[HISTÓRIA EM SÉRIES] Review | Vikings 3×01: “Mercenary”

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“Poder é sempre perigoso, atrai o pior e corrompe o melhor”

– Ragnar

[ATENÇÃO! PAREDE DE SPOILERS]

Iniciamos mais uma temporada de Vikings e de cara já posso dizer que a série mantém o ritmo da segunda temporada (que é ótimo) e já desenha novos rumos para os personagens. Então vamos lá comentar o que de melhor aconteceu em “Mercenary”, o episódio de estreia da terceira temporada.

vikings_s3_e1_gallery_5-PNum primeiro momento, o que impera entre os personagens da série é a preocupação com sua prole. Um a um, vemos Lagertha, Bjorn, Floki falando sobre seus filhos e pretensos filhos. Ragnar também não fica de fora, já tem filhos o suficiente para montar uma creche, mas apesar do amor que sente por todos, o recém nascido Ivar ou o “Sem Ossos” ainda lhe causa desconforto. Com Bjorn, Ragnar transmite seus conhecimentos, seu discernimento do mundo. Ragnar agora é rei, mas nos dá a entender que é rei não porque quis, mas porque o destino lhe levou a ser.

Não demora muito e os vikings retornam a Wessex, reino de Ecbert. O retorno era aguardado já que o rei inglês havia prometido terra para os dinamarqueses. Porém em Wessex, Ragnar descobre que ainda não será o momento para plantar e colher. A Mércia continua sendo disputada por Brithwulf e Kwenthrith, tio e sobrinha respectivamente. Então Ecbert pede que Ragnar a ajude nessa questão. Com o apoio de seus amigos e companheiros, Ragnar resolver bancar o mercenário e ajudar Kwenthrith.

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Viajam todos até a Mércia, inclusive o rei Ecbert que agora está caidinho por Lagertha. Durante a viagem, Ragnar e seus homens são atacados com flechas atiradas das margens do rio e percebe que os exércitos do tio de Kwenthrith e do seu irmão, Burgred, estão posicionados nas diferentes margens. Ragnar escolher atacar o exército de Brithwulf para desespero de Burgred que observa o massacre do outro lado do rio.

Missão dada é missão cumprida! E assim Ragnar começa a abrir o caminho para Kwenthrith no reino da Mércia. “Mercenary” abre de forma satisfatória a terceira temporada de Vikings. Com foco nos personagens, com tramas sendo iniciadas e cheia de potencial (como será o destino de Lagertha em Hedeby quando até seu homem mais confiável está querendo usurpar seu poder? os vikings realmente terão paz para poder plantar e colher em Wessex? Porrun está realmente esperando um filho de Bjorn? Ragnar e Lagertha ficarão cada vez mais próximos?) e com cenas de lutas empolgantes que afinal de contas é isso que queremos ver também. Vale destacar a maneira como a série vem trabalhando com as diferenças culturais entre os dinamarqueses e os saxões, em especial no caráter religioso que tem se mostrado excelente desde a primeira temporada.

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A série começa em alta e espero que se mantenha no nível, e claro, que seja empolgante ou mais que a temporada anterior. Vikings é a prova de que o Canal History não precisa ficar caçando imaginários alienígenas do passado para oferecer programas de qualidade.

Referências históricas:

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Frigga

Na cena inicial, Lagertha consulta o oráculo de Kattegat querendo saber sobre muitas coisas entre elas quando iria morrer. O oráculo cita Frigg, também conhecida como Frigga, deusa nórdica esposa de Odin e mãe (ou madrasta) de Thor. Ela é considerada a deusa da fertilidade e do amor e que também conhecia o destino dos homens.

Mércia foi um dos sete reinos que hoje formam a Inglaterra. Fazia fronteira com a Nortúmbria, Powys, os reinos de Gales, Wessex, Sussex, Essex e Ânglia Oriental. Seu primeiro rei foi Creoda que segundo registros históricos chegou ao poder em 585 d.C. e seu último rei foi Burgred que subiu ao trono em 852 d.C., mas foi expulso pelos vikings em 874.

Burgred ou Burgredo da Mércia foi sucessor de Beorhtwulf e tornou-se rei em 852. Junto com o rei Etelvulfo atacaram os britânicos devastando a Inglaterra (País de Gales). Porém, doze anos após a vitória contra os britânicos, o Grande Exército Pagão invadiu a Mércia. Cerca de dez mil homens liderados por três irmãos, Ivar, Halfdan e Ubbe, que já haviam dominado a Ânglia Oriental e a Nortúmbria. Em 874, Burgred foi substituído do poder pelos vikings e morreu em Roma.

Neste episódio, Beorhtwulf é nomeado como Brithwulf, mas também poderia ser conhecido como Berthwulf. Seu nome significa “lobo brilhante”. Foi rei da Mércia entre 840 e 852 d.C. Diferente do que mostrado no episódio, Beorhtwulf não morreu durante a invasão dos vikings. Em 851, um exército viking chegou a Thanet com cerca de 350 navios. Segundo as Crônicas Anglo-Saxôncas, os vikings invadiram Cantebury e Londres e afungentaram Beorhtwulf junto com seu exército. Os vikings foram derrotados pelas forças de Æthelwulf, mas o estrago deixado foi tão grande que o impacto econômico reduziu a cunhagem de moedas tanto na Mércia quando em Londres. Não há registro de como Beorhtwulf morreu, mas o que pode se dizer é que tenha morrido em 852, quando Burgred assume o trono da Mércia.

A Princesa Kwenthrith é uma personagem baseada na princesa da Mércia de nome Cwenthryth. Diferente do que aparece em Vikings, a princesa era de fato filha do rei Coenwulf que reinou entre 796 e 825. Cwenthryth foi abadessa do Ministério de Thanet, em Kent e também fonte de discórdia entre o rei Coenwulf e o arcebispo de Canterbury,  Wulfred, já que discutiam a questão das casas religiosas serem controladas pelo clero ou pela nobreza.