[HISTÓRIA EM SÉRIES] Review | Vikings 3×08: “To The Gates!”

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[ATENÇÃO! PAREDE DE SPOILERS]

“Hoje, nos saímos mal” – Bjorn

Os vikings finalmente partem para o ataque a Paris. Neste episódio, vimos as sequências de ação mais épicas da série até agora, e não é para menos. Interessante ver os ataques coordenados dos nórdicos, atacando por terra e por água em duas frentes lideradas por Floki e por Lagertha juntamente com Kalf. A série está de parabéns pela sua produção em retratar o ataque em grande escala. Cenas a longa distância mostrando a chegada dos navios vikings cercando Paris ficaram muito bem feitas, assim como a defesa da cidade que rendeu momentos tensos e cheios de ação. Vikings atendeu as minhas expectativas de me proporcionar uma ação épica, emocionante e bem produzida para os padrões televisivos.

Mas apesar da minha euforia para este episódio, não podemos deixar de sentir a dura derrota que os nórdicos tiveram que engolir. Ragnar subestimou as defesas de Paris, muito provavelmente cego para desejar de tomar a cidade (ou tudo isso fazia parte do plano?). O rei viking apenas olhava seus comandantes agirem, mas no momento que a ação não parecia favorável aos seus homens, Ragnar intervém, mas não fez diferença.

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Na derrota que os vikings sofreram é importante ressaltar a maneira como Floki interpreta o fracasso do ataque. Ele atribui a Athelstan a desgraça que se abateu sobre eles. Essa interpretação não poderia ter sido diferente. Para Floki o mundo é regido pela vontade dos deuses, mas admitir que Athelstan foi responsável por “traí-los”, não é apenas uma confirmação de suas paranóicas suspeitas contra o monge, mas também é aceitar que os deuses não ficaram satisfeitos com os sacrifícios feitos. Athelstan mesmo dão além, ainda continua a influenciar os vivos. Isso podemos ver muito bem quando Ragnar, ao final da batalha, distancia-se do grupo e fala aos céus, como se estivesse falando com seu “velho amigo” (quando ele diz isso, juro que imaginei que ele iria falar com Floki).

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Ragnar acabe revelando seus planos a Athelstan, e era bem o que eu desconfiava. Dar a Floki o comando do ataque, fazia parte de algum plano vingativo contra ele. Ragnar diz ser muito paciente e é essa paciência que ainda o prende e por isso que não vimos Ragnar reagir ao assassinato de Athelstan. Ainda sobre Ragnar e seu velho amigo, a cena em que o rei viking está lutando na muralha de Paris e avista a cidade é excelente. Por um momento ele vislumbrou a bela Paris que Athelstan havia descrito.

Se de um lado Floki encontrou o fracasso, pois suas torres apenas lançavam os vikings para as espadas francesas, no outro fronte, Lagertha e Kalf também provaram o gosto amargo da derrota. Agora foi muito bonito de se ver Lagertha no comando da tropa viking. Gritando palavras de ordem e comandando aqueles homens. Porém sua ideia de derrubar os portões com o aríete não foi o suficiente e Kalf assume a liderança do ataque. Naquele momento, os dois eram apenas um. Mas abrir os portões de Paris guiou os homens à morte, poucos conseguiram sobreviver.

A defesa de Paris comandada por Conde Odo cantou a vitória no fim do dia, mas é importante ressaltar que essa vitoria não veio apenas da força das lâminas, mas na fé daquele povo. Gisla leva para a muralha a Auriflama (mais sobre esse símbolo você pode ler nas “referências) e conclamando os soldados a vitória num discurso inflamado encheu os combatentes de vontade que voltaram confiantes de que naquele dia Deus estava com eles.

01É interessante ver aqui representado o poder dos símbolos e da própria fé na história humana. Seja como uma identificação ou como um “amuleto de sorte”, vários símbolos foram e são usados para inspirar o melhor em todos e buscar forças para vencer situações adversas. Gisla ao estender a Auriflama fez os soldados contemplarem um símbolo que os permitia ter a certeza que poderiam vencer. Ainda hoje é possível ver símbolos ou ações ligadas à religiosidade em busca da vitória. Nos campos de futebol, por exemplo, não é raro ver os jogadores fazerem o sinal da cruz, beijarem um crucifixo ou levantarem as mãos para o céu pedindo a vitória ou celebrando-a, pois ali, para eles, não é apenas um campo de futebol, mas o palco de uma batalha.

Eu já tinha até aceitado o fato de que Bjorn havia morrido, afinal de contas uma derrota como a que os vikings sofreram foi duríssima. Porem Rollo, que desempenhou o papel de comando no ataque, já avisou que da próxima vez farão tudo certo. Sim, haverá uma próxima vez. Ragnar viu Paris. Se antes buscava dominar uma cidade que vivia na sua imaginação, contemplá-la por um instante fez aumentar sua vontade de tê-la para si. Como ele próprio revelou a Athelstan: “e estou sujeito e determinado em conquistá-la”.

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Referências:

A Auriflama é a bandeira sagrada de Saint-Denis.”

Como foi dito acima, os símbolos podem se tornar poderosos em campos de batalha. Este episódio de Vikings fez referência a um dos principais símbolos do mundo medieval europeu: a Auriflama Francesa.

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Réplica da Auriflama.

É importante dizer que os brasões de guerra, as pinturas nos escudos e as bandeiras carregadas de simbologia surgiram como uma forma de distinguir aliados e inimigos no calor da batalha. A principio podia ser algo bem elementar: uma cor ou um símbolo geométrico.

Entre 1135 e 1155, a utilização de símbolos se espalhou por toda a Europa. Leões, águias, flor-de-lis estampavam bandeiras e escudos.

A Auriflama Francesa era uma das mais tradicionais bandeiras de guerra de toda a Europa medieval e foi usada em diversas batalhas da Guerra dos Cem Anos. Acredita-se que esta bandeira foi consagrada a São Dinis, padroeiro da França. Durante tempos de paz, ela ficava guardada na Catedral de Saint Denis, onde estão enterrados a maioria dos reis franceses.

Na guerra, a bandeira era levada para frente de batalha, onde os soldados gritavam: “Montjoie Saint Denis!”

FONTE: Heráldica: a arte dos brasões.

2 thoughts on “[HISTÓRIA EM SÉRIES] Review | Vikings 3×08: “To The Gates!”

  1. Estou muito feliz! Acabei achando este site por um acaso, quando estava justamente pesquisando o fundo verídico e histórico desses dois últimos episódios. Valeeu, muito bom o trabalho de vocês!

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