo caído sem entender muito bem o que estava acontecendo. Ragnar naquele momento está traçando o destino de todos. Sua conversão pode ser o início daquilo que ainda veremos na próxima temporada.

Referências:

800px-King.athelstan.tomb.arp “Não sou Carlos Magno” – rei Charles.

Bem, isso já sabemos. O rei Charles descrito em Vilkings é baseado em Carlos, o Calvo, neto de Carlos Magno, que recebeu a Francia ocidental.  Mas quem é Carlos Magno que é referenciado com tanta pompa?

Carlos Magno (Carolus Magnus, em latim) foi coroado pelo papa Leão III como imperador do Sacro Império Romano Germânico e manteve aliança com a Igreja Católica. Seu reino se estendia pelos territórios da França, grande faixa da Catalunha, Navarra e Aragão (atual Espanha), os Países Baixos, a Alemanha, a Itália central e setentrional.

Teve vários sucessos militares, mas foi no incentivo das artes, da educação e no aspecto administrativo que ganhou mostrou importantes avanços.

Carlos Magno foi um grande incentivador das artes e da educação no seu reino. Promoveu obras, incentivou a construção de escolas e deixou a cargo do monge inglês Alcuino o desenvolvimento do projeto escolar que abordava aritmética, geometria, astronomia, música, gramática, retórica e dialética. A educação era para todos, não havia distinção entre os meninos ricos e pobres.

No âmbito administrativo, Carlos Magno criou um sistema bem eficiente. Dividiu seu império em condados administrado pelos condes. Para fiscalizar os condes, criou os missi dominici, funcionários que reportavam ao imperador sobre a cobrança de impostos, aplicação das leis etc.

Carlos Magno morreu em 814, na cidade de Aachen (na Alemanha) deixando seu vasto império para seu filho, Luís.

“Seu nome é Ansgar. É um estranho, um cristão, um missionário, assim ele afirma”

Ansgar é o nome de um missionário que tinha como objetivo levar o cristianismo ao Norte da Europa, também ficou conhecido como “apóstolo do Norte”. É considerado o primeiro representante da Igreja a tentar cristianizar a Escandinávia e a Suécia. Foi nomeado bispo de Hamburgo pelo Papa Gregório IV. Ansgar de Hamburgo é hoje o santo padroeiro da Escandinávia e festejado no dia 3 de fevereiro.

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2 thoughts on “[HISTÓRIA EM SÉRIES] Review | Vikings 3×09: “Breaking Point”

  1. Adoro como você descreve os episódios, e tudo fica mais claro, ah e aliás, que missionário chatinho era aquele hein, se Kattegat tiver que ser convertida em cristã, vou ficar depressiva haha.

  2. Comecei a assistir a série recentemente, gostei tanto que cheguei rapidamente a 3º temporada.
    Sua review é muito boa, obrigado.

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