[HISTÓRIA EM SÉRIES] Review | Vikings 3×07: “Paris”

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[ATENÇÃO! PAREDE DE SPOILERS]

“Hora do machado! Hora da espada! Os escudos estão afiados” – Floki

Juro que quando vi Ragnar cara a cara com Floki imaginei que havia chegado o momento dos dois conversarem sobre Athelstan, no entanto Ragnar tem se tornado um personagem difícil de se ler, pois ambos na verdade já estavam na frota viking que chegava a cidade de Paris.

O inicio do arco que mostrará os vikings sitiando Paris foi satisfatório. Esse episódio mostrou o posicionamento das peças para os conflitos em Paris, mas também para aquilo que Ecbert está planejando em Wessex. Pouco a pouco estamos vendo Ecbert agindo como um verdadeiro “príncipe maquiavélico”, sendo gentil quando lhe convém, mas impiedoso na conquista de seus objetivos.

Voltemos a Ragnar, precisamente no ponto onde ele nomeia Floki como seu comandante. Floki fica tão feliz que nem criança em dia de Cosme e Damião, ele irradia felicidade ao ver que o amigo Ragnar agindo conforme imagina, conforme a vontade dos deuses. Floki é um homem guiado pela sua crença nos deuses e tudo ao seu redor é uma conseqüência da vontade desses seres. Ele mesmo diz a Helga que tudo ocorre bem porque ele havia feito o sacrifício que os deuses queriam: a morte de Athelstan. Porém, Athelstan ainda continua entre eles e quem assume isso é o próprio Floki ao ver Ragnar queixar-se da falta do “sacerdote”.

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Será um erro pensar que Ragnar não reagiu ou não reagirá a morte de Athelstan. No momento, sua prioridade é Paris, mas não posso deixar de imaginar que ele também não esteja planejando vingança contra Floki. Quem sabe a própria nomeação ao posto de comandante não seja uma forma de vingar-se de alguma forma. Mas como disse, a prioridade de Ragnar é Paris, ter Floki ao seu lado é importante para tomar a cidade, já que este criou as torres que ajudarão na tomada da cidade. Seria um erro interpretar as roupas que Ragnar usa como parecidas com a do amigo monge? Repararam? Claro, além do crucifixo que agora ele leva pendurado no pescoço. Estaria Ragnar pedindo a Athelstant intervenção junto a Deus para vitória sobre Paris? Ao mesmo tempo que Ragnar pode estar escondendo o jogo com seu silêncio, ao mesmo tempo ele diz muito com seus olhares. Algo inesperado vem por aí.

As piores cicratizes não são as que Porunn carrega no rosto, mas sim aquelas que leva na alma. ela se sente despreparada para tudo, até para cuidar do seu filho. Enquanto isso Bjorn aproxima-se mais de Torvi – que se aproveitou também – mas Erlendur não está nada feliz com isso. Os vikings podem até não ter usado elmos com chifres, mas o filho de Horik está ganhando um belo par de chifres.

Em Paris, as forças do rei se preparam para o conflito comandado pelo Conde Odo. Este episódio também serviu para apresentar e desenvolver os personagens desse núcleo, pois além de Odo, outros personagens importantes foram apresentados como o rei Charles e sua filha Gisla. O rei decide permanecer na cidade para guiar seu povo, mas deixa tudo nas mãos de Odo. O rei quer a glória, quer a fama, mas parece não estar disposto a fazer isso com as próprias mãos, resolveu deixar tudo na mão de ferro do Conde.

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Em Wessex as coisas não vão muito bem como gostaria Ecbert. A rainha Kwenthrith se mostra mais difícil de se lhe dar. Ao ordenar a morte dos nobres de Ecbert, ela quer mandar a mensagem de que sozinha governará a Mércia, porém o rei de Wessex sonha mais alto. Ecbert vai revelando seus planos para o filho e mostra como pouco a pouco quer se tornar o rei de toda a Inglaterra. O pai de Judith, o rei Aelle também está na lista de Ecbert daqueles que devem ser eliminados. Por isso podemos imaginar que a aproximação doce e gentil de Ecbert para com Judith seja para coroá-la no lugar do pai e assim transformá-la na sua marionete.

Aethelwulf é enviado para Mércia com a missão de persuadir Kwenthrith a aceitar a submissão do pai. A rainha da Mércia apresenta seu filho Magnus, como filho de Ragnar, mas isso não intimida Aethelwulf. Agora será mesmo este um filho de Ragnar? Este é um filho que poderia ser de qualquer um, mas como não tem o Ratinho pra fazer um teste de DNA, veremos se realmente trata-se de um filho de Ragnar (que não duvido que seja) ou de um plano de Kwenthrith para garantir seu reinado na Mércia.

“Paris” termina com o exercito viking pronto para invadir a cidade. Os próximos episódios criam uma expectativa para momentos épicos na série. Até o momento, poucas foram as expectativas que não foram correspondidas em Vikings. Então espero (e as cenas dos próximos episódios já mostram) cenas cheias de ação e muito efeito especial para retratar a invasão viking de Paris. Ainda restam três episódios para o fim da temporada, ou seja, muito ainda podem acontecer.

Referências:

O Cerco de Paris

Finalmente estamos vendo o início da invasão viking à cidade de Paris. Como este capítulo da história francesa tem pontos bastante interessantes que poderiam ficar de fora num resumo feito aqui, aproveito para dizer que será feito um texto só para este fato histórico. Então nos acompanhe para mais informações históricas sobre o contexto abordado na série.

Mas podemos adiantar que o Cerco de Paris aconteceu entre 895 e 896 quando uma invasão viking sobre o rio Sena chegou ao reino dos Francos ocidentais. Foi um dos principais eventos durante o reinado do rei Charles, o Gordo provando aos francos a importância estratégica de Paris quando esta era apenas uma cidade insular.

“Estamos todos a sua mercê, Conde Odo” – Rei Charles.

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Coroação do rei Odo.

Odo foi rei da França Ocidental e reinou entre 888 e 898. Era filho de Robert, o Forte, conde de Anjou, da dinastina dos Robertianos. Odo era também conhecido como Conde da França e Conde de Paris.

Após a morte do pai, Odo herdou o título de Marquês da Neustria, mas perdeu este título em 868 quando o rei Charles, o Calvo nomeou Hugh, o Abade. Em 886 recupera o título com a morte de Hugh. Odo também foi abade de São Martinho de Tours.

Por suas habilidades e coragem em resistir ao ataque viking durante o Cerco de Paris. Odo foi escolhido pelos francos ocidentais para ser rei depois que Charles, o Gordo foi removido do poder. Odo foi coroado em Compiègne em fevereiro de 888. E então rei Odo derrotou os vikings em Montfaucon, mas disputas entre os nobres que apoiavam Carlos, o Simples ao trono enfraqueciam seu poder. Odo buscou apoio com Arnulf, rei da França Oriental, porém em 894, Arnulf declarou apoio a Charles. Seguiu-se uma disputa de 3 anos que terminou com Odo assinando sua rendição.

Odo morreu em primeiro de janeiro de 988.

“De que outra forma eu seria um Bretwalda, rei dos reis, rei de toda a Inglaterra?” – Rei Ecbert.

Bretwalda é um termo anglo-saxão encontrado na Crônica Anglo-Saxônica. Essa palavra é usada para nomear alguns reis que haviam se destacado sobre outros reinos. O termo Bretwalda surge num documento de Athelstan, rei dos ingleses. Apesar de possuir várias grafias, a palavra significa “Senhor dos Bretões” ou “Senhor da Bretanha”.

“Gisla arrependo-me de não ter te levado para um lugar seguro a tempo” – Rei Charles

A personagem Gisla é baseada em Gisela da França, uma princesa francesa que foi casada com o rei Rollo.

Rollo estava prometido a Gisela, filha do rei Charles, o Simples, depois que se converteu ao cristianismo e ascendendo ao poder na Normandia. Segundo alguns relatos, Rollo tratava Gisela com crueldade e o casal não teve nenhum filho.

Alguns historiadores não estão certo da existência de Gisela, porém os que defendem sua existência atestam que ela era uma filha natural de Charles.

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